Joinville tem o menor número de homicídios em 5 anos

Maior cidade de Santa Catarina fecha o ano com 65 homicídios, 47% a menos do que cinco anos atrás

Desde 2016, quando a Delegacia de Homicídios foi criada, o número de homicídios em Joinville, no Norte de Santa Catarina vem diminuindo gradativamente – exceto em 2017, quando houve acréscimo – e, em 2020, a cidade termina o ano com um recorde positivo: o menor número de assassinatos em cinco anos.

Delegacia de Homicídios foi instituída em 2016 em Joinville – Foto: Adrieli Evarini/NDDelegacia de Homicídios foi instituída em 2016 em Joinville – Foto: Adrieli Evarini/ND

Dos 122 registrados em 2016, o número caiu quase pela metade. Com 47% de redução, a maior cidade do Estado fecha o ano com 65 homicídios. Em Santa Catarina, até o dia 28 de dezembro, foram 681 homicídios.

O perfil das vítimas, no entanto, continua sendo o mesmo, explica o delegado Dirceu Silveira Júnior. Neste ano, 91% das vítimas eram homens, percentual ainda maior do que no ano passado, quando 83% eram do sexo masculino. “O perfil é de jovens, em uma faixa etária que, em maioria, não ultrapassa os 20 anos”, fala. A arma de fogo continua sendo utilizada como principal meio para cometer os homicídios. Segundo o delegado, 90% das vítimas são atingidas por disparos.

Para o delegado, a estabilização de alguns ambientes que registravam números elevados de crimes contra a vida é fator determinante para a queda nas estatísticas e, essa ação só foi possível depois de entender a dinâmica dos homicídios e de como atuavam as organizações responsáveis pela maioria desses homicídios. “Levamos alguns reveses até entendermos alguns mecanismos, conseguir mapear ambientes, saber exatamente quem eram as lideranças e as dinâmicas das facções. Quando entendemos isso, os esforços foram concentrados não apenas no indivíduo que executava, mas nas lideranças”, explica.

Os números comprovam que a eficiência da Delegacia de Homicídios continua crescendo. No ano de instalação (que aconteceu  em maio), foram 122 homicídios, número que aumentou no ano seguinte, quando 128 pessoas foram assassinadas. De lá para cá, queda nos índices ano após ano.

Além de identificar a dinâmica e as particularidades dos crimes, o delegado destaca, ainda, a criação da Vara do Tribunal do Júri, que deu celeridade aos julgamentos.  “Nós lidamos com isso no dia a dia e esse retorno, com a celeridade e as condenações altas, além da atuação do Ministério Público refletem. Temos, ainda, a atuação de outras delegacias na prevenção. É uma soma de fatores e de ações”, salienta.

Disputa pelo tráfico de drogas motiva 90% dos crimes

A disputa das organizações criminosas pelo tráfico de drogas continua sendo a tônica principal dos crimes na cidade, aponta Dirceu. Segundo o delegado, desde a instalação da delegacia, o percentual de crimes motivados por desavenças movidas pelo tráfico de drogas entre grupos rivais passa de 90%.

“Os números são importantes para que tenhamos as realidades, o mapeamento de ambientes e possamos entender o que está acontecendo. Hoje, nós temos isso bem posicionado, mas pode existir uma desestabilização justamente em decorrência dessas desavenças. A prevenção de um crime contra a vida é muito difícil em razão disso. A partir do momento que eles decidem ceifar a vida de alguém, fazem de tudo e aí vem a troca do outro lado”, fala.

O delegado chama a atenção, ainda, para a “banalidade da vida”. “O que compreendemos nesse ambiente todo é o discernimento dessas pessoas para a banalidade da vida. A vida passou a valer absolutamente nada. Por motivos mais fúteis, mais absurdos, alguém morre. Por ser amigo do fulano, por estar em um ambiente, por andar com ciclano”, diz.

Para Dirceu, a dinâmica não tem se alterado ao longo dos anos, embora execuções brutais, como decapitações, deixaram de acontecer. “Não tivemos uma grande tragédia como tínhamos anos atrás, execuções brutais, decapitações. Não é normal, pessoas estão sendo mortas, mas neste ano, as mortes aconteceram dentro dessas disputas mesmo. As execuções continuam sendo brutais, mas não tivemos muitos casos que fogem dessa realidade. Não tem nenhuma novidade, o que eles estão fazendo é a mesma coisa de sempre, a motivação maior é a questão do tráfico de drogas, que continua dominando as ações deles”, avalia.

Os bairros com presença das lideranças das organizações criminosas continuam “liderando” as estatísticas de homicídios na cidade, apesar da estabilização em locais que eram considerados os mais violentos da cidade.

Para 2021, salienta Dirceu, a projeção é fazer com que o número diminua novamente e, para isso, as ações da Delegacia de Homicídio devem ser intensificadas. “A nossa projeção é intensificar o que estamos fazendo, redobrar as atenções nos ambientes. As estratégias que a delegacia está aplicando estão tendo resultado positivo. O que pretendemos é fazer com que essas diminuições aconteçam ano a ano, é difícil, contamos com vários fatores, mas com os aprendizados da implantação da delegacia e dos ajustes nestes anos, temos visto resultados positivos, principalmente nos ambientes mais críticos”, finaliza.

Neste ano, de acordo com os dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública), Joinville teve três feminicídios (incluídos nos números totais de homicídios) e não registrou latrocínios.

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