Estupro em escola de SC: orientadora conta o que viu e pede justiça

Educadora que presenciou os abusos cometidos por um professor em uma escola de Santa Catarina conta o que presenciou e fala das tentativas de denúncia à Secretaria Municipal de Educação

Após as denúncias de estupro e bullying praticados por um professor de 33 anos contra alunos de uma escola de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi a vez da orientadora educacional da escola contar o que viu.

Ela foi contratada em 2019 em caráter temporário. Como é psicopedagoga, especialista em educação especial e psicóloga educacional, ela era, inclusive, responsável por dar formação aos professores da escola.

papel amassadoAbusos foram denunciados à direção da escola e à Secretaria de Educação de Itapoá – Foto: Pikrepo/Divulgação/ND

Mas em pouco tempo  na escola, começou a perceber “muita coisa errada”, como, por exemplo, a falta de rotina para os alunos, conteúdos pedagógicos que deixavam a desejar assim como a formação dos professor.

Entretanto, o pior estava por vir: ele começou a perceber que o professor da escola se trancava na sala com as alunas. “Vivia às portas fechadas.”

Além disso, levava as alunas para a casa dele no horário do almoço e ao final da aula também. Às vezes, segundo a orientadora, levava as meninas de carro para lanchar e passear, pagava lanche, almoço para elas.

“Eu ficava pensando: qual seria o interesse dele?”, continua a educadora. Segundo ela, o grupo de teatro que o professor comandava fazia viagens para apresentações e todos dormiam juntos.

Inclusive, um dos pais contou que a filha foi estuprada mais de uma vez por este professor. A menina tinha de 12 para 13 anos e, segundo ele, os abusos ocorreram em 2019.

“O professor tinha alguns projetos, como esse teatro, como pretexto, e, por isso, ficava com as alunas até mais tarde. A partir daí, minha filha começou a ser estuprada. Tenho laudos do IML comprovando o estupro. O laudo está com a delegada”, contou um pai desesperado.

Outras alunas também teriam sido estupradas por esse professor, mas a Polícia Civil está investigando o caso.

Ela também conta que presenciou várias vezes o professor humilhar um aluno que tem dislexia e transtorno opositor desafiador. “O professor chamava o menino de burro na frente de todos os outros alunos. Ele discriminava e excluía muito esse menino”, relembra.

Vendo tudo isso, a orientadora se indignou e foi denunciar o caso à Secretaria de Educação de Itapoá.

“Fui falar o que estava acontecendo. Eu percebi que as meninas estavam ficando retraídas e nervosas. O comportamento delas havia mudado, estava estranho. Eu chamava as meninas para conversar como orientadora, mas o professor e a diretora da época diziam que não era para eu me envolver nisso”, desabafa a educadora. 

“Queriam me calar”

“Eles me assediavam moralmente”, continua ela e  “na Secretaria Municipal de Educação, mesma coisa: queriam me calar, falaram que era para eu voltar para minha cidade grande e diziam que na cidade pequena era assim que as coisas funcionavam.”

Indignada, a orientadora passou a pedir que fizessem atas toda a vez que ela fosse relatar os casos de abusos que via na escola municipal. “Mas elas não escreviam tudo, tentavam me coagir”, conta.

Lembra, ainda, do que ouvia do professor e da diretora da escola quando tentava apontar as falhas: “Se não está aguentando, então saí”

Resultado: a orientadora adoeceu, saiu da escola e até hoje precisa usar remédio até para dormir.

“Fiquei doente. Foi muito assédio moral. Tive de procurar um psiquiatra. Me afastei totalmente da educação. Essa história me abalou muito.”

A orientadora ficou menos de quatro meses na escola e saiu no início de dezembro.  Mas de uma coisa tem alívio: “a verdade veio à tona, o professor foi preso. Tudo o que eu fiz foi pelas crianças, lutei pelo direito delas.”

Agora, a orientadora pedagógica espera que a Secretaria de Educação de Itapoá seja também responsabilizada por ser conivente com os abusos que ocorreram na escola.

“Fui xingada e humilhada na Secretaria de Educação por cobrar que a lei fosse cumprida. Também pedi que fossem contratados professores especialistas, mas, para economizar, a Prefeitura não contratou.”

Contraponto

A Prefeitura de Itapoá foi procurada pela reportagem e encaminhou uma nota oficial. Veja abaixo na íntegra:

“Em 2019, quando a Secretaria de Educação tomou conhecimento das acusações contra o professor, imediatamente adotou as medidas cabíveis e abriu um Processo de Sindicância Investigatória para averiguar os fatos. Durante o processo, foram ouvidas todas as testemunhas arroladas. Mesmo sem qualquer indício contra o profissional, diante da gravidade da acusação, a Comissão do Processo de Sindicância Investigatória decidiu que o caso não fosse arquivado, remetendo-o a Procuradoria-geral do Município que, por sua vez, encaminhou o processo ao Ministério Público para que este desse prosseguimento à investigação.

A Prefeitura de Itapoá reitera que tomou todas as medidas que lhe cabiam e, esgotada a sua possibilidade de atuação no caso, entregou o processo às autoridades competentes para que as investigações fossem prosseguidas.”

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