Prima de mulher assassinada em Florianópolis fala sobre autor do crime: ‘um monstro’

Tatiana Cardoso de Lima foi morta a tiros pelo ex-marido na última segunda-feira (8); prima da vítima contou mais detalhes em entrevista ao Jornal da Record

Em entrevista concedida ao Jornal da Record, que foi transmitida pelo Balanço Geral da NDTV na manhã desta quarta-feira (10), a prima de Tatiana Cardoso de Lima, que foi morta a tiros pelo ex-marido na última segunda-feira (8), contou mais detalhes da relação da vítima com o autor do crime brutal.

Segundo ela, as ameaças de morte vindas do homem de 60 anos eram frequentes desde o último ano, e se intensificaram na última semana.

Tatiana, de 43 anos, foi morta pelo ex-marido em Florianópolis na última segunda (8) – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDTatiana, de 43 anos, foi morta pelo ex-marido em Florianópolis na última segunda (8) – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

“Eles estavam casados há 25 anos, tiveram três filhos. A Tati sempre foi uma mulher submissa, sempre respeitou muito ele. Mas ele ao contrário, nunca foi um pai presente, um marido que honrasse sua esposa, sempre foi rude, grosso, a gente até falava que ele era um ‘ogro’. Ele nunca demonstrava carinho por ela, não foi à toa que ocorreu esse ato brutal”, conta a professora Fernanda Cardoso Pereira Rodrigues, prima da vítima.

Fernanda relata, ainda, que o ex-marido de Tatiana sempre foi uma pessoa violenta na relação.

“Nós apoiávamos ela a acabar o casamento, mas ela nunca quis fazer queixa contra ele, era muito agredida com palavras e também fisicamente. Ela acabava escapando muitas vezes pro quarto da filha pra se esconder, porque ele era muito violento, e ela tinha muito medo de denunciá-lo.”

Ameaças de morte

A prima conta que as ameaças se tornaram constantes na relação, e passaram a ocorrer “quase todos os dias” há mais de um ano.

“Do ano passado para cá, era muito frequente. Antes da pandemia, a gente fazia academia juntas, ele ia na entrada e ameaçava ela lá na porta: ‘Eu só vim ver se você tava aqui mesmo’, e já enchia de xingamentos. Ele humilhava ela na porta da academia, na frente de todo mundo. A gente falava que um dia ele ia fazer uma coisa muito séria, que ela não podia ficar casada com ele. Mas ela falava: ‘meu dia de separar vai chegar’. E no começo desse ano ela se encorajou e resolveu separar”, relata.

Vítima de um relacionamento abusivo, Tatiana se separou em janeiro de 2021, após 25 anos de casamento, mas não foi bem aceita pelo homem.

“Ela falou tranquilamente, que não tinha mais como. Ele nunca teve um bom relacionamento com os filhos, mas ela deixava ele ver a filha mais nova, por ser pequena. Eles chamavam o pai pelo nome, era uma coisa muito fria da parte dele, nunca fez o papel de pai, muito menos de marido.”

Na última semana, a situação ficou ainda mais séria. “Semana passada pra cá, era ameaça de morte todo dia. ‘Eu vou te matar, e vou matar um outro junto, e vai todo mundo junto comigo pro inferno’, ele dizia”.

No entanto, mesmo com as ameaças, Tatiana não pensava que o ex-marido realmente fosse fazer algo de grave, segundo a prima.

“Ela não acreditava, ele chamou pra entregar um dinheiro e ela achava que tudo bem se deparar com ele sozinha. Mas a gente já tinha alertado para ela: ‘é perigoso, não fica com ele sozinha em nenhum lugar, não vai’. Mas ela dizia que ele não faria nada.”

Ainda conforme relata Fernanda, a noite de segunda-feira, data do crime, foi de desespero por parte dos familiares.

“Ele foi atrás de toda a família. No dia que aconteceu, eu tive que vir correndo tirar minha mãe de casa, tirar minha avó do apartamento dela, porque eram os lugares onde ele sabia que elas moravam, e era muito perto da loja de carro dele. Tiramos até a filha dele na escola. Ficou todo mundo apavorado, porque na semana passada ele disse que ia matar ela e levar muita gente junto. Ele ceifou a vida da minha prima, é um assassino, um monstro.”

“Falar da Tati é sinônimo de alegria”

Oposta do ex-marido, Fernanda conta que Tatiana era uma pessoa de ótima relação com a família.

“Ninguém gostava dele, se tinha um evento de família ele comia e ia embora, era antissocial. E ela, por outro lado, era super social, apesar disso tudo quando estava com a gente ela era muito feliz. Era uma super amiga minha, frequentávamos a mesma igreja, ela era uma pessoa do bem, que estava sempre sorrindo. Falar da Tati é sinônimo de muita alegria, não tem outra descrição. Ela vai fazer muita falta.”

Questionada sobre qual legado a prima deixa na vida da família, Fernanda ressalta a felicidade e generosidade de Tatiana.

“Viva sua vida hoje. Viva completamente. Ela batia 50 selfies por dia, publicava no Instagram. Fazia questão de mandar flores quando a gente fazia aniversário, mandava balão com nosso nome, mandava café da manhã. Ela tinha um coração muito generoso. Esse é o legado que ela deixa”, diz emocionada.

Relembre o caso

Nesta segunda-feira (8), o ex-marido de Tatiana pediu que ela o encontrasse em seu local de trabalho, uma loja de automóveis localizada no bairro Estreito, região continental de Florianópolis, para entregar o valor da mensalidade escolar da filha, que havia prometido.

Lá, ele atirou pelo menos sete vezes em Tatiana. O homem ainda teria ido, após o ato, até a casa da mãe da vítima, mas não encontrou ninguém.

Após fugir em um veículo, ele foi preso em Porto Belo. A arma usada no crime foi encontrada na casa do irmão em São José.

De acordo com informações da Polícia Militar, o homem tinha registros policiais por atrito verbal e por lesão corporal dolosa contra mulher.

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