Morte de adolescente no Morro do Quilombo é investigada

Marcos Paulo Padilha Carvalho Vargas, de 15 anos, morreu na madrugada de sábado (24) após ser atingido em um tiroteio com a polícia

A morte de um adolescente na madrugada de sábado (24), na comunidade do Quilombo, no bairro Itacorubi, em Florianópolis, está sendo investigada por inquéritos paralelos conduzidos pela corregedoria da Polícia Militar e pela Polícia Civil da Capital.

O fato aconteceu durante um tiroteio entre traficantes e policiais em uma ação do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e a vítima foi identificada como Marcos Paulo Padilha Carvalho Vargas, de 15 anos.

Marcos Paulo Vargas, de 15 anos, morreu durante tiroteio no Morro do Quilombo – Foto: Reprodução/Redes Sociais

No domingo (25), moradores realizaram uma manifestação contra a violência policial.

Relatos de moradores do Morro do Quilombo acusam os policiais de terem atirado contra o adolescente supostamente desarmado, e ainda impedido o socorro de chegar ao local.

“Mais uma vez a polícia subiu e matou um amigo nosso. Ele tinha 15 anos, não estava armado, ele era só uma criança com o futuro pela frente. A polícia não deixou o SAMU descer, mesmo com a comunidade pedindo para que socorressem o menino. Deixaram ele morrer, atiraram pelas costas, mais uma vez a PM sobe o morro e mata na maior covardia, agride morador, jogam spray de pimenta na cara de crianças, não respeitam ninguém, a polícia sobe pra matar”, afirma uma vizinha do adolescente.

Pertences de adolescente que morreu em operação do BOPE no sábado (24) – Foto: Divulgação/Polícia Militar

A nota emitida pela Polícia Militar sobre a ocorrência diz que os oficiais estavam em um patrulhamento de rotina, e se depararam com traficantes da comunidade, que entraram em confronto armado com os policiais.

Além disso, a corporação afirma que o atendimento levou mais tempo por culpa dos próprios moradores.

“No aguardo do socorro médico, da Polícia Civil e do IGP (Instituto Geral de Perícias), locais atearam fogo em lixos e materiais inflamáveis, criando verdadeiras barricadas na via principal de acesso. Isso prejudicou o atendimento dificultando o acesso de socorro médico e ainda com disparos contra a ambulância e pessoal do IGP, que tiveram que recuar para segurança. Se não houve atendimento mais célere ou adequado foi por culpa dos traficantes que vieram a atacar o socorro”, diz um trecho da nota.

O comandante do BOPE, José Ivan Schelavin, também diverge dos relatos dos moradores. Segundo ele, o adolescente estava armado no momento da operação, e já tinha passagem policial por roubo e uma fuga do Casepe (Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório).

Polícia Militar divulgou foto da arma supostamente utilizada pelo adolescente – Foto: Divulgação/Polícia Militar

“Infelizmente um adolescente como esse, jovem, assim como outros, acabam se envolvendo, pegando em armas, e entram em confrontos. Mas é a necessidade da polícia entrar nesses locais”, afirma o comandante.

Investigações apuram o episódio

Segundo o comandante Schelavin, no dia seguinte à operação um inquérito foi instaurado pela corregedoria da PM. Paralelamente, a Polícia Civil também investiga o caso.

De acordo com o delegado responsável pela Delegacia de Homicídios da Capital, Ênio Matos de Oliveira, o inquérito ainda depende de laudos e não tem previsão de ser finalizado.

O IGP (Instituto Geral de Perícias) informou na manhã desta segunda-feira (26) que o laudo ainda não foi concluído.

No entanto, o delegado da Polícia Civil relata que as informações colhidas até então apontam para legítima defesa por partes dos policiais.

“Tenho uma testemunha que relatou que o adolescente possuía uma arma, e só não atirou contra os oficiais porque não teve tempo”, revela.

Manifestação dos moradores

Neste domingo (25), moradores do Morro do Quilombo fizeram um protesto por conta do ocorrido. Os manifestantes montaram barricadas e atearam fogo em pneus na entrada da comunidade, na Rodovia Amaro Vieira. A manifestação durou pouco mais de uma hora.

“A polícia fala que os moradores atiraram pedras, pura mentira. Estávamos lá e em nenhum momento alguém atirou pedra, todo momento pedíamos pra descer com o SAMU, só queremos justiça. Estamos cansados de sermos oprimidos, estamos cansados de covardia, o Morro do Quilombo pede paz!”, relata a vizinha da família de Marcos Paulo.

Moradores fizeram protesto na entrada da Comunidade do Quilombo – Foto: Divulgação

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