Homem levado por policiais em Laguna segue desaparecido e família espera respostas

Após quase 7 meses do desaparecimento de Diego Bastos Scott, 39 anos, família continua aguardando respostas sobre o caso, que ainda é investigado pela polícia; relembre o caso

A família de Diego Bastos Scott, 39 anos, desaparecido desde o dia 15 de janeiro deste ano, após entrar em uma viatura da PM (Polícia Militar) em Laguna, espera há quase sete meses por respostas. Os policiais que levaram Diego confessaram ter deixado o homem na região do loteamento Laguna Internacional. Buscas com helicópteros e cães farejadores foram feitas pela polícia, além de buscas realizadas por amigos e familiares, mas o homem não foi encontrado.

Diego Scott não é visto desde o dia 15 de janeiro, após detenção policial – Foto: Reprodução/FacebookDiego Scott não é visto desde o dia 15 de janeiro, após detenção policial – Foto: Reprodução/Facebook

Diego vivia com a família em Laguna, onde nasceu e cresceu ao lado dos irmãos. “Sempre foi um guri gente boa. Só que ele começou a jogar bola, começou a entrar nas drogas, problemas de bebida”, lembrou o pai da vítima, Edson Scotti.

Segundo os familiares, às vezes ele chegava alterado e eles chamavam a polícia para ajudar a controlá-lo: “Acontecia que ele chegava assim meio alterado, que ele não dormia bem, ficava dois dias na rua. Ele chegava em casa, a gente já via que ele vinha falando demais. Que nem nesse dia [que ele desapareceu]”, contou Edson.

“O Diego não era uma pessoa maldosa. Ele respeitava a polícia. Quando a polícia abordava ele, ele respeitava. Por isso que a gente chamava, porque daí ele abaixava a bola”, resaltou a mulher de Diego, Alexandra Joaquim.

No dia do desaparecimento, Diego saiu pela manhã e foi até um posto de gasolina próximo de casa, onde começou a ingerir bebidas alcoólicas. Ele foi visto pelo pai, que foi até o mesmo posto comprar cigarro. Mais tarde, Diego voltou para casa reclamando que a família estava indo atrás dele. Foi quando Edson fez a primeira ligação para a polícia.

“Eles foram no posto, abordaram o Diego, falaram para ele não vir incomodar e ele ficou lá”, contou Alexandra. Depois da abordagem, Diego resolveu voltar para casa, o que levou a família a chamar a polícia mais uma vez.

“O Diego tava totalmente bêbado. Aí, um dos policiais ainda falou ‘pede para ele sair, que eu quero falar com ele’. Ele não conseguia nem raciocinar. Aí, eu fui, botei a roupa nele. Ele saiu. Os policiais falaram para ele não incomodar. Aí, ele pegou um cigarro e um isqueiro e saiu e ficou aqui na frente andando para um lado e para o outro”, falou Alexandra.

Cerca de 20 minutos mais tarde, a mesma viatura teria voltado e buzinado. A mulher de Diego disse que atendeu os policiais, que falaram que naquele dia ele não incomodaria mais.

Câmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVCâmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Com o desaparecimento e imagens de uma câmera de segurança que registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais, a família procurou um advogado, que está cuidando do caso.

“Eles abriram uma sindicância militar para apurar os fatos. Assim que tiveram a constatação de que de fato houve algum crime por parte dos policiais, eles encerraram a sindicância e abriram um inquérito policial militar. esse inquérito policial militar ainda tá em andamento, mas já teve uma primeira conclusão que levou ao indiciamento dos dois policiais militares por dois crimes: falsidade ideológica e prevaricação”, relatou o advogado Breno Schiefler Bento.

Segundo o advogado, o inquérito policial militar continua em andamento para averiguar a prática de algum crime mais grave contra Diego.

Na época, o sub-comandante do 28º BPM de Laguna, Josias Machado Severino, garantiu agilidade nas investigações: “É importante destacar que a PM está atenta e é intransigente com qualquer situação de transgressão da lei, seja pelo público civil, seja internamente pelos policiais. Nesse sentido, a apuração vai se dar de forma rápida, de forma isenta e da forma mais correta possível para trazer luz aos fatos que estão sendo apurados”.

Agora, procurados pela reportagem do Cidade Alerta, a PM e o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) informaram que não vão se pronunciar durante o andamento das investigações. Enquanto isso, a família aguarda uma resposta.

Inicialmente, os dois policiais que levaram Diego foram afastados das atividades, mas já retornaram ao trabalho. O advogado da família segue acompanhando o caso. “A gente sabe que tá aguardando o depoimento de um policial militar no Rio de Janeiro e tá aguardando apresentar um laudo pericial, que faltou, do tablet da viatura, que ainda não foi feito também”, afirmou Bento.

“A gente desacreditou que ele tá desaparecido. Ele tá é morto. Mas onde? E é aquele negócio, se não tiver corpo não tem assassinato”, lamentou o pai de Diego.

Confira mais informações sobre o caso na reportagem do Cidade Alerta.

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Cidade Alerta SC

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