PF já apreendeu cerca de R$ 2,5 milhões na operação Câmbio Barriga Verde, em SC

Operação apura crimes como sonegação fiscal e evasão de divisas; casa de câmbio em SC teria lavado dinheiro para criminosos

A PF (Polícia Federal) divulgou nesta quinta-feira (28) o balanço da Operação Câmbio Barriga Verde, responsável por investigar crimes envolvendo o mercado de câmbio em Santa Catarina. O valor, apreendido entre esta terça (26) e quinta-feira em sete cidades de Santa Catarina e um do Rio Grande do Sul, é de cerca de R$ 2,5 milhões.

A denúncia do MPF (Ministério Público Federal), que deu origem à operação, aponta fortes indícios de crimes contra o sistema financeiro, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Mais de R$ 1 bilhão teria sido desviado.

Operação da PF apura irregularidades em casa de câmbio em SCForam apreendidas quantias em dólar, euro e real. O montante está sob controle da Justiça – Foto: Polícia Federal/Divulgação/ND

A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma casa de câmbio com sede em Garopaba, no Sul de Santa Catarina. Entre os anos de 2013 e 2019 a instituição teria movimentado mais de R$ 1 bilhão – valor incompatível com sua capacidade financeira (cerca de R$ 7 milhões).

O valor apreendido e citado no início da matéria corresponde a soma de todas as moedas apreendidas pelos policiais federais convertidas em real, considerando as cotações de turismo. Foram R$ 755.418,00, $ 225.779,00 e € 122.377,00, de acordo com a Polícia Federal.

O dinheiro foi recolhido nos locais de busca que constavam nos mandados judiciais –  Florianópolis, São José, Criciúma, Garopaba, Imbituba, Urussanga e Itajaí, e, ainda, na cidade de Caxias do Sul (RS). Cerca de 100 policiais federais, membros do MPF e servidores da Receita Federal participaram da ação.

A soma foi depositada na Caixa Econômica, junto aos recibos, e está sob cautela da Justiça. Também foram apreendidas três armas irregulares e uma pessoa foi presa, apontada como proprietária do armamento. Posteriormente o suspeito foi liberado mediante o pagamento de fiança.

Polícias realizam a contagem das cédulas – Vídeo: PF/Divulgação/ND

Entenda o esquema

Conforme mostrou a reportagem do ND+, a casa de câmbio se utiliza, em tese, de um esquema criminoso caracterizado pela criação de diversos CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), para dissimular a existência de filiais.

Para isso, o grupo utilizava os chamados laranjas para ocultar os reais beneficiários das operações fraudulentas usando empresas em nome de terceiros com o intuito de lavar o dinheiro e blindar o patrimônio resultante do esquema criminoso.

As forças de segurança apuraram ainda a existência de diversos depósitos realizados por terceiros, em volume total superior a R$ 2 milhões, destacando as transações com pessoas físicas que já possuíram vínculo empregatício com a empresa investigada.

Foram identificados fortes indícios de crimes contra o sistema financeiro, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Para combater a organização foi promovido o sequestro de veículos e imóveis de luxo ligados às pessoas investigadas, com o objetivo de impedir eventual esvaziamento do patrimônio acumulado de forma criminosa.

A Receita Federal do Brasil busca identificar os beneficiários ocultos que enviaram recursos para a organização criminosa. As informações serão cruzadas com a base de dados da Receita Federal.

Próximos passos

Valores com origem em sonegação ou outras origens ilícitas serão objeto de procedimentos fiscais com cobrança de multas de até 225%. Indícios de crimes serão reportados ao Ministério Público Federal, retroalimentando a investigação criminal.

Os investigados, na medida da comprovação de suas participações, poderão responder pelos crimes de operação ilegal de câmbio, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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