Morre homem que ateou fogo em casa em Florianópolis

Motorista de ônibus Marlon dos Santos se apaixonou pela colega de trabalho, que era cobradora, mas foi rejeitado; enterro foi nesta terça-feira (23) no Itacorubi

O motorista de ônibus Marlon dos Santos, que ateou fogo na casa de uma família na Cachoeira do Bom Jesus, Norte da Ilha de Santa Catarina, não resistiu aos ferimentos e morreu na segunda-feira (22).

A informação foi confirmada por um primo dele e por um ex-colega de trabalho, que esteve no enterro de Marlon na manhã desta terça-feira (23), no Cemitério do Itacorubi.

Casa de Josiane ficou totalmente destruída pelo fogoCômodo totalmente destruído após incêndio na casa de Josiane, na Cachoeira dom Bom Jesus, na última sexta-feira (19)  – Foto: CBMSC/Divulgação/ND

Abalados com o desfecho da história, os familiares não quiseram falar. O ex-colega de Marlon disse que ele era uma pessoa muito querida e não consegue acreditar no ocorrido.

Segundo fontes da Polícia Civil, familiares da vítima confirmaram a informação da morte à polícia, que está apurando.

Investigações

O delegado Flávio Lima e Silva Júnior, da 6ª DPCAMI da Capital, que cuida do caso, informou que não foi lavrado auto de prisão em flagrante.

“Após tomar ciência realizamos diligências para instruir pedido de cautelares, que estão sendo analisadas pelo Poder Judiciário. Caso tenha falecido, restarão prejudicadas”, disse o delegado.

Marlon trabalhava na empresa Canasvieiras – hoje dentro do Consórcio Fênix, há cerca de 12 anos.

Conforme o amigo de trabalho, em dezembro, Marlon ficou cerca de um mês preso: passou Natal e fim de ano detido, porque Josiane o acusou de tentativa de estupro. A polícia ainda não confirmou essa informação.

Ainda segundo o amigo, Marlon apresentava um quadro depressivo, o que poderia tê-lo levado a cometer o crime contra Josiane e seus familiares.

Ele estava hospitalizado desde sexta-feira (19), após o incêndio, e morreu no hospital. No socorro às vítimas, foi o último a ser retirado da casa e, segundo relatos dos seus conhecidos, inalou muita fumaça.

“Estão me difamando na internet”

Josiane Cecchi está preocupada com os boatos sobre ela na internet. Em quadro de saúde estável, mas com dores e toda enfaixada, ela disse que estão contando mentiras sobre a história.

“Uns falam que ele [Marlon] era meu amante, outros falam que quem fez aquilo foi meu ex-marido, pai da minha filha mais velha. Não tem nada a ver”, lamentou.

Ela disse que foi casada há oito anos com Eduardo, outra vítima do incêndio causado por Marlon, que permanece em estado grave na UTI.

Josiane se separou de Eduardo há mais de um ano, porém, morava na mesma casa com ele e os dois filhos – Olga Valentina e Luiz Antônio, por questões financeiras, além de Vitória, filha do primeiro casamento dela.

“Da nossa vida pessoal, não preciso ficar falando pra ninguém. Algumas amigas minhas sabiam. Eu não saí antes, porque como tenho cinco cachorros, nem todo lugar aceita. Eu tinha achado uma casa e no sábado (20), ia fazer minha mudança”, conta.

Ela disse que conheceu Marlon na empresa Canasvieiras. Depois que ele se divorciou, começou a fazer contato com ela por aplicativo de mensagem.

“Ficamos juntos duas ou três vezes no máximo, quando falei para ele que não queria mais, em novembro de 2020, ele entrou no meu quarto com uma faca, me obrigou a ir para um motel. Lá, tentou se matar, teve relação comigo sem consentimento”, relatou Josiane.

Segundo Josiane, Marlon ficou 47 dias detido e foi solto em janeiro de 2021. Ela tinha uma medida protetiva contra ele, mas disse que o viu caminhando algumas vezes perto do trabalho dela.

“No dia do incêndio, todo mundo estava dormindo em casa. Eduardo dorme na sala, eu no quarto. Escutei ‘bateção’ na porta e quando cheguei, o Eduardo estava em briga corporal com ele [Marlon], tentando colocá-lo para fora, mas ele tinha um galão de gasolina”, relatou.

Ela conta que a filha mais velha, Vitória, de 20 anos, ouviu a gritaria e, quando saiu do quarto, o chão estava molhado de gasolina. Foi quando Marlon pôs fogo na casa. Josiane conta que sentiu o cabelo queimando.

O genro dela, Gabriel, tirou as crianças de casa. Olga Valentina tem quatro anos e Luiz Antônio sete. Eles escaparam pela janela da casa. Todas as crianças estão bem. Vitória e a mãe estão internadas. Eduardo está inconsciente.

Nesta terça, todos os três passaram por um procedimento de limpeza no corpo, por conta das queimaduras.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu na sexta-feira (19), no início da manhã, por volta das 6h. Foi quando Marlon invadiu a casa onde Josiane Cecchi estava com o atual marido, Eduardo, e os filhos, e ateou fogo.

Depois de cometer o crime, Marlon se trancou no banheiro e foi retirado com dificuldades pelos bombeiros.

Segundo o amigo de Marlon, depois de conhecer e se envolver com Josiane, ele queria ficar com ela. No entanto, Josiane não quis ter um relacionamento com Marlon.

Marlon estava morando com a mãe, no Itacorubi. Ele deixa uma filha de 14 anos.

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