Operação investiga crimes contra a administração Pública em Biguaçu

Entre os crimes estão a existência de funcionário fantasma e uma manobra para a ocultação de atos ilícitos dentro da Prefeitura. Grupo ND teve acesso a nome dos envolvidos

A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira (9) busca e apreensão de documentos na Prefeitura de Biguaçu e residência de funcionários públicos investigados em crimes contra a administração pública municipal. A operação denominada Co-incidência apura falsa comunicação de crime, associação criminosa, contratações irregulares e possível existência de funcionário fantasma na Prefeitura.

A falsa comunicação de crime, segundo o delegado Rodrigo Dantas, possivelmente foi realizada por um secretário municipal, que visava ocultar irregularidades praticadas por políticos e servidores do município.

Polícia analisa documentos na prefeitura – Foto: Ana Vaz/NDTVPolícia analisa documentos na prefeitura – Foto: Ana Vaz/NDTV

A investigação a respeito de eventual contratação de funcionário fantasma foi iniciada após o registro de denúncia de que um vereador de Biguaçu estaria lotado na Prefeitura, o que o configuraria como servidor fantasma. Pela manhã, os policiais estiveram na Câmara de Vereadores para cumprir o mandado de busca e apreensão.

A repórter Ana Vaz, da NDTV, apurou que os policiais estiveram nos setores de administração, RH, tesouraria e contratos da Prefeitura de Biguaçu.

Foram analisados e apreendidos documentos do local, entre eles fichas de ponto e registros de cronograma de trabalho. Também foram realizadas busca e apreensão em residências de investigados.

Em uma delas, em Biguaçu, foi encontrada uma arma e o homem que mora no local, e não é servidor da prefeitura, foi autuado em flagrante e encaminhado à delegacia.

O despacho que autorizou a busca e apreensão na sede da Prefeitura e nas residências dos investigados, ao qual a repórter Ana Vaz teve acesso, afirma que há “fortes indícios” de que houve falsa comunicação de crime, associação criminosa e crime contra licitação.

Polícia deixa a prefeitura depois de recolher documentos em cumprimento a mandados de busca e apreensão – Foto: Ana Vaz/NDTVPolícia deixa a prefeitura depois de recolher documentos em cumprimento a mandados de busca e apreensão – Foto: Ana Vaz/NDTV

No dia 25 de junho, um informante reportou à Polícia Civil que a Prefeitura estaria promovendo uma suposta “queima de arquivo”, com o objetivo de obstruir irregularidades na Secretaria de Planejamento.

“As autoridades municipais teriam construído uma narrativa para legitimar o desaparecimento dos arquivos em ataques promovidos por um hacker que, em tese, exigiu valores para restabelecer o servidor.  Assim, a autoridade policial sustenta a necessidade de esclarecer se houve negligência em relação às providências a serem adotadas referentes ao crime de extorsão ou deliberada má fé para ocultação de outros crimes praticados”, diz trecho do despacho da juíza Flávia Maéli da Silva Baldissera da Vara Criminal da Comarca de Biguaçu.

Os investigados

A reportagem da NDTV teve acesso também aos nomes dos envolvidos na investigação da falsa comunicação de crime. São eles: Myrom José do Nascimento (terceirizado da CPD), Leandro de Souza Cunha (do Conselho Administrativo), João José Morfim Neto (ex-diretor de Vigilância Sanitária), Daniela Garcia Fabrício Galiani (secretária de Administração) e o Município de Biguaçu.

O ND não conseguiu contato com nenhum dos investigados nem com seus advogados.

Prefeitura confirma ataque hacker

O vice-prefeito de Biguaçu, Vilson Norberto Alves (PP), em entrevista à NDTV, disse que todo o sistema da Prefeitura ficou fora do ar por 30 dias e que o hacker exigiu um pagamento em bitcoins para desfazer o ataque aos computadores. “Acredito que tudo será esclarecido”, afirmou.

Vilson afirmou que a Prefeitura vai colaborar com a polícia no fornecimento de informações e documentos para que a investigação esclareça os fatos.

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