Reintegração de posse na sede do Palmerinha mobiliza e revolta comunidade no Porto da Lagoa

Disputa judicial dura mais de 15 anos

Marco Santiago/ND

Crianças das escolhinhas de futebol ficaram sem espaço para seus treinamentos

A sede da Sociedade Esportiva Palmeiras, localizada no Porto da Lagoa, no Leste da Ilha, teve parte de sua estrutura danificada na tarde desta terça-feira, após execução da ordem de Justiça que reconhece Volnei de Medeiros como proprietário da área de 8.020 metros quadrados. O espaço era utilizado pelos associados há mais de 25 anos e foi considerada zona de área verde de lazer pelo poder público, em 2006.

Por volta das 14h, seis viaturas da polícia, uma retroescavadeira e um caminhão carregado de pedras chegaram ao local, onde um grupo de crianças se preparava para iniciar mais um treino de futebol de campo. Segundo testemunhas, munidos de pás, alicates e marretas, trabalhadores enviados por Medeiros removeram os alambrados, retiraram as balizas e começaram a quebrar as estruturas de concreto no entorno do campo. “Eu tenho 66 anos e nunca tinha visto uma coisa destas”, relatou o professor da escolinha de futebol do Palmerinha, Ézio Dutra.

A ação chamou a atenção da comunidade. Dezenas de pessoas se juntaram, em seguida, em frente à sede, onde se encontram os vestiários e um bar, para impedir que se completasse a execução da ordem de Justiça. Com os moradores exaltados, policiamento e o próprio oficial de Justiça optaram por suspender a ação, sob o risco de confronto.

De acordo com o advogado de Medeiros, Lincoln Porto, a Sociedade Esportiva Palmeiras perdeu a posse de toda a área há 15 anos e se manteve no lugar durante esse tempo por meio de embargos, que retardaram a devolução do terreno ao proprietário.

Já o presidente da entidade, Izaias Bittencourt, garantiu que somente 3,1 mil metros quadrados são de propriedade de Medeiros, mas ele espera uma intermediação por parte do poder público em benefício da comunidade da região.

“Havia uma cessão de uso do espaço, mas sem atividade econômica. A partir do momento em que a sociedade cercou o lugar e passou a alugar para benefício próprio, meu cliente pediu o terreno de volta”, afirmou Porto.

“São cerca de 150 crianças atendidas pela escolhinha de futebol e tem atividades durante toda a semana para os moradores daqui. Vamos tentar contato com o prefeito Dario Berger para resolver esta situação”, avisou Bittencourt.

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