Médico suspeito de estupro em Joinville já era investigado pelo mesmo crime

Além disso, vários processos administrativos disciplinares foram abertos na prefeitura para apurar condutas inadequadas

O médico indiciado por estupro e preso na manhã desta sexta-feira (1º), em Joinville, no Norte de Santa Catarina, já responde a outro processo pela mesma acusação e, além disso, foi alvo de diversos processos administrativos disciplinares durante a atuação na rede pública.

Médico foi preso na manhã desta sexta-feira (1º), em Joinville – Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoMédico foi preso na manhã desta sexta-feira (1º), em Joinville – Foto: Polícia Civil/Divulgação

O clínico geral com especialização em Psiquiatria tem 65 anos, nasceu na Bahia, fez carreira militar e atuava como clínico geral desde 2015, sempre admitido por meio de contratos temporários que acabavam prorrogados. Ele foi preso após a denúncia de uma vítima, que foi estuprada na unidade de saúde do bairro Iririú.

Ao ND+, ela contou que procurou o posto pois estava com crises ansiosas e depressivas e não conseguiu contato com o profissional que a atendia sempre. Após entrar no consultório, o médico disse: “o que você está precisando é de alguém que cuide de você e eu vou cuidar de você”.

A partir daí, se seguiram as cenas que a vítima ainda tenta superar. Ela conta que ele tirou a máscara dela e “fez tudo que quis comigo, você pode imaginar”. “Eu infelizmente congelei. Eu gritava por dentro, ouvia meu grito, mas não conseguia falar. Ele parou a hora que quis, recolocou a minha máscara e sentou como se nada tivesse acontecido”, relembra.

Embora tenha sido preso após essa denúncia, essa não foi a primeira vez que o médico foi alvo de investigações. Na Bahia, a Polícia Civil concluiu um inquérito policial em que ele é denunciado por estupro de vulnerável, com ação que entrou na Justiça em setembro. O caso corre sob sigilo.

Estupro aconteceu no dia 5 de agosto, na unidade de saúde do bairro Iririú – Foto: Reprodução/Google MapsEstupro aconteceu no dia 5 de agosto, na unidade de saúde do bairro Iririú – Foto: Reprodução/Google Maps

Além disso, durante os vários contratos com a prefeitura de Joinville, seis processos administrativos foram abertos para apurar “supostas condutas inadequadas em atendimento prestado a paciente”. Um deles resultou na exoneração do médico, em agosto deste ano.

Segundo a prefeitura, os processos são de origem sigilosa e não é possível apontar se os outros apuram denúncias semelhantes à que levou a exoneração e à prisão do médico.

O profissional ainda foi convocado para contratação emergencial em setembro, após a exoneração. Apesar disso, a prefeitura informou que tratava-se de uma fase preliminar e que, considerando os antecedentes, o médico não seria contratado. Além disso, a idade dele não permitiria a contratação durante a pandemia.

O homem foi preso no bairro Boa Vista e encaminhado à Penitenciária de Joinville. A Polícia Civil já finalizou as investigações do caso que levou à prisão, mas segue com apurações relacionadas a outros abusos praticados por ele.

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