Sigilo da polícia na queda do diretor da Deic Claudio Monteiro

Na próxima segunda-feira delegado deverá se reunir com cúpula da Polícia Civil para definir seu destino dentro da corporação

Janine Turco/ND

Monteiro responde sindicância, mas motivo não é revelado

O delegado Claudio Monteiro, que na semana passada prometeu prender os assaltantes de bancos de Santa Catarina, foi exonerado nesta quinta-feira (5) para responder investigação conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil. Monteiro estava a frente da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) desde 2005. Na segunda-feira (9), ele deverá se reunir com a cúpula da Polícia Civil. A exoneração de Monteiro, assinada no início da semana, vinha sendo mantida em sigilo pela  Instituição. O motivo pelo qual o delegado é investigado não foi revelado.

Até esta quinta-feira não havia explicações sobre a demissão nem sobre a sindicância interna que Monteiro estaria respondendo. Por telefone, o delegado geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’ Ávila, lamentou a saída do colega e considerou excelente o trabalho que ele fez durante quatro anos como diretor da Deic. Segundo o chefe da Polícia Civil, a situação de Monteiro está sendo apurada pela corregedoria. “Primeiro vamos apurar para depois julgar. Irei conversar com ele na segunda-feira para decidir para onde ele irá ser removido”, afirmou Aldo.

A saída de Monteiro, noticiada pelo NDonline na manhã desta quinta-feira (5), só foi confirmada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) no início da tarde. Como esta quinta-feira é véspera de feriado, ponto facultativo no Estado, a queda do número um da maior divisão de investigações de Santa Catarina (Deic da Capital), deverá atravessar o feriadão sem manifestações oficiais.

A assessoria de imprensa da SSP informou que a decisão de afastar Monteiro do cargo seguiu critérios técnicos e limitou-se a revelar que os fatos estão sendo investigados. No entanto, os motivos que levaram a decisão ainda é um mistério.

Declaração polêmica

Na terça-feira, em entrevista coletiva após a prisão de assaltantes de caixas eletrônicos, Claudio Monteiro fez declarações polêmicas: “Se vierem para SC, podem ter certeza: vão ser presos ou mortos. Porque se vier para o confronto, nós vamos matar”, disse o delegado. A declaração de Monteiro chegou a ser relacionada com a sua queda, e teria sido o motivo da sua exoneração. Fato que foi desmentido por membros da SSP, que informaram que policial deixou o cargo por questões administrativas.

O Jornal Notícias do Dia procurou o Monteiro, mas ele não atendeu ao telefone. O secretário da SSP, Cesar Grubba, também não foi localizado para falar sobre o assunto. Na Deic poucos sabiam o que realmente aconteceu. O delegado Renato Hendgens, que trabalhou com Monteiro durante os anos em que ele esteve à frente da diretoria, disse não saber os reais motivos da exoneração do colega. “Estou surpreso, trabalhávamos juntos, mas confesso que não sei os motivos”, disse Hendgens.

Cláudio Monteiro nasceu em 1975 em Florianópolis e se formou em direito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em 2002. Na polícia ocupou os cargos de delegado da em Navegantes, em 2003; delegado da DIC (Divisão de Investigação Criminal), em 2004, e, desde 2005, estava na Deic. Durante anos, Monteiro comandou investigações de combate ao tráfico de drogas e atualmente era diretor.

Claudio Monteiro ficou nacionalmente conhecido durante as negociações do sequestro de Benta Pivatto e seu filho Igor, em 2009, na cidade de Penha. Durante as investigações, o delegado descobriu um vídeo onde o acusado de comandar o sequestro, Rafael Borba, ensinava o filho e a sobrinha a roubar e a matar.

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