Escola de Palhoça adota modelo 100% remoto por não conseguir permanecer aberta; entenda

Motivo para a adoção do ensino virtual não é a pandemia, mas criminosos que seguem furtando a fiação elétrica e causando danos à estrutura da unidade

A Escola de Ensino Fundamental Venceslau Bueno, em Palhoça, está sem aulas presenciais há pelo menos um mês devido a furtos de fios da fiação elétrica. A unidade escolar chegou a ser invadida três dias seguidos este ano e nem o concreto colocado para proteger a estrutura conseguiu prevenir novos furtos. Apesar de o espaço ter sido reorganizado para receber os mais de 1.300 estudantes da rede estadual, os danos causados à fiação fizeram com que a escola adotasse o modelo 100% remoto de ensino.

Para a aposentada Ilze Espíndola da Silva, é triste ver os netos não conseguirem frequentar a escola. “Chego lá na casa do meu neto, eu digo ‘cadê o Caio?’. ‘Ah, tá ali no celular, vendo as matérias’. Aquilo me dói. Chego lá, ‘cadê o Vitor?’. ‘Ah, tá ali no celular, vendo as matérias’. A Bia já nem se fala, que vive grudada naqueles livros e no celular. Eu acho isso uma tristeza”, contou Ilze.

Escola de Ensino Fundamental Venceslau Bueno, em Palhoça, foi invadida nove vezes só em 2021 – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVEscola de Ensino Fundamental Venceslau Bueno, em Palhoça, foi invadida nove vezes só em 2021 – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Só em 2021, a unidade foi alvo de nove invasões, todas visando os fios de eletricidade. O primeiro caso foi em abril. Em maio, os ladrões chegaram a entrar no pátio por três dias seguidos.

A escola tentou se precaver e proteger melhor a fiação para evitar os furtos. Os canos por onde passava a rede elétrica chegaram a ser concretados na parede. O mesmo foi feito com as tampas que dão acesso às centrais. Mas infelizmente, não adiantou. Na invasão mais recente, os bandidos conseguiram arrancar as estruturas que estavam cimentadas, para levar mais materiais e deixar ainda mais prejuízos.

O sistema de videomonitoramento também foi vandalizado. Sem energia em boa parte da escola, o bombeamento não funciona e o prédio anexo ficou sem água. Ficou inviável receber os estudantes.

No último dia 2 de julho, a equipe gestora emitiu uma carta aberta justificando a retomada do modelo 100% remoto. O documento explica ainda que os novos reparos dependem da licitação de uma empresa.

A PM (Polícia Militar) diz que vem atuando com ações específicas na região da escola. “Desde que nós tomamos conhecimento das práticas criminosas, nós iniciamos algumas ações juntamente com a direção. Rondas preventivas, principalmente no período noturno no interior da escola, porque nós tínhamos dificuldade de visualização da parte externa”, explicou o Tenente-Coronel Rodrigo Carlos Dutra, da PM de Palhoça.

Os furtos são comuns na região, estão sob investigação e já surtiram prisões, conforme a PM. “Fizemos um levantamento dos possíveis autores, elaboramos um relatório técnico operacional e também encaminhamos à Polícia Civil, que irá pedir a prisão cautelar dos mesmos”, disse Dutra.

A Secretaria de Estado da Educação se manifestou por nota, lamentando que as ações criminosas prejudiquem os estudantes. O órgão estadual informou também que um contrato prevendo a contratação de vigilância 24 horas para todas as escolas estaduais está sendo elaborado, mas ainda não há previsão de execução.

Uma empresa foi licitada para reparar os danos. Nesta sexta-feira (9), uma vistoria foi feita no prédio e as obras devem começar no fim de semana, mas o retorno dos estudantes só deve acontecer após o recesso.

“É uma escola referência para muitas famílias, no grau de ensino, de segurança. Eu vejo hoje a escola nessa situação, os meus netos em casa sem ter aula porque roubaram os fios, porque não tem água. O descaso da Secretaria de Educação do Estado. É isso que está batendo”, desabafou Ilze.

Veja a reportagem completa do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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