Estuprador em série de idosas em SC é comparado a Lázaro

Francisco Josimar do Nascimento, 41 anos, está prestes a ser condenado por cometer crimes em série

Está na mesa do juiz a decisão sobre o estuprador em série de idosas e outras vulneráveis Francisco Josimar do Nascimento, de 41 anos. Ele deve ser condenado por três estupros qualificados em razão das idades das vítimas e quatro roubos.

Francisco Josimar do NascimentoFrancisco Josimar do Nascimento foi preso no dia 17 de março de 2020 – Foto: Divulgação/ND

No entanto, a ficha criminal de Francisco Josimar é longa: entre indiciamentos/prisão e investigação em curso, são 8 estupros qualificados, 6 roubos e 2 latrocínios, isto apenas do que se sabe até agora. Mas Francisco pode ter cometido muito mais crimes, acredita o delegado de Barra Velha, Procópio Neto.

Foram feitos, até agora, três exames de DNAs, os quais retornaram para a delegacia positivos, ou seja, o material genético coletado das vítimas é o mesmo de Francisco Josimar do Nascimento.

“É uma prova inquestionável. Certamente, haverá condenação do réu”. disse o delegado.

Francisco Josimar do Nascimento está preso na Unidade Prisional de Barra Velha. Isto pelos estupros de idosas em Barra Velha e Piçarras e roubo.

Há, ainda, outros inquéritos tramitando que apontam Francisco Josimar como suspeito de dois estupros em Barra Velha (de uma adolescente e uma criança) e um em Piçarras cuja vítima ainda não foi  identificada.

Francisco Josimar também tem passagem policial no Nordeste, onde responde por latrocínio e estupro de vulnerável.

“É um criminoso em série, um sociopata, meticuloso, um cara muito frio. Deve ter cometido inúmeros estupros que ainda desconhecemos. E ele geralmente escolhe vítimas que pouco poderão se defender ou não irão se defender, sejam idosas, crianças ou adolescentes”, resume do delegado Procópio, que comparou Francisco Josimar a Lázaro Barbosa, acusado de matar quatro pessoas de uma mesma família e de ser serial killer à medida que seus outros crimes começaram a ser revelados.

O histórico de crimes

A prisão de Francisco Josimar do Nascimento, de 41 anos, ocorreu no dia 17 de março, meses depois que o primeiro estupro foi denunciado na delegacia de Barra Velha, no Litoral Norte.

Os crimes não param por aí.

Foragido do Ceará, Francisco Josimar é acusado de dois latrocínios, um roubo qualificado e um furto naquele estado. Há 10 anos, a Justiça do Ceará considera Francisco foragido.

Um dos latrocínios foi na cidade de Quixeré, interior cearense. O processo ainda tramita e aguarda sentença. Já o outro latrocínio tramitou na vara de Limoeiro do Norte, também no Ceará. A condenação saiu em 13 de abril deste ano.

Além disso, ele também responde a um processo por assalto e estupro de vulnerável em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Francisco é acusado de estuprar uma adolescente que tinha 12 anos à época.

A investigação que levou à prisão

A série de crimes foi interrompida após uma investigação minuciosa deflagrada pela Polícia Civil de Barra Velha. Isto porque as idosas começaram a denunciar estupros com características muito semelhantes.

O primeiro caso, conta o delegado Procópio Neto, aconteceu em janeiro. Em fevereiro, uma segunda vítima, semanas depois, a terceira. Em todos os casos, o modus operandi do criminoso chamava a atenção: o rosto estava sempre coberto por uma máscara, chegava na casa da vítima no meio da noite e era muito calmo.

“Algumas vítimas identificaram alguns sinais, algumas características, tom de pele, braços peludos. Mas, principalmente, todas descreviam a maneira do estupro como sendo o mesmo, que ele era muito calmo, que falava para ficarem calmas enquanto acariciava as partes íntimas delas. Todas elas descreviam essa conduta e essa conduta fica provada no vídeo”, explica o delegado.

“Calmo, ele que tinha certeza que não seria descoberto”, apontou.

O ritual do criminoso

O suspeito tinha um “ritual”, conta Procópio. Morador do bairro Nossa Senhora da Paz, que faz divisa com Itajuba, ele espreitava as mulheres, filmava as possíveis vítimas e, no meio da noite, arrombava as casas.

O perfil também seguia um padrão: idosas que moram sozinhas. “Uma das vítimas contou que acordou com ele já com a mão na boca dela. Uma idosa de 86 anos contou que ele passou cerca de três horas a estuprando em vários cômodos da casa”, diz.

Todas as vítimas se mudaram de Barra Velha dias após os crimes e não quiseram ser identificadas ou falar com a reportagem. “Ele as ameaçava, dizia que voltaria se elas falassem algo. Essas que vieram são muito guerreiras”, destaca o delegado.

Investigação identificou quatro vítimas, três em Barra Velha e uma em Piçarras – Foto: Adrieli Evarini/NDDelegado Procópio Neto: investigação inicial identificou quatro vítimas, três em Barra Velha e uma em Piçarras – Foto: Adrieli Evarini/ND

“Ele tem um perfil criminológico de sociopata e acreditamos que haja muito mais vítimas. Não consigo sequer mensurar quantas, porque não sabemos quando ele começou. Ele está há 10 anos e já chegou foragido”, diz.

Gravação e celulares levaram à prisão

Estupros gravados em celulares. Foi a partir dessa dinâmica que a polícia chegou até o homem que tem crimes cometidos no Rio Grande do Norte, no Ceará e vinha fazendo uma série de vítimas em Santa Catarina.

O delegado Procópio conta que, além de filmar as possíveis vítimas fazendo uma espécie de “levantamento” e “mapeamento”, o suspeito gravava os estupros nos próprios celulares das vítimas, roubados na sequência.

Portanto, foi a partir dessas imagens, recuperadas após trabalho de inteligência da polícia, que Francisco foi localizado, na casa em que morava com a família.

“Ele filmava as vítimas antes, ele filmava os estupros. Era uma pessoa que agia de forma premeditada, fria e calculista”, ressalta.

O delegado destaca, ainda, a frieza do suspeito durante o estupro. Ele fazia questão de perguntar às vítimas as idades durante o ato. Em um dos vídeos, é possível ouvi-lo. “Quantos anos você tem?”. A vítima, assustada, responde: 68.

Gravações de monitoramento e dos estupros foram encontradas no celular que estava com o suspeito e havia sido roubado de uma das vítimas – Foto: Adrieli Evarini/NDGravações de monitoramento e dos estupros foram encontradas no celular que estava com o suspeito e havia sido roubado de uma das vítimas – Foto: Adrieli Evarini/ND

Provas reunidas

Preso, Francisco se negou a falar com a polícia, mas o delegado destaca o grande volume de provas reunido pela equipe.

“Reunimos muitas provas com a certeza de quem prendemos”, salienta.

Além disso, depois da prisão, uma autorização judicial permitiu o acesso a todos os arquivos do celular que estava na casa. Nas imagens, vídeos de estupros e de monitoramento de possíveis vítimas.

O delegado Eduardo Ferraz ressalta a importância de identificar outras mulheres que possam ter sido vítimas de Francisco.

“É importante frisar que existe a possibilidade real de existir mais vítimas. Só o fato de ser estupro de senhoras idosas já é algo bem característico e que pode ajudá-las a identifica-lo”, fala.

Só no inquérito de Barra Velha, as penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão.

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