“Eu não me sinto traído”, desabafa secretário de Segurança Pública de Santa Catarina

César Grubba está certo de que tem agido com transparência de acordo com os princípios da moralidade e da ética

Rosane Lima/ND

A intenção era que os veículos que efetivamente pudessem ser objetos de compra fossem leiloados

A cada dia, um novo capítulo. E a crise que se instalou na Segurança Pública parece mais longe do fim. Em meio ao tiroteio entre os próprios membros do órgão, o secretário César Augusto Grubba demonstra tranquilidade e frieza nas decisões. Com a cordialidade herdada nos 25 anos de atuação como promotor de Justiça, Grubba recebeu a reportagem do Notícias do Dia em seu gabinete para tratar dos pontos principais deste que é o maior escândalo na Segurança desde o início da sua gestão. Nesta segunda-feira, o secretário e seu adjunto depõem no inquérito dos ferrosos.

Represália.

O inquérito dos ferrosos foi instaurado em dezembro. Mas não digo que ele veio a tona como forma de represália a alguma decisão minha. Eu não faço essa leitura da situação.

Responsabilidade.

A irregularidade ocorreu na execução do contrato, quando foram colocados em uma carreta motores que não estavam relacionados em materiais ferrosos que poderiam ser carregados. É preciso apurar a responsabilidade de quem fez isso ou quem permitiu fazer isso.

Deic

É uma diretoria como as outras. Tenho maior respeito pelo delegado Renato Hendges, ele está fazendo o papel dele como presidente da associação dos delegados. Claro que ele às vezes tem algumas colocações dele que causam certo mal estar. A insatisfação, hoje, na Polícia Civil se restringe a Deic. É só você ver, não há manifestação de delegados de outros lugares, de outras comarcas.

Chantagem.

Não me passa pela cabeça isso. Eu não acredito que os delegados da Deic usariam de chantagem para qualquer outra finalidade. Não me passa pela cabeça.

O Adjunto

Tem que saber quais foram as ações e providencias tomadas pelo coronel Fernando ao receber esse email de Jorge sobre irregularidades [de desvio de peças]. Até o presente momento não tenho nenhuma prova de irregularidade praticada pelo coronel Fernando. Quando assumi, ele já estava na secretaria e tinha todo o conhecimento da máquina pública, razão pela qual eu o mantive.

Traição.

Não me sinto traído. Estou tranquilo, tudo que eu faço é com transparência de acordo com os princípios da moralidade, ética e supremacia do interesse público sobre o privado. Chateia é que o tempo todo tem que dar explicações.

Frustração.

Uma coisa é olhar a Secretaria de Segurança de fora, como promotor. É uma grande máquina, são 18 mil servidores com os mais diversos interesses. Uma máquina complicada, extremamente burocrática e as coisas demoram muito para acontecer.

Lição.

Talvez a única lição que eu tiro disso tudo é de continuar agindo da mesma forma que eu agi até o presente momento. Fazendo uma análise, dependendo da situação, talvez na forma do encaminhamento das coisas.

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