Morte no Carrefour: Corpo de João Alberto é sepultado neste sábado

Velório teve início às 8h e sepultamento acontece às 11h no cemitério municipal São João em Porto Alegre. Ele morreu espancado por seguranças de supermercado

O corpo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, está sendo desde às 8h deste sábado (20), no cemitério municipal São João, em uma região próxima à unidade do supermercado Carrefour onde ele foi espancado até a morte por dois seguranças brancos na noite de quinta-feira (18).

O sepultamento está marcado para as 11h.

João Beto foi assassinado por dois seguranças no Carrefour de Porto Alegre

João Beto foi assassinado por dois seguranças no Carrefour de Porto Alegre (RS) – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/Metrópoles

O crime aconteceu na véspera do Dia da Consciência Negra, nesta sexta-feira, dia 20 de novembro. Os dois agressores tiveram a prisão preventiva decretada. Um deles é um policial militar temporário.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários da loja.

Entenda o caso

Testemunhas disseram que João Alberto fez “gestos agressivos” dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. “Não foi nada muito grave”, diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.

De acordo com Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco em um dos segurança. Neste momento começaram as agressões.

Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu. Os suspeitos foram presos em flagrante.

A viúva disse que o marido chegou a pedir socorro. “Ele disse ‘Milena, me ajuda’. Eu fiquei em choque, foi uma brutalidade que fizeram com ele. Foi assim… horrível”, conta Milena Borges Alves.

Um amigo de João estava no supermercado e conta que testemunhou o crime. Segundo ele, “só pelas imagens não dá pra ver a brutalidade que nós percebemos lá dentro, os socos que ele tomava que chegava a 200 metros ouvindo o barulho e ele pedindo socorro pra pararem de bater”.

A delegada Roberta Bertoldo, responsável pelo caso, disse que funcionários ameaçaram quem tentou contestar a atitude e alegaram que João havia agredido um cliente dentro da loja, o que até o momento não foi confirmado. Segundo ela, a conduta dos funcionários será apurada.

Uma série de protestos contra a morte de João Alberto aconteceu por todo o Brasil. Em São Paulo, após um protesto pacífico no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo) um grupo de manifestantes invadiu e depredou uma loja do Carrefour localizada dentro de um shopping na rua Pamplona, nos Jardins, na zona oeste da cidade. Houve manifestações também em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, em Brasília e em Porto Alegre, na frente da unidade onde ocorreu o crime.
Carrefour

Em nota o Carrefour declar o seguinte:

“O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”

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