Moradora baleada por PM em Florianópolis critica abordagem: “violenta e desproporcional”

Ocorrência no Morro da Penitenciária nesta sexta-feira causou revolta e PM disparou bala de borracha contra moradora, para conter protesto

A manhã desta sexta-feira (30) foi violenta no Morro da Penitenciária, em Florianópolis. Uma abordagem da Polícia Militar na rua Álvaro Ramos revoltou moradoras da região, que a consideraram “violenta e desproporcional”. O momento foi gravado e divulgado.

As imagens mostram um policial disparando tiro de borracha contra uma moradora, de 24 anos. A reportagem do ND+ teve contato com a vítima, que preferiu não se identificar. O tiro atingiu suas partes íntimas e provocou inflamação. As dores ainda persistiam na noite desta sexta.

A Polícia Militar cumpria um mandado de prisão contra um foragido da Justiça. Ele tentou fugir pela escadaria do Morro, mas foi imobilizado pelos policiais. O homem teria tentado agredir os PMs, segundo o 4º BPM (Batalhão de Polícia Militar). Pelos menos três PMs participavam da ação.

A jovem conta que foi até o local quando ouviu os gritos. “Quando cheguei os policiais estavam com o joelho no pescoço do rapaz. Mas já estava saindo sangue da cabeça dele”, afirmou a moradora. “Pedimos que não batessem mais e levassem ele preso, pois estava muito machucado.”.

Moradora baleada por PM em Florianópolis criticava abordagem: "violenta e desproporcional"Moradora foi até o local após ouvir os disparos e se revoltou com abordagem, afirma – Foto: Montagem/ND

A moradora conta que os PMs, ao perceber o protesto, engatilharam o elastômero e recolheram o suspeito para dentro da viatura. Neste momento elas começaram a gravar o vídeo. As imagens mostram uma das quatro moradoras desferindo xingamentos contra os policiais, usando termos como “verme” e “covarde”. O vídeo encerra com o disparo do policial e a retirada das viaturas.

Em nota, o 4º BPM afirmou que o uso de elastômero foi necessário para “garantir a segurança dos policiais militares”. O batalhão afirma que as moradoras queriam libertar o suspeito e teria ocorrido “arremesso de objetos na direção dos policiais”. A moradora nega e afirma que não conhecia o homem.

Moradora fez corpo de delito

A moradora foi até a 5ª DP (Delegacia de Polícia Civil da Capital) onde registrou um boletim de ocorrência. Ela foi orientada a ir até o posto de saúde, realizar um exame de corpo de delito e aguardar cerca de 15 dias.

O delegado Attilio Guaspari Filho, titular da 5ª DP, recebeu denúncia das moradoras sobre a abordagem policial. O documento foi encaminhado para a Corregedoria da Polícia Militar, que informou que está a disposição da investigação.

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