Mulher que teve o corpo incendiado em Palhoça se recupera do coma e tem perna amputada

Inquérito aponta que suposta disputa entre facções motivou tentativa de homicídio; no dia 16 de novembro, vítima foi encontrada com o corpo parcialmente carbonizado e baleada

O que motivou a tentativa de homicídio de uma paulista de 32 anos, que foi encontrada com o corpo ainda em chamas, em Palhoça, na Grande Florianópolis, foi uma suposta disputa entre facções criminosas. A mulher ficou em coma por mais de 30 dias e sua identidade foi preservada para protegê-la. Ela teve a perna direita amputada e ainda se recupera dos ferimentos.

Estrada do Espanhol, em Palhoça, onde ocorreu o crimeO suposto envolvimento da vítima em uma facção criminosa motivou a tentativa de homicídio- Foto: Google Earth/Reprodução

O crime, que teve inquérito concluído na quinta-feira (21) pela DIC (Divisão de Investigação Criminal), aconteceu no bairro Enseada da Pinheira, às margens da Estrada do Espanhol, no dia 16 de novembro de 2020. Cinco suspeitos foram presos. Naquele dia, por volta das 7h da manhã, populares encontraram a vítima com parte do corpo carbonizado, baleada na perna direita e com ferimentos no rosto, pescoço e tórax.

Segundo as investigações, a vítima é garota de programa e moradora de Concórdia, no Oeste catarinense. Três dias antes do crime, no dia 13 de novembro, ela havia ido a São José para trabalhar em uma casa noturna no bairro Campinas. A viagem foi intermediada pelo proprietário da boate.

No dia em que o crime ocorreu, ela havia sido convidada pelo proprietário da casa noturna de Campinas para ir a uma festa com amigos no bairro Lisboa e, na sequência, para um “after”, ou seja, uma confraternização após o primeiro evento, em outro estabelecimento, no bairro Pinheira.

Por volta das 3h da madrugada, a vítima teria comentado que o marido havia sido assassinado em São Paulo e, por isso, houve uma discussão durante a festa.  Os homens que a acompanhavam a questionaram se o marido e ela integravam uma facção criminosa paulista. Apesar de negar, os criminosos não acreditaram na versão da vítima e a atacaram.

De acordo com delegada da DIC Raquel Freire, o grupo integra uma facção catarinense rival daquela que eles acreditaram que a vítima e o marido pertenciam e, por essa conclusão, a sequestraram e a deixaram presa. Ela foi agredida e teve os pertences roubados, incluindo o tênis e o celular.

No entanto, nada no inquérito apontou o envolvimento da vítima e do marido em qualquer organização criminosa.

“As investigações conseguiram individualizar a participação de cada um dos suspeitos no crime. E depois dessas agressões, decidiram dar cabo da vítima”, aponta a delegada Raquel.

Por meio de imagens de monitoramento e imagens coletadas por meio de uma força-tarefa com o apoio das agência de inteligência e da Polícia Militar de São José e Palhoça, foi possível identificar os suspeitos.

Como o crime ocorreu

Ainda segundo a delegada, testemunhas viram três homens em um carro prata ateando fogo em algo que elas não conseguiram identificar imediatamente, mas foram embora ao perceber a presença de outras pessoas. A vítima foi encontrada com uma toalha embebida de gasolina e a intenção do grupo era queimá-la viva.

Após os suspeitos irem embora, as testemunhas perceberam que se tratava de uma moça e chamaram o Samu e a polícia.

Linha do tempo da Operação Estrada do Espanhol

No dia 4 de dezembro, foi deflagrada a primeira fase da operação Estrada do Espanhol, em que foi encontrado o veículo usado no crime e o telefone celular da vítima. Na ocasião, dois suspeitos foram presos temporariamente em São José.

Já em 17 de dezembro, foi cumprido um mandado de prisão temporária em Imbituba, em que o suspeito estava sendo procurado desde o primeiro dia da operação.

Materiais apreendidos durante investigações da operação Estrada do Espanhol da Polícia Civil – Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoMateriais apreendidos durante investigações da operação Estrada do Espanhol da Polícia Civil – Foto: Polícia Civil/Divulgação

No dia 29 de dezembro, a Polícia Civil representou mais uma prisão temporária. No dia 8 de janeiro deste ano, o suspeito foi preso no bairro Monte Cristo, em Florianópolis. Durante as buscas, foi recuperado o tênis da vítima.

Cinco suspeitos foram responsabilizados pelo crime, desde o planejamento à execução. O último preso, inclusive, coordenou a escolha do local do crime porque morou naquele bairro entre os anos de 2016 e 2018.

Nas investigações, foram apreendidos cerca de 1,8 quilos de maconha, 3,5 quilos de cocaína, munição calibre .38, dois veículos, dinheiro, o automóvel suspeito de ter sido usado no crime, eletrônicos além do aparelho celular da vítima.

Eles foram indiciados pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, emboscada, cárcere e por compor organização criminosa. Os presos se encontram no sistema prisional à disposição da Justiça.

Acesse e receba notícias da Grande Florianópolis pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Polícia