Conheça Robson Paim, o professor universitário achado morto em SC

Amigas e ex-colegas relatam a personalidade do professor conhecido pelo carisma e por defender a educação para todos

“Uma pessoa amiga”. Assim era o professor universitário Robson Paim, de 36 anos, achado morto dentro de casa em Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, no último sábado (17). As lembranças que os amigos têm dele são as melhores: um homem de muitas qualidades, inteligente, esforçado e que lutava pela educação para todos.

Professor Robson Paim é encontrado morto dentro de casa em Abelardo Luz – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDProfessor Robson Paim é encontrado morto dentro de casa em Abelardo Luz – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Entre as particularidades do professor, Robson é lembrado entre os colegas como um mestre em resolver as adversidades diárias. Apesar de ter a sua vida muito reservada, o docente tinha carisma de sobra e sabia lidar com todas as situações diárias. Isso é o que relata a ex-colega de trabalho dele, Ivonete Bogo. Eles trabalharam juntos entre 2009 e 2012 na Secretaria Municipal de Educação de Abelardo Luz. 

“Robson era o nosso colega na Secretaria, nosso amigo fora da Secretaria, era nosso parceiro para incentivar a estudar. Ele era aquela pessoa que estava sempre pronta para te ensinar, uma pessoa que estava pronta para te ajudar. Ele sabia de tudo, era o nosso cérebro”, conta a ex-colega de Robson.

Robson recentemente tinha defendido a tese de doutorado na UFSC – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDRobson recentemente tinha defendido a tese de doutorado na UFSC – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Durante o dia, ele trabalhava em Abelardo Luz e, à noite era professor da Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina) em Xanxerê (SC). Em uma das conversas dos dois, o professor revelou à amiga que quando não tinha livros para estudar na infância, buscava conhecimento em dicionários. 

Ivonete ficou sabendo da morte de Robson de forma equivocada, como se fosse um suícidio. Contudo, a polícia diz que familiares do professor o acharam em óbito com sinais de asfixia e indícios de homicídio, mas a causa da morte ainda deve ser confirmada por meio dos laudos do IGP.

Vida de acadêmico

Robson sempre foi um homem dedicado aos estudos. Recentemente tinha concluído o doutorado na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atuava como professor de Geografia na UFFS (Universidade Federal Fronteira Sul), do Campus de Erechim (RS).

Édina Ruaro foi professora de Robson e depois se tornou colega de profissão na Unoesc Campus de Xanxerê. Ela recorda do professor que dedicou a vida aos estudos e que lutava para levar a educação até a sala de aula.

“Para a educação ele foi uma pessoa muito importante. Veio de uma família humilde, estudou em escola pública, ganhou bolsa de estudos e sempre foi um destaque enquanto meu aluno. Participou de inúmeros eventos científicos, tanto que concluiu a graduação e foi direto para o mestrado e posterior o doutorado”, relembra.

Robson trabalhou como professor na mesma instituição em que Édina. Porém, ao passar no concurso da UFFS, conseguiu o cargo de coordenador do curso de Geografia, mas mesmo de longe não media esforços para participar dos eventos da Unoesc e levar o seu conhecimento às pessoas.

“Ele era um professor muito preocupado com a educação pública, a defesa dele era uma educação de qualidade, fazer com que o investimento chegasse até a sala de aula. Ele fazia parte da associação de geógrafos e estudava muito a docência. Quanto à pessoa, o Robson era amigo, um sujeito que estava sempre disposto a ajudar e extremamente bem humorado, ele tinha um humor ácido, ele era muito inteligente”, conta Édina.

Parceiro de café e viagens

Gilvana dos Santos, professora de Abelardo Luz, era uma amiga muito próxima de Robson. Ela conta que inúmeras vezes o amigo ligava para tomar um café na padaria ou até a convidava para um saboroso macarrão do meio dia. Os momentos que passaram juntos foram de alegrias, de tristezas, de viagens para a praia, de acampamentos e de convívio com a família.

“Eu conheci o Robson em meados de 2010 porque fui trabalhar em uma escola do interior e o pai dele era motorista e tinha familiares por lá. De lá para cá a nossa amizade aumentou e foram todos esses anos de muito companheirismo, de algumas viagens, de momentos bons e ruins”, conta Gilvana.

Gilvana era muito amiga do professor Robson e lembra com carinho dos momentos que conviveu com ele – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDGilvana era muito amiga do professor Robson e lembra com carinho dos momentos que conviveu com ele – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Robson tinha a sabedoria de compreender as pessoas. A vida pessoal não se misturava com a vida profissional, inclusive chamava a atenção da amiga quando era necessário.

“Em momento algum ele misturou a amizade com o profissional. Sempre muito responsável, acompanhei muitas noites em que ele trabalhava para dar conta, o trabalho sempre esteve em primeiro lugar, e o restante da vida em segundo plano. Era uma pessoa que pensava no bem social, gostava de participar das lutas sociais e era empenhado em ajudar a comunidade”, conta a amiga.

Apesar de o trabalho ser sua dedicação diária, Robson também se preocupava muito com a família. Gilvana era uma das amigas inseparáveis, tanto que foi privilegiada ao receber o convite para participar da banca de defesa de doutorado.

“Ele tinha poucos amigos, mas esse pouco tinha um vínculo muito forte. Ele era muito família também, tanto que um dos momentos mais importantes pra mim foi ter sido convidada para participar da banca de defesa de doutorado dele, eu olhava para ele e chorava. O Robson sempre foi uma pessoa verdadeira e eu tive a felicidade de compartilhar muitas coisas da minha vida com ele”, conclui a amiga.

Latrocínio: carro foi roubado e abandonado 

O professor universitário foi achado morto em um dos quartos da casa onde morava no município de Abelardo Luz, a cerca de 83 km de Chapecó (SC). O carro dele foi roubado e na mesma noite localizado no município de Almirante Tamandaré, no Paraná, a cerca de 422 km de casa. 

Indícios coletados pela investigação apontam que tenha sido um crime de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. A reportagem procurou a PC (Polícia Civil), mas o delegado responsável pelo caso não se manifestou oficialmente. 

O corpo de Robson foi sepultado no domingo (18), em um cemitério da cidade onde morava.

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