Professor vítima de racismo em Joinville desabafa: “Não podemos nos calar”

O professor universitário Jonathan Prateat foi alvo de racismo durante seminário online na quinta-feira (27)

“Não podemos nos calar, precisamos falar, debater, isso precisa ir para as escolas, não pode ser normalizado que quando chegamos em um restaurante não tenha um negro, mas se chegarmos em um espaço de periferia, todos são negros”. O professor universitário Jonathan Prateat desabafou após o ataque racista que sofreu em um seminário online na quinta-feira (27), em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

Jonathan foi vítima de ataques racistas no dia 27 de agosto; caso continua sendo investigado pela Polícia Civil – Foto: Reprodução/ND

O ato racista aconteceu no momento que o professor falava sobre ações realizadas em uma comunidade quilombola da cidade. Foi quando hackers invadiram a transmissão, silenciaram o microfone de Prateat e começara a ofendê-lo com mensagens racistas.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e, de acordo com o delegado Rodrigo Gusso, o inquérito foi instaurado nesta semana, mas “ainda é cedo para dar alguma resposta, ainda mais em um caso que demora para identificarmos os responsáveis”.

O professor conta que depois que o caso se tornou público, recebeu muitas mensagens de ex-alunos, colegas, amigos, amigos de fora do país. “Foi muito mais do que eu imaginei, a proporção que isso tomou”, diz.

Prateat ressalta que os casos de racismo não podem ser normalizados e que, além disso, a ausência de negros em espaços de poder e destaque não podem se tornar ‘comuns’.

“Não podemos normalizar a ausência do negro na política, nas universidades, não podemos normalizar piadas sobre negros, como com nenhum outro grupo. Precisamos aprender a respeitar, de fato, a entender que a educação é a grande chave para que isso aconteça”, salienta.

O presidente do Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial, Cleiton José Barbosa ressalta que a entidade recebe, em média, uma denúncia de casos graves de injúria racial a cada três meses e que a entidade busca dar apoio às vítimas, além de promover ações de conscientização.

“A sociedade tem que evoluir muito ainda nesse sentido, até na questão da abertura de espaços para esses grupos de respeito às culturas e também principalmente de respeito às oportunidades. Isso não pode ficar só na lei, isso precisa estar enraizado na vida das pessoas, no dia a dia”, fala.

De acordo com os dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) entre 2018 e 2019, Santa Catarina registrou um aumento de 64% nos casos de injúria racial.

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