Novo diretor da Deic diz que está pronto para o cargo, mas internautas pedem retorno de Monteiro

Akira deixará Força Nacional para assumir trabalhos na maior diretoria de investigações do Estado

Débora Klempus/ND

Defesa de Monteiro susteta tese de que ele devolveu dinheiro público usado indevidamente

Akira Sato afirma que está pronto para assumir a maior diretoria de investigações de Santa Catarina, a Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais). Akira assume, no próximo dia 16, em meio ao turbilhão de especulações que ainda giram em torno da saída do delegado Claudio Monteiro, que foi exonerado do cargo na última quinta-feira. Monteiro responde uma sindicância que apura o uso indevido de diárias da corporação em viagens pessoais.

O novo diretor diz que o clamor da população sobre a saída de Monteiro não vai interferi na sua ascensão ao cargo. “De forma alguma ficarei abalado. O Monteiro é um grande profissional e um exemplo a ser seguido. Estou chegando para dar continuidade aos trabalhos e para somar”, afirma. Segundo Sato, a informação de que ele seria o novo diretor da Deic só lhe foi passada depois de que a exoneração de Monteiro foi decidida. “Não tive nenhuma participação nesse processo. Me chamaram e eu aceitei”, explica Sato.

Com 15 anos de Polícia Civil, Akira Sato chegou na Polícia Civil catarinense em 2006. Trabalhou nas delegacias de polícia de Joinville, onde também foi delegado de trânsito. Akira também integrou o Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto), em São Paulo, e atualmente era o coordenador da Força Nacional, onde atuava em operações especiais em todo o território nacional.

Uma dos grandes desafios do novo diretor será dar continuidade do trabalho da Deic na caça aos assaltantes de bancos. “Nesse tempo em que trabalhei na Força Nacional, comandei ações contra caixeiros em várias regiões”, explica. Em Goiás, o grupo coordenado por Akira chegou a apreender 110 quilos de explosivo em uma operação contra bandos que agiam em explosões a caixas eletrônicos.

Arquivo/ND

Sato integrou equipe do Garra e da Força Nacional

Monteiro prefere o silêncio

Por volta das 16h30 de domingo o delegado Claudio Monteiro chegou a atender a reportagem do Notícias do Dia. Por telefone e com a voz abatida o delegado argumentou que as coisas não estavam muito bem. O delegado não quis comentar sobre o uso de dinheiro de diárias em viagem particular para Miami. “Vou preparar minha defesa, mas não quero falar. Estou com minha família peço que me deixem neste momento”, declarou Monteiro.

O advogado do delegado, o criminalista Claudio Gastão Rosa Filho, reafirmou que vai provar que Monteiro cometeu um erro administrativo e que qualquer valor usado indevidamente foi devolvido aos cofres públicos antes mesmo de qualquer tipo de investigação contra Monteiro. “Não vou polemizar, na segunda-feira vou me atualizar sobre o processo e vamos preparar nossa defesa”, afirmou Gastão.

O delegado Claudio Monteiro é investigado de ter viajado para Miami, em Fevereiro de 2011, quando deveria participar de uma operação em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, no combate ao tráfico de drogas na fronteira. Monteiro recebeu R$ 1,3 mil referente a três diárias. No relatório apresentado a SSP Monteiro informou que esteve em Ponta Porã, mas os registros da Polícia Federal apontaram que o delegado viajou para fora no país na mesma data.

Especulações políticas 

Um protesto em defesa do delegado está marcado para esta segunda-feira (8), às 17h, em frente a sede da SSP (Secretaria de Segurança Pública). A página do grupo na internet “Fica Delegado Monteiro” já soma quase 30 mil pessoas em favor do delegado. Entre as manifestações dos internautas está a especulação de que a saída de monteiro tivesse cunho político. Um dos argumentos é que Monteiro teria sido afastado por estar conduzindo investigações contra as elites governistas, como o caso de desvio de R$ 50 milhões na Celesc e o de desvio de peças de carros apreendidos no pátio da SSP. Outra linha ainda defende que monteiro teria sido punido pelas declarações que deu na terça-feira passada ao prender integrantes da quadrilha que estaria participando das explosões a caixas eletrônicos no Estado.

O deputado estadual Maurício Eskudlark (PSD), ex-delegado geral da Polícia Civil, não descarta a hipótese da questão política ter pesado na exoneração de Monteiro. “A atual administração queria tirar ele [Monteiro], tudo bem isso é normal, mas eu acho que da forma como aconteceu acabou prejudicando todos, tanto o Monteiro como o Governo”, declara o deputado. “Se ele errou deverá responder pelo erro, mas toda essa exposição é desnecessária. Eu como policial lamento a saída de Monteiro”, finaliza.

O secretário de Segurança Pública, César Grubba, descartou que houvesse intenção política no caso. “O único motivo pelo qual Monteiro foi afastado é pelo fato do uso das diárias”, garante Grubba.

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