Caso de ‘exorcismo’ após maratona em motel de SC tem investigação inicial descartada

Homem será ouvido em audiência na Justiça; pequeno consumo de drogas e lesões de "natureza leve" não são suficientes para abertura de investigação, segundo polícia

O caso bizarro de agressão e ‘exorcismo’ ocorrido em um motel na cidade de Canelinha, na Grande Florianópolis, na última quinta-feira (30), não será investigado pela Polícia Civil. De acordo com a PM (Polícia Militar), a princípio o episódio não tem elementos jurídicos suficientes para uma abertura de inquérito.

Porém, o homem, autor do crime, será ouvido em uma audiência na Justiça, que ainda não foi marcada. O Poder Judiciário ainda pode pedir a abertura de uma investigação aprofundada sobre o ocorrido.

Depois de 24h dentro de quarto de motel, mulher foi hospitalizada por agressões – Foto: Internet/NDDepois de 24h dentro de quarto de motel, mulher foi hospitalizada por agressões – Foto: Internet/ND

O caso segue com a Polícia Militar, que aguarda para enviar a documentação para a Justiça. O processo é mais lento por conta do recesso, destaca o comandante da PM de São João Batista, subtenente Márcio Meyer.

O comandante explica que, como foi encontrada uma pequena quantidade de drogas para uso próprio com o homem e o médico atestou “lesões de natureza leve” na vítima, foi lavrado apenas um Termo Circunstanciado.

“Caso o Poder Judiciário entenda que há algum crime a mais, pode pedir a abertura de uma investigação mais a fundo. Mas a princípio, não há previsão de que o caso seja conduzido para a Polícia Civil”, completa.

Os crimes e o ‘exorcismo’

Segundo o professor de Direito Penal da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Fabrício Oldoni, este é o processo comum com os elementos identificados neste crime. “Se houve apenas lesão corporal leve, o procedimento é abertura de um Termo Circunstanciado, pois é crime de menor potencial ofensivo”.

Outro fator destacado pelo advogado é que o exorcismo, em si, não é crime. “Se estava sob efeito de drogas, não vejo isso como motivo fútil que poderia agravar… Pois não estava em plena capacidade mental. Mas isso tudo só uma investigação para definir”, comenta.

Oldoni ressalta ainda que o uso de drogas não prevê pena, apenas advertência. Já a lesão corporal leve também não enseja prisão, mas pagamento de um valor na transação penal.

Por fim, o professor esclarece que é natural que o crime não tenha sido repassado para uma investigação mais aprofundada da Polícia Civil, mas pondera:

“Também não seria anormal abrir para ver o que realmente ocorreu, fica a critério do delegado. Porém o promotor pode solicitar abertura posteriormente”.

Entenda o caso

Um casal provocou cenas de filme de terror na última quinta-feira (30) em um motel, localizado no limite entre Canelinha e São João Batista, em Santa Catarina.

Segundo a Polícia Militar, um homem ensanguentado com cortes nas mãos e uma mulher com ferimentos no rosto e na boca foram encontrados pelos oficiais quando chegaram no local.

Polícia de São João Batista atendeu o caso – Foto: Internet/Divulgação/NDPolícia de São João Batista atendeu o caso – Foto: Internet/Divulgação/ND

A mulher precisou ser atendida no local pela equipe de autosocorro dos bombeiros e depois encaminhada ao hospital de São João Batista.

Antes de ser conduzida ao atendimento médico, a vítima informou às autoridades que eles estavam há quase 24h no motel usando cocaína e ingerido álcool. Ela também disse que logo após o consumo excessivo o homem passou a agredi-la.

Segundo a mulher, ele teria montando em cima dela e enfiado os dedos em sua garganta. Nesse momento, passou também a rezar e dizer que ia tirar o “demônio” do corpo dela.

Já o homem informou à PM que viu a companheira se transformar em um “demônio” na sua frente, por isso agiu dessa maneira para afugentar a entidade.

Dentro do quarto foi encontrado uma bucha de substância semelhante à cocaína, mas nenhum dos dois assumiram a propriedade da droga, além de R$ 2.245,00 em espécie, pertencente ao homem.

O veículo utilizado pelo casal era da vítima e ficou no motel, aos cuidados da proprietária do estabelecimento. Já a quantia em espécie por não figurar ilícito foi devolvida ao seu proprietário.

No hospital, foi feito contato com a plantonista, que atestou as lesões contra a vítima de natureza leve. Diante dos fatos, foi elaborado um termo circunstanciado.

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