Falha em fechamento de porta iniciou rebelião em penitenciária de Criciúma

Informação foi divulgada pelo secretário de Estado de Administração Prisional e Socioeducativa, Leandro Lima, em coletiva no fim da tarde desta sexta-feira (14)

Uma falha na abertura e fechamento de uma porta na galeria H da Penitenciária Sul na cidade de Criciúma, deu início a rebelião de dez detentos no local. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado de Administração Prisional e Socioeducativa, Leandro Lima, em coletiva no fim da tarde desta sexta-feira (14).

Coletiva aconteceu no fim da tarde desta sexta-feira – Foto: SAP/DivulgaçãoColetiva aconteceu no fim da tarde desta sexta-feira – Foto: SAP/Divulgação

“Houve uma falha de procedimento na abertura e fechamento de uma porta que resultou numa ação em cadeia e esta reação acabou gerando uma oportunidade para que alguns apenados vissem o cenário e tentassem fugir, algo nesse sentido”, explica Lima.

Ainda segundo o secretário, a ação imediata dos policiais evitou que o problema fosse ainda maior. Dois agentes foram feridos na ação e outros dois foram feitos reféns após um dos apenados conseguir pegar uma arma do agente, uma espingarda calibre 12.

“Poderia ter havido consequências mais graves se não fosse a ação profissional e integrada das forças policiais que procederam com a intervenção necessária”, completa Lima.

Negociações

O comandante da 6ª Região da PM (Polícia Militar), coronel Evandro Fraga, explicou como aconteceram as negociações e os protocolos para acabar com a rebelião.

“De imediato acionamos o comando especializado. As equipes fizeram o deslocamento e solicitamos apoio da região de Tubarão e de Araranguá e Içara. Não permitiríamos nenhum disparo de arma de fogo, assim como aconteceu.  A postura de todos os envolvidos, inclusive dos agentes penais, precisa ser enaltecida, eles reagiram já num primeiro momento e evitaram que algo pior acontecesse”, explicou.

Segundo o subcomandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais), major Lucius Carvalho, a polícia conseguiu estabelecer um elo de confiança com os presos para dar fim as negociações.

Foram aproximadamente quatro horas de negociações com os apenados. “Conseguimos concluir essa rendição pacífica, principalmente a partir do momento dos advogados dos representantes apresentado a parte referente aos direitos humanos”, pontua.

Veja trechos da coletiva:

Detentos não tinham uma “pauta”

Ainda segundo Fraga, os detentos não tinha uma pauta específica de reinvindicação e a ação não teria sido algo planejado previamente.

O coronel explica que os pedidos eram desencontrados, não sendo uma ação coletiva, mas sim individual. Um dos detentos, por exemplo, pediu transferência para São Pedro de Alcântara, além da presença de visitas.

Os apenados tiveram inclusive acesso a um celular, que segundo os órgãos de segurança do Estado, foi tomado de um dos agentes durante a rebelião.

Possíveis reinvindicações

Em entrevista à reportagem da NDTV, um dos advogados representantes dos apenados, Leonardo Mallmann, afirmou que os detentos relataram dificuldades na alimentação e reclamaram sobre não receberem visitar.

“Temos uma pandemia, é normal ser tomado alguma atitude. Mas é necessário que se faça algo, com algum regramaento, alguma medida alternativa para isso. Hoje eles têm acesso a uma vídeo-chamada de menos de vinte minutos apenas”, relatou.

Veja o depoimento:

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