Médico detalha tratamento de autor de chacina em creche de SC

Após 8 dias de internação, ele recebeu alta hospitalar na manhã desta quarta-feira (12) e foi encaminhado ao presídio regional de Chapecó

Após a alta hospitalar do jovem, de 18 anos, autor do ataque a escola infantil Pró-Infância Aquarela, em Saudades, no Oeste catarinense, o médico Jonathan Caon de Souza, cirurgião geral responsável pelo atendimento, falou ao Balanço Geral sobre o período de internação no HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó.

Médico Jonathan Caon de Souza atendeu o paciente durante os dias de internação. – Foto: Reprodução/NDTV ChapecóMédico Jonathan Caon de Souza atendeu o paciente durante os dias de internação. – Foto: Reprodução/NDTV Chapecó

O jovem deu entrada no HRO com graves ferimentos, na tarde da última terça-feira (4), após atacar a creche e matar brutalmente cinco pessoas, entre elas três crianças com menos de dois anos. Depois de cometer o crime, ele desferiu golpes de espada contra si.

Segundo o cirurgião, ele chegou ao hospital sedado e com intubação orotraqueal. Passou pelo atendimento pré-hospitalar e foi imediatamente transferido para o centro cirúrgico apresentando risco de vida iminente.

O médico explicou que entre os cortes que o jovem tinha pelo corpo, uma lesão na artéria femoral, localizada na perna esquerda, poderia ter o levado a morte. “A lesão estava em sangramento ativo e tivemos que controlar”, disse.

Perfuração abdominal

Após estabilização, ele passou por cirurgia abdominal em decorrência de  perfuração no intestino e regiões próximas. “Na parte torácica chegou com uma lesão cervical muito extensa nos dois lados do pescoço. Ele apresentava o que se chama de enfisema subcutâneo, como se fosse um escape de ar. Não tinha como saber se vinha da parte pulmonar ou do pescoço que estava aberto e com uma lesão na traqueia”, explicou o médico.

Autor da chacina recebeu alta hospital nesta quarta-feira (12) – Foto: Felipe Kreush/NDTVAutor da chacina recebeu alta hospital nesta quarta-feira (12) – Foto: Felipe Kreush/NDTV

Ele passou por traqueostomia e, conforme o cirurgião, as próximas horas ocorreram de forma saudável. Depois da cirurgia foi levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) onde permaneceu sedado cerca de quatro dias.

O cirurgião relatou que a partir do momento que o jovem saiu da sedação,  a relação com o paciente “foi estritamente profissional”.  Ele afirmou que não houve qualquer indagação da equipe médica com relação ao ataque.

“Ele estava sob custódia do Estado,  mas a princípio não teve interação de demonstrar algum sentimento. As perguntas eram objetivas. A gente que é da ala cirúrgica é ainda mais objetivo. O foco era ver os sinais e sintomas dele clinicamente, a parte pós-operatória. Como ele evoluiu muito bem não teve nada nesse sentido”, salientou.

Encaminhado ao presídio de Chapecó

O jovem deixou o hospital por volta das 7h30 desta quarta-feira (12). Ele esteve escoltado durante todo o período em que ficou hospitalizado. O jovem, que já estava com o uniforme penitenciário de cor laranja, foi encaminhado direto para o presídio de Chapecó. O boletim médico do HRO consta que a alta hospitalar aconteceu às 6h30.

Algemado, ele desceu até a sede administrativa do hospital em uma cadeira de rodas. Ele não esboçou nenhuma reação ao entrar em uma viatura do Deap (Departamento de Administração Prisional), que aguardava ao lado de fora do HRO.

A imprensa, que estava em frente ao hospital, questionou o jovem do motivo de ter atacado a creche e matado as crianças e as educadoras, ele não respondeu e também não baixou a cabeça.

A chegada ao presídio de Chapecó ocorreu às 7h59. Além da van em que o autor da chacina estava, outras duas viaturas caracterizadas escoltavam durante o trajeto do hospital até a penitenciária.

Interrogatório

O autor da chacina foi interrogado na última terça-feira (10) pelo delegado Ricardo Casagrande. O interrogatório durou cerca de uma hora. O jovem prestou as declarações de forma espontânea, dispensando a presença de um advogado. O conteúdo do depoimento, no entanto, só será revelado pela polícia após a conclusão do inquérito.

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