Sonho de viver nos EUA termina em morte de brasileira por sede e fome; entenda

Técnica em Enfermagem Lenilda Oliveira dos Santos, de 49 anos, vivia em Rondônia e não resistiu à travessia México-EUA; antes de morrer em deserto, ela narrou desespero em áudios

O sonho de começar uma nova vida nos EUA terminou em tragédia para a técnica em Enfermagem Lenilda Oliveira dos Sant0s, de 49 anos, que vivia em Rondônia. Ela morreu de sede e fome enquanto atravessava o deserto do Novo México rumo aos Estados Unidos, onde planejava morar.

Segundo familiares do Brasil, ela teria sido abandonada pelo coiote – como são chamados os guias que atravessam pessoas de forma ilegal de um país para o outro – e pelo grupo que a acompanhava após passar mal devido ao calor do deserto e precisar interromper a caminhada.

Técnica em Enfermagem morreu em deserto no Novo México enquanto tentava chegar em solo americano – Foto: Reprodução Redes SociaisTécnica em Enfermagem morreu em deserto no Novo México enquanto tentava chegar em solo americano – Foto: Reprodução Redes Sociais

Segundo reportagem do Jornal O Globo, Lenilda teria entrado em contato com parentes que vivem em Massachussets, nos EUA, avisando que havia se separado do grupo de travessia e que estava sem água. Relatos à polícia informam que Lenilda compartilhou sua localização, mas a família só conseguiu comunicar a polícia cerca de três dias após o último contato com Lenilda.

Em áudios enviados à família, a técnica em Enfermagem relatou exaustão e sede a poucos quilômetros do seu destino. Nas mensagens, ela oscilava entre a esperança de ser resgatada pelos companheiros de travessia e o medo de morrer no local.

“Eu dormi aqui, não aguentei. Estou sozinha, mas eles estão vindo me buscar, pode ficar de boa”, disse Lenilda ao irmão no último áudio que enviou por celular para ele em 7 de setembro, 24 horas após ser deixada pelo grupo.

Últimos momentos:

A técnica em Enfermagem se mostrava esperançosa prestes a realizar seu sonho de chegar aos EUA. “Eu já estou chegando, tá faltando pouquinho para chegar e eu não aguentei (…) Mas estou bem, eles estão vindo me buscar”, relatou, demonstrando que aguardava o retorno do coiote.

Na sequência, ela ainda tentou passar sua localização. “Deixa eu te falar, eu vim direto, atravessei a cerca e vim direto. Não tem erro. Eu estava debaixo daquela rede de internet, de energia; atravessei a cerca e vim direto, reto”, disse.

Mostrando sinais de desidratação, Lenilda pediu para que a família entrasse em contato com as pessoas do grupo e que avisassem onde ela estava para que levem água.

“Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, implorou em áudio.

Segundo o brasileiro Kleber Vilanova, morador de Ohio, nos EUA, cuja empresa atua na área de imigração, Lenilda
conseguiu enviar seu último pedido de socorro para familiares a partir de um celular com chip do Brasil.

“Nesse telefone, ela conseguiu força suficiente para mandar a localização para um parente no Brasil. Nos áudios, que são terríveis, ela falava que estava morrendo de sede, que não estava aguentando. A família começou a agir imediatamente”, informou Kleber, explicando ter sido procurado no último fim de semana.

Ela foi localizada em uma região ampla de deserto cuja residência mais próxima ficava a 400 metros.

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Polícia

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