Cacau Menezes

cacau.menezes@ndtv.com.br Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


Primeira vez que ajudo um golpista a dar um golpe quase perfeito em mim mesmo

Não tinha tempo para checar se era mesmo um funcionário do banco ou não, tinha que ir para o aeroporto. E tudo o que ele falava, correspondia como que alguém do banco que me conhecia querendo ajudar.

Na sexta-feira (1º), ao sair da TV para ir para o aeroporto, recebi uma ligação de um homem se passando por um funcionário do banco onde tenho conta. Ele perguntava se eu tinha feito algum pagamento ou transferência naquela manhã via Pix. E eram em série, quatro, cinco repasses de R$ 4.996 a R$ 4.999,00, todos pertos de R$ 5 mil, só mudando os centavos.

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. É prático, rápido e, infelizmente agora, não mais tão seguro.  Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil/NDPix é o pagamento instantâneo brasileiro. É prático, rápido e, infelizmente agora, não mais tão seguro.  Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil/ND

Disse que não havia pego no celular naquela manhã. Então, ele foi me orientando no procedimento para cancelarmos tudo. Abri a conta e já vi de cara que alteraram o limite diurno do Pix três vezes para R$ 50 mil.

O  homem estava muito bem informado para eu ter desconfiado dele. Cheguei a perguntar o nome da agência que ele trabalhava para ver se era a minha e ele acertou.

Vamos lá: fizemos juntos e tudo o que ele perguntava eu respondia. Só disse que eu não precisava revelar a minha senha para ele, que isso não era permitido pelo banco. Ele mandava eu conferir por SMS se estavam chegando as mensagens de cancelamento realizadas com sucesso. Sim, chegavam. Ele mandava eu colocar na conta o número do CPF e telefone no Pix dos supostos criminosos para completar o cancelamento.

E voltamos para a conta. Ele dava um CPF ou um celular dos possíveis criminosos e assim concluímos as operações de cancelamento. Encerramos a conversa com o tal “funcionário” me tranquilizando que, em meia hora no máximo, minha conta estaria normalizada, e que ele iria naquela hora abrir um  B.O contra os golpistas e que entraria com uma ação onde eu seria indenizado, suspeitando de funcionários do próprio banco onde ele “trabalhava”.

E que entre 17 e 18 horas me telefonaria para dar o balanço final de tudo.

Como não telefonou e nem tinha nenhum número do celular com suas ligações, no dia seguinte, sábado pela manhã, liguei para a minha gerente de contas em Floripa relatando a “tragédia” da sexta-feira, e tudo ficou pior.

Trata-se de uma quadrilha muito bem preparada, especializada em golpes de Pix, se passando por funcionários de bancos. É um golpe a cada cinco  minutos no Brasil. Resumindo: viajei com todos os cartões e a conta do aplicativo bloqueados.

Eles são (quase) perfeitos. Porque na segunda tentativa, a segurança do banco já havia desconfiado da fraude pelo meu histórico e segurou tudo. Amanhã a situação deve voltar ao normal, assim espero, com o dinheiro roubado pelos criminosos de volta ao seu lugar de  origem.

Agora é saber como esse criminoso entrou na minha conta. Se o detetive Pitanga estivesse vivo, chegaríamos nele!

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