Pais denunciam professor por estupro e bullying em escola de SC

Denúncias de estupro e bullying acabaram com prisão preventiva de professor de escola municipal de SC; veja o que os pais contaram

Um professor de 33 anos suspeito de abuso sexual e bullying contra alunos de uma escola municipal de Itapoá, no Litoral Norte de SC, foi preso na quinta-feira, 11 de março, em Curitiba (PR).

O professor foi denunciado várias vezes por pelo menos cinco pais de alunos da escola por estupro e outros abusos, como bullying.

denúncia contra professor Casos ocorreram dentro de uma escola municipal de Itapoá – Foto: Marcos Santos/Divulgação ND

O mandado de prisão preventiva foi solicitado pela Polícia Civil de Itapoá, expedido no dia 2 de março e cumprido no dia 11. Segundo a delegada responsável pelo caso, Milena de Fátima Rosa, dois boletins de ocorrência foram registrados contra o professor – o primeiro em 2019 e outro em 2020. Dois inquéritos foram instaurados a partir dos boletins de ocorrência.

Relatos pesados: “Minha filha foi estuprada mais de uma vez”

Um dos pais contou que a filha foi estuprada mais de uma vez pelo professor. A menina tinha de 12 para 13 anos. Os abusos ocorreram em 2019. “O professor tinha alguns projetos como pretexto, e, por isso, ficava com os alunos até mais tarde. A partir daí, minha filha começou a ser estuprada. Tenho laudos do IML comprovando o estupro. O laudo está com a delegada”, contou um pai desesperado.

A menina foi parar num psicólogo e logo em seguida encaminhada a um psiquiatra, contou o pai, tamanho o estrago que esse professor causou na vida dela.

Em casa, o comportamento da menina também mudou, segundo o pai. “Ela andava mais nervosa. Mudou da água para o vinho”, continuou o pai.
Segundo ele, o caso foi denunciado tanto na direção da escola quanto na Secretaria Municipal de Educação, mas nada foi feito. “Desde 2018 a gente tem denunciado o caso para a Prefeitura, mas nada foi feito. É revoltante”, reforça.

Pais pedem Justiça 

Pelo menos agora, desabafa o pai, o professor está preso. “O pedófilo foi preso. Mas queremos que a Secretaria Municipal de Educação seja responsabilizada também pelos acontecimentos. Temos tudo documentado”.

Segundo o pai, que contratou um advogado, o professor tem uma longa ficha criminal, com mais de dez queixas no Paraná por vários crimes, entre eles abuso sexual.

Outra mãe contou à reportagem do ND+ que fez diversas denúncias contra o professor, mas de nada adiantou. E, para proteger o filho, de 13 anos, decidiu mudá-lo de escola.

Os abusos contra seu filho, relata a mãe, começaram ainda em 2017. “Ele chamava meu filho de burro, dizia que ele era má influência para as meninas, isto na frente de todos da sala”, conta, revoltada.
Além disso, o professor o excluía de todas as atividades escolares, passeios, e fazia bullying direto contra ele em sala de aula, explicou a mãe.

Ocorre que o menino sofre de dislexia e transtorno opositor desafiador, necessitando, inclusive, de remédio, segundo atestado médico de uma neurologista consultada pela família. O laudo médico sugere “grade curricular adaptada conforme as necessidades do paciente e um professor de apoio individual”.

Foram duas consultas com a neurologista: uma em 2019 e outra em março de 2020 e ambas confirmam a dificuldade de aprendizagem do menino.

“Ele realmente tem mais dificuldade de aprender em relação aos outros, mas isso não é motivo para ser chamado de burro ou ser excluído das atividades, de tudo. O meu filho foi humilhado várias vezes na escola por este professor”, acrescenta a mãe.

O menino também foi acompanhado por uma psicóloga, fonoaudióloga, além de estar indo a uma neurologista.

Várias denúncias foram feitas

A fim de proteger o filho, a mãe passou a denunciar o caso para a direção da escola, fez denúncia ao Ministério Público em 2 de dezembro de 2019; protocolou uma reclamação oficial na escola no dia 3 de dezembro; outra reclamação na Secretaria de Educação de Itapoá; fez Boletim de Ocorrência na Delegacia de Itapoá em 9/12/2019 e mobilizou uma abaixo-assinado pedindo o afastamento do professor.

A mãe conta, ainda, que o filho chegava em casa e dizia: “ por que o professor me odeia tanto? Eu nunca fiz nada para ele.”

Ela, inclusive, passou a ir na escola todos os dias, acompanhar o filho e disse que percebia que o professor ficava com algumas alunas na sala depois que as aulas se encerravam.

“Quando eu reclamava na escola, a direção dizia que o problema estava com o meu filho, que era ele que aprontava. A diretora dizia que ele respondia para o professor em sala de aula, não fazia as tarefas e brigava no transporte escolar, mas isso não é verdade. Inclusive, essa briga que atribuem ao meu filho é mentira. Ele estava tentando separar a briga e acabou culpado”, complementou a mãe.

Os pais contam, ainda, que uma pedagoga do colégio entendeu a gravidade e denunciou o caso em 2019, mas “foi taxada de louca até ser demitida e ameaçada.”

“Pelo menos agora, ele está preso. Espero que façam justiça”, finalizou a mãe do menino.

Contraponto

A Prefeitura de Itapoá foi procurada pela reportagem e encaminhou uma nota oficial. Veja abaixo na íntegra:

“Em 2019, quando a Secretaria de Educação tomou conhecimento das acusações contra o professor, imediatamente adotou as medidas cabíveis e abriu um Processo de Sindicância Investigatória para averiguar os fatos. Durante o processo, foram ouvidas todas as testemunhas arroladas. Mesmo sem qualquer indício contra o profissional, diante da gravidade da acusação, a Comissão do Processo de Sindicância Investigatória decidiu que o caso não fosse arquivado, remetendo-o a Procuradoria-geral do Município que, por sua vez, encaminhou o processo ao Ministério Público para que este desse prosseguimento à investigação.

A Prefeitura de Itapoá reitera que tomou todas as medidas que lhe cabiam e, esgotada a sua possibilidade de atuação no caso, entregou o processo às autoridades competentes para que as investigações fossem prosseguidas.”

  • A reportagem não usou o nome dos pais nem da escola para proteger a identidade das crianças, em respeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

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