ONU pede investigação rápida sobre morte de homem negro em ‘câmara de gás’ durante ação da PRF

Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, morreu em uma viatura da corporação na quarta-feira (25), em Sergipe

O escritório de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) para a América do Sul cobrou uma ‘investigação célere e completa’ sobre a morte de Genivaldo de Jesus dos Santos em uma espécie de “câmara de gás” dentro de uma viatura da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em Sergipe.

Genivaldo morreu após ser trancado em viatura com gás lacrimogêneo – Foto: Reprodução/TwitterGenivaldo morreu após ser trancado em viatura com gás lacrimogêneo – Foto: Reprodução/Twitter

“A morte de Genivaldo, em si chocante, mais uma vez coloca em questão o respeito aos direitos humanos na atuação das polícias no Brasil”, destacou Jan Jarab, chefe regional da ONU Direitos Humanos.

Para a ONU, é fundamental que as investigações iniciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público cumpram as normas internacionais de direitos humanos, levando os responsáveis à justiça e garantindo reparação aos familiares da vítima.

Testemunhas informaram que Genivaldo, homem negro de 38 anos, foi colocado dentro do porta-malas da viatura, onde agentes da PRF jogaram gás lacrimogêneo. Impedido de sair, o homem, que segundo a família sofria de esquizofrenia, foi asfixiado e morreu.

Imagens feitas por pessoas que estavam no local mostram que Genivaldo grita por socorro e se debate com os pés para fora da viatura enquanto os policiais seguram a porta do porta-malas. O homem deixou esposa e um filho de 8 anos.

Genivaldo de Jesus Santos morreu em abordagem da PRF em Sergipe – Foto: Arquivo pessoalGenivaldo de Jesus Santos morreu em abordagem da PRF em Sergipe – Foto: Arquivo pessoal

Negros são a maioria das vítimas de violência policial

Além de pedir justiça, a ONU destacou que, segundo informações da sociedade civil, quase 80% das vítimas de operações policiais no Brasil em 2020 eram negras. “A letalidade policial contra populações negras no Brasil é extrema e tão comum que parece naturalizada”, disse Jan Jarab.

Ele ainda defendeu a necessidade de mais formação em direitos humanos para as polícias no Brasil, incluindo o combate aos estereótipos negativos contra as pessoas negras e a abordagem humana de pessoas com problemas de saúde mental.

“A violência policial desproporcionada não vai parar até as autoridades tomarem ações definitivas para combatê-la, como a perseguição e punição efetiva de qualquer violação de direitos humanos cometida por agentes estatais, para evitar a impunidade”, salientou.

Segundo a PRF, os policiais envolvidos na morte de Genivaldo foram afastados e a corporação “está comprometida com apuração inequívoca das circunstâncias relativas à ocorrência”.

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