Inquérito sobre desaparecimento de Diego, em Laguna, é concluído

A Polícia Civil concluiu seu inquérito e resolver não indiciar os militares que abordaram Diego Scott, desaparecido desde 15 de janeiro; Ministério Público concorda

Nesta segunda-feira (8), a Polícia Civil de Santa Catarina informou que concluiu o inquérito em torno do desaparecimento de Diego Scott. Ele não volta para casa desde 15 de janeiro de 2021, após uma abordagem policial, em sua casa, em Laguna, Sul do Estado.

A Polícia Civil optou pelo não indiciamento dos policiais militares suspeitos pelo “sumiço” de Diego, sob alegação de falta de provas.

policiais não serão indiciados pelo desaparecimento de Diego ScottDiego Scott não é visto desde o dia 15 de janeiro, após abordagem policial – Foto: Reprodução/Facebook

A instituição se manifestou, em nota, no final da tarde desta segunda, informando que sua apuração, documento com mais de 600 páginas, foi encaminhada à Justiça Militar Estadual e ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

A Polícia Civil também informou que, havendo novas informações, ou denúncias sobre o caso, empreenderá novas diligências para verificar a procedência e veracidade da informação.

MPSC apoia o não indiciamento dos policiais

O MPSC, por meio da promotora de Justiça Raíza Alves Rezende, concordou com o não indiciamento dos policiais que abordaram Diego. Foi a promotoria que repassou a informação de que a Polícia Civil não encontrou provas.

A promotora também se manifestou pelo arquivamento da investigação na justiça comum. Por outro lado, Rezende disse que se novas provas surgirem, o caso pode ser reaberto, ou seja, a mesma linha da Polícia Civil.

Na Justiça Militar havia outro inquérito sobre o caso. Entretanto, ele também foi encerrado. Enquanto o inquérito da Polícia Civil apurava o crime comum, do código penal, o inquérito militar apurava possíveis crimes previstos no código penal militar.

Prática de crime e transgressão disciplinar

A PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina) informou que o IPM (Inquérito Policial Militar) também foi encerrado e encaminhado para a Vara de Direito Militar da Capital.

Na conclusão do inquérito, a PMSC disse que há indícios de prática de crime e transgressão disciplinar por parte dos dois policiais militares na ocorrência.

O Ministério Público informou que o inquérito foi recebido pela 5ª Promotoria de Justiça da Capital e está sob análise.

Relembre o caso

Após uma briga familiar, a polícia foi chamada para resolver a situação. Eles chegaram por volta das 17h, levaram Diego na viatura e este nunca mais foi visto pela família.

Diego Scott, desaparecido há mais de um mês em Laguna, com o filho Miguel e a mãe, D. Maria – Foto: Arquivo Pessoal/NDDiego Scott, desaparecido há mais de um mês em Laguna, com o filho Miguel e a mãe, D. Maria – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Os dois policiais que abordaram Diego foram afastados das funções operacionais e presos, de forma preventiva, em 15 de fevereiro, a pedido da própria Polícia Militar.

Quase dois meses após o desaparecimento do marido, Alexsandra Joaquim não tem mais esperança de encontrá-lo vivo. Ela disse que os pais de Diego e seu filho, de oito anos, sentem muita falta dele. O pai de Diego sente culpa por ter chamado os policiais.

Sobre o não indiciamento dos policiais, Alexsandra diz que sente indignação e que toda família está sofrendo muito: “estou me sentindo a pior pessoa do mundo, injustiçada, sem saber o que falar para o meu filho”, disse.

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