Reviravolta: Juiz citado em crime de estupro coletivo vira testemunha do caso

Grupo ND teve acesso, com exclusividade, a documento protocolado nesta quarta-feira (23) no Fórum de Joinville

O juiz que havia sido colocado pela vítima como suspeito de participar de um suposto estupro coletivo em Joinville, em 19 de outubro de 2019, virou testemunha do caso.

É isso que revela um documento, obtido com exclusividade pelo Grupo ND, que foi protocolado no Fórum do município nesta quarta-feira (23).

Documento coloca o juiz como testemunha do caso, e não como suspeito – Foto: Divulgação/NDDocumento coloca o juiz como testemunha do caso, e não como suspeito – Foto: Divulgação/ND

Inicialmente, a jovem de 22 anos, que usou as redes sociais para desabafar sobre o caso, teria acusado o juiz do trabalho de Jaraguá do Sul de participar do abuso. Segundo os documentos, em 30 de abril de 2021, no entanto, o homem passou a ser testemunha do caso, e não mais investigado.

Entre os três homens citados por ela, também está o de um dermatologista famoso de Joinville.

O Grupo ND também teve acesso a toda a cronologia do caso do suposto estupro. Veja:

Grupo ND teve acesso à cronologia do caso -Grupo ND teve acesso à cronologia do caso – Foto: Divulgação/ND

Na terça-feira (22), a Polícia Civil havia concluído o inquérito sobre a denúncia. O caso se tornou público depois que a vítima apresentou suas versões do fato nas redes sociais, no último fim de semana.

O Delegado Pedro Alves anexou todas as diligências requisitadas pelo Ministério Público. O delegado, no entanto, não quis comentar sobre o caso, já que tramita sob segredo de justiça.

Em documentos que a reportagem do Grupo ND teve acesso, o IGP (Instituto Geral de Perícias) afirma que não houve, na época, coleta de sangue ou outro exame, para detectar se a jovem foi ou não dopada por quem estaria no local. Para o abuso, o perito não coletou exames porque os fatos aconteceram na madrugada do dia 20 de outubro de 2019, porém a vítima só foi ao IGP no dia 22 de outubro, passando da janela ideal para esse tipo de exame.

Segredo de justiça

O caso segue em segredo de justiça. Por isso, mesmo com a vítima tendo feito postagens nas redes sociais contando sua versão dos fatos, a reportagem do ND+ não irá divulgar os nomes dos envolvidos.

O juiz da vara do trabalho e o médico dermatologista, citados pela jovem, estariam recebendo ameaças de morte.

Em outro documento que a reportagem teve acesso, a jovem informou que fez as postagens seguindo a orientação de um advogado.

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