Manifestantes contra agressão policial em Lages são multados

Eles fizeram buzinaço após três universitárias serem agredidas pela Polícia Militar; evento não tinha autorização da Diretran e multa foi de R$ 3 mil

A Polícia Militar de Lages emitiu duas multas, que somam  R$ 3.023,06, para cerca de 165 manifestantes que participaram de um buzinaço em frente ao 6 º Batalhão da PM no dia 4 de agosto.

A manifestação ocorreu em repúdio à violência policial sofrida por três universitárias na cidade no dia anterior. Com a justificativa de perturbação de sossego, um policial de folga acompanhado da esposa teria invadido a casa das estudantes e agrediu as jovens com um cassetete.

A primeira multa, no valor de R$ 2.934,68, tinha como justificativa a ausência de autorização oficial para a realização do evento. Já a segunda, no valor de R$ 88,38, foi aplicada por “usar buzina prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto”, informa a Diretran (Diretoria de Trânsito de Lages).

De acordo com Newton Silveira Júnior, executivo da Diretran, o buzinaço não tinha permissão do órgão para ser realizado. Uma organizadora do evento procurou a Diretran na manhã do dia em que ocorreu protesto pedindo para o órgão permissão para realizar a manifestação – mas o pedido foi negado.

“Eu disse que o evento não poderia ser feito por causa da Covid-19, e pedi que ela consultasse o comitê de crise primeiro. Caso o comitê permitisse, ela teria que retornar à Diretran e enviar solicitação com data, horário de saída e motivo da carreata, o que não ocorreu”, detalha Newton.

Horas antes do buzinaço, Newton recebeu uma ligação dos organizadores, que perguntaram se o órgão acompanharia a manifestação, mas o órgão se negou.

Às 19h30, o Corpo de Bombeiros pediu que a Diretran interviesse, pois os carros passavam em frente ao hospital infantil e à UPA (Unidade de Pronto Atendimento). “Eles iam em frente ao 6º BPM e, no retorno, passavam em frente à UPA”, detalha Newton. A intervenção deu fim ao buzinaço.

Em nota, o 6º BPM informou que não concorda com as ações do policial que agrediu as estudantes mas que, em relação às multas “o policial militar é obrigado – quando flagra situação tipificada em lei – a tomar a providência legal, do contrário incidirá em crime de prevaricação”. A corporação ainda informou que as multas são passíveis de recurso.

Relembre o caso

Os manifestantes repudiavam a ação de um policial militar de licença que, junto com a esposa, invadiu no dia 3 de agosto um apartamento em Lages. No local estavam cinco mulheres – quatro moradoras e uma amiga. Três delas foram agredidas.

De acordo com as estudantes, as jovens comemoravam a apresentação de um trabalho de faculdade, quando a briga teria iniciado por conta do barulho. Através de vídeos, é possível ver que as agressões começam após o PM afirmar que queria as imagens feitas por uma das jovens.

A Polícia Militar emitiu um termo circunstanciado no dia da agressão e uma audiência deverá ser realizada entre as partes. Um inquérito conduzido pela delegada Luciana Rodermel da Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso), apura ameaças posteriores sofridas pelas jovens, através das redes sociais.

A investigação corre em sigilo. Rodermel não detalhou o teor das ameaças, mas afirmou que ainda não foi confirmado se o autor das ameaças foi o policial.

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