Recuperação do Parque do Tabuleiro pode levar dez anos

Incêndio destriu 850 hectares em três dias. O parque é a maior reserva de Santa Catarina

O incêndio no Parque Estadual Serra do Tabuleiro queimou 850 hectares, menos de 1% da área da reserva espalhada em 17 municípios. O número é dez vezes maior que o primeiro levantamento da Polícia Militar Ambiental. Não haverá relatório sobre animais mortos. Porém, para a flora o prejuízo é grande. O fogo consumiu um terço da região de restinga, planta característica do Litoral. A espécie está ameaçada devido ao crescimento imobiliário nas praias catarinenses. A polícia investiga as causas do incidente.A recuperação do ecossistema pode levar até uma década.

O coordenador do parque, Alair de Souza, explica que ainda podem ocorrer novos focos de incêndio no parque. Segundo ele, a chuva da última quinta-feira foi insuficiente. “A área ainda está em risco, principalmente se as suspeitas de incêndio criminoso forem confirmadas”, alertou o coordenador.

Neste sábado, pesquisadores devem percorrer o local em busca de animais mortos. O levantamento será informal. Segundo Souza, o maior prejuízo foi para a restinga. “Eles vão reportar o que encontrarem, mas não será um Censo completo já que se trata de uma área muito grande”, justificou.
A recuperação do território atingido pode levar até dez anos, o que é considerado rápido pelos administradores da reserva. O coordenador acredita que ano que vem não haverá mais indícios do fogo no local. “A vegetação rasteira se regenera com maior facilidade. Já as árvores características da restinga, demoram um pouco mais. Porém, a recuperação pode não ser completa. Alguns animais podem não voltar para a área.”, avaliou Souza.
O fogo no parque começou na terça-feira (4) e só foi controlado no final da tarde de quinta-feira. Pelo menos 150 pessoas, entre bombeiros, soldados do Exército e voluntários se mobilizaram no combate ao incêndio.

Retranca

A Polícia Ambiental monitora o Parque Estadual do Tabuleiro. Durante o dia, o helicóptero do Corpo de Bombeiros sobrevoa a região próxima a área atingida pelo maior incêndio desde que a reserva foi criada em 1975. A operação será mantida pelo menos até segunda-feira, quando as causas do incidente serão divulgadas.
A suspeita de que o incêndio seja criminoso ganharam força depois que quatro focos foram localizados em pontos distintos da área de preservação. O histórico de ocorrência também contribui para a desconfiança do  coordenador do Parque, Alair de Souza. “Em alguns incêndios, eram pecuaristas em busca de pasto para o gado”, lembrou.

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