Marido de mulher desaparecida, em Agronômica, será julgado por feminicídio

Entenda a dinâmica do crime conforme a denúncia do Ministério Público, que foi aceita pelo Judiciário

Isonir Venturi teve a prisão temporária convertida em preventiva pelo juízo da comarca de Rio do Sul, que também aceitou a denúncia do Ministério Público para julgá-lo pelo crime de feminicídio. Ele é o principal suspeito no caso do desaparecimento da esposa Vanisse Helena Venturi, que foi vista pela última vez em julho de 2020, na cidade de Agronômica, no Alto Vale do Itajaí.

Segundo a investigação da Polícia Civil, uma separação litigiosa foi a motivação para o assassinato. O acusado está preso desde junho de 2021.

Segundo a investigação, Vanisse teria sido morta em um galpão – Foto: Reprodução/Facebook/NDSegundo a investigação, Vanisse teria sido morta em um galpão – Foto: Reprodução/Facebook/ND

O marido da vítima foi denunciado por homicídio duplamente qualificado – pelo motivo torpe e pelo feminicídio. Ele e o irmão foram acusados também por ocultação de cadáver. Também foram deferidas outras medidas solicitadas pelo Ministério Público, como a quebra do sigilo telemático, bancário e fiscal do suposto autor do homicídio e medidas a fim de assegurar uma possível indenização dos filhos em R$ 5 milhões pela perda da mãe.

“Mesmo sem a localização do corpo, depois de uma exaustiva investigação, há fortes indícios de que a vítima teve sua vida ceifada no conforto de seu lar pelo seu marido, ressaltando-se que ele apresentou versões destoantes dos fartos elementos probatórios colhidos na fase administrativa”, completa o Promotor de Justiça Felipe de Oliveira Neiva.

De acordo com a denúncia, o suposto crime foi praticado diante da iminência de um divórcio litigioso, no qual a esposa iria exigir metade dos bens do casal. Foi a partir da mensagem recebida da advogada da vítima, no final da tarde do dia 22 de julho de 2020, que o homem teria matado a esposa. A vítima continua desaparecida.

Segundo as investigações, a última vez que a mulher foi vista com vida foi quando o filho de um vizinho os observou dirigindo-se a um galpão ao lado da residência da família, por volta das 18h, pouco depois da mensagem da advogada. A mesma pessoa, no entanto, viu só o homem sair do local, cerca de 30 minutos depois. Já o tênis que a mulher teria usado quando se dirigiu ao galpão foi encontrado mais tarde na casa da família.

Em seguida, o acusado teria recebido a visita do cunhado, irmão da vítima, por volta das 19h20, a quem informou que a esposa não estava em casa. Depois, diferente da rotina da casa, teria preparado o jantar para os filhos, informando que a mãe estaria no quarto, o qual chaveou por fora, com dor de cabeça.

Perto das 22h, sem saber que era observado pelo filho mais novo, de 12 anos, o homem pegou uma lanterna e saiu da casa. Em seguida, foi visto por um vizinho entrando novamente no galpão. O objetivo, de acordo com a denúncia do Ministério Público, seria preparar o corpo e deixa-lo acessível ao irmão, que se encarregaria de ocultá-lo na madrugada.

Somente em 24 de julho de 2020, por volta das 8h, o marido achou por bem noticiar à Polícia Civil o “desaparecimento” de sua esposa. Importante destacar que tanto o marido da vítima quanto seu irmão apagaram dos celulares todas as mensagens que trocaram após o suposto crime, segundo a denúncia.

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