Policiais se despedem do Cão Beethoven, considerado o melhor faro da região

O cão policial foi o campeão do Torneio de Cães Farejadores; ele foi vítima da doença do carrapato e de complicações de uma cardiomegalia

A morte do cão Beethoven, na segunda-feira (27), pegou toda a Polícia Militar de Santa Catarina de surpresa, especialmente os policiais que trabalhavam com ele no Canil Central, em São José. O K9 apelidado de Betinho tinha seis anos de idade e há quatro atuava na Grande Florianópolis onde participou de diversas operações. E foi durante a busca de uma arma utilizada em um assalto em Barreiros que apareceram os primeiros sinais de que o cão não estava bem.

“Ele encontrou a arma e eu dei a bolinha para ele como sempre fazia. Era a alegria dele brincar com a bolinha. Depois chamei e ele não veio, pensei que estava com manha e então percebi que ele não estava bem porque havia soltado a bolinha, coisa que nunca havia feito antes. Pedi para ele levantar e ele não teve forças”, relata, emocionado, o cabo Vinicius de Sá Ribeiro, condutor de Beethoven.

Beethoven atuou na Polícia Militar por seis anos – Foto: Divulgação/PMSC/ND

Betinho foi levado para a clínica onde após exames de sangue foi identificado que ele estava infectado por babesia, um protozoário transmitido por carrapatos. Também foi realizado um ecocardiograma que relevou uma cardiomegalia, o K9 tinha o que popularmente é chamado de coração crescido.

“Foi tudo muito rápido. A cardiomegalia foi descoberta por acaso, e a babesiose também. Após os exames, ele recebeu a medicação, ficou uns dias internados e voltou para o canil, mas em dois dias retornou para a clínica”, conta a veterinária Mercedes Amorim.

O K9 morreu poucos dias após essa segunda internação, na madrugada de segunda-feira (27). Um choque para todos que conviviam com o cão policial que era considerado o melhor faro da região, o campeão do Torneio de Cães Farejadores.

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Despedida ao Cão Beethoven – Foto: Divulgação PMSC/ND

Na tarde de terça-feira (27), uma cerimônia no Garden Pet, em São José, reuniu os policiais e familiares para a despedida ao cão policial Beethoven. Sob forte emoção, Vinicius leu uma carta de agradecimento ao parceiro e em seguida, sob o comando do tenente Fernando Gruner Prudêncio, os policiais prestaram continência ao K9 Betinho, em sinal de honra aos serviços que desenvolveu por seis anos à sociedade catarinense.

A cerimônia e a cremação do corpo de Betinho foram doadas pela Garden Pet.

Policial-condutor Vinicius e o K9 Beethoven, o Betinho – Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal/ND

Policiais predestinados

O Beethoven é de uma ninhada de cinco cães da raça Golden Retriever que foram doados ao Canil Central da Polícia Militar em 2014, no mesmo ano que o PM Vinicius de Sá Ribeiro chegava ao canil após ter passado por concurso interno da corporação. Ele foi o último a escolher o cão com quem iria trabalhar.

“Quando cheguei tinha apenas o Beethoven, todos os outros já havia sido escolhidos. Treinamos juntos por um ano e meio e no final somente ele foi aprovado”, lembra o condutor do cão policial.

Os irmãos de Beethoven foram doados por não terem o perfil do K9. “A seleção dos cães é feita quando eles são filhotes. O caráter e a personalidade definem se o cão será policial. Ele precisa ser corajosa, ser ativo, gostar de caçar. Beethoven reunia todas essas características”, afirma o sub-comandante do Canil Central, tenente Fernando Gruner Prudêncio.

Como prevenir a doença do carrapato

A veterinária Mercedes Amorim atende os cães do Canil Central da PM há cinco anos. Ela afirma que no local não há infestação de pulgas e carrapatos e que os animais passam por avaliações de saúde periodicamente. A médica aponta que o protozoário babesia é o mais perigoso entre os demais que transmitem a doença do carrapato.

“A babesia age silenciosamente, não manifesta sintomas, como ocorreu com o Beethoven. Ele pode ter sido picado por um carrapato contaminado durante uma operação, porque os policiais entram em áreas infestadas de insetos”, afirma Mercedes.

Mercedes ressalta que os medicamentos aplicados para prevenir a infestação de pulgas e carrapatos em cães e gatos (ou outros animais) não são repelentes. Isso significa que os produtos evitam que os insetos se mantenham no corpo do animal, mas não evita que sejam picados. “O carrapato ou a pulga morrem após picar o animal, mas eles precisam picar para o remédio agir. Nessa picada, o animal pode ser infectado”, explica.

Para prevenir a doença do carrapato e as demais provocadas por parasitas, a veterinária orienta que o local onde o animal interage e dorme seja sempre desinfectado com produtos específicos para eliminação dos insetos e de seus ovos. “O dono do cão ou do gato deve sempre manter o espaço do animal sem esses insetos. Não adianta tratar do animal e não cuidar da casinha dele”, diz.

Apesar de todos esses cuidados, não é possível garantir que o animal estará livre de ser infectado, como ocorreu com o Beethoven. “Infelizmente ainda não existe vacina contra a doença do carrapato”, lamenta a veterinária Mercedes.

Cão policial Beethoven após mais uma operação de sucesso – Foto: Divulgação/PMSC/ND

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