Tablet da viatura não tinha problemas no dia do desaparecimento de Diego Scott em SC

Após pouco mais de seis meses, família segue em busca de Diego Scott que desapareceu após entrar em viatura da PM em Laguna, no Sul de SC

O IGP (Instituto Geral de Perícias) finalizou a perícia no tablet que estava na viatura utilizada pelos policias militares na abordagem a Diego Bastos Scott, 39 anos em Laguna. A conclusão é de que o aparelho não estava com problemas de funcionamento. O tablet estava desligado na hora da abordagem dos policiais.

Diego segue desparecido após pouco mais de seis meses. Ele sumiu após a abordagem de dois policiais, após serem acionados pela família, que o levaram na viatura da Polícia Militar (PM) no município do Sul de Santa Catarina.

Diego Scott, 39 anos, está desaparecido desde o dia 15 de janeiro – Foto: Arquivo Família/NDDiego Scott, 39 anos, está desaparecido desde o dia 15 de janeiro – Foto: Arquivo Família/ND

De acordo com o laudo do IGP não foi localizado vestígios de falhas que possam ter ocasionado o desligamento do tablet no período das 16h30 às 17h30 no dia 15 de janeiro, quando foi registrado o sumiço de Diego. Caso estivesse ligado, o tablet presente na viatura da PM poderia indicar a localização do veículo.

De acordo com o advogado da família de Diego, o laudo vai de encontro com a versão dos policiais de que o aparelho estaria desligado devido a um problema de funcionamento.

“Só comprova mais uma contradição no depoimento dos PMs que afirmaram que o tablet teria desligado sozinho. O MP (Ministério Público) vai analisar e aguardamos pra ver se a denúncia será adotada”, comenta ele.

Laudo foi pedido pela PM

O laudo foi um pedido do 28º Batalhão de Polícia Militar de Laguna e foi encaminhado para a Justiça Militar Estadual (JME). Ele foi solicitado pelo 28º BPM durante o Inquérito Policial Militar. Como o procedimento já foi encerrado, ele foi encaminhado diretamente para a Justiça. O tablet segue no 28º BPM fora de uso até o final do processo.

Os dois policiais envolvidos na ocorrência já foram denunciados na Justiça Militar por prevaricação e falsidade ideológica pela 5ª promotoria de Florianópolis que trata de crimes militares.

A PM foi procurada pela reportagem do portal ND+ e não se manifestou até a publicação desta reportegem. O espaço está aberto.

Relembre o caso

Com problemas de alcool e drogas, Diego Bastos Scott, 39 anos, as vezes incomodava a família. Costumeiramente a Polícia Militar era acionada para acalmar os ânimos, já que ele respeitava os policiais. Porém no dia 15 de janeiro, após mais uma chamada da família à PM ele não retornou para casa.

No dia do sumiço, 15 de janeiro deste ano, Diego saiu pela manhã e foi até um posto de gasolina onde começou a beber. Depois foi para a casa do pai e iniciou uma discussão pelo fato de ele o ter encontrado no Posto. Edson Scott tentou explicar que ele não estava perseguindo Diego, mas que tinha ido comprar um cigarro para a esposa.

Câmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVCâmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Após Edson chamar a Polícia, Diego voltou ao posto, onde os policiais supostamente o abordaram e tiveram uma conversa com ele para que não voltasse para casa. Já no período da tarde, ele voltou à casa e novamente a Polícia foi acionada. A mesma viatura com os mesmos policiais do período da manhã, atenderam a ocorrência novamente.

Eles conversaram com Diego e ele voltou para dentro de casa. Depois de um tempo ele pegou um cigarro e um isqueiro e foi para a frente da residência. Após cerca de 20 minutos, os policiais novamente apareceram na casa e chamaram a esposa de Diego informando que ele não iria mais incomodar.

Vizinhos, então, informaram a ela que os policiais haviam levado Diego na viatura da PM.  Uma câmera de segurança flagrou o momento que eles o colocaram dentro da viatura. Após este fato, os policiais alegaram que o haviam abandonado na região de Laguna Internacional. Buscas com cães, helicóptero e com ajuda de amigos e familiares foram feitas, mas ele não foi encontrado.

Família segue em busca de respostas

A família de Diego segue em busca de respostas sobre o que aconteceu com ele. Em entrevista recente ao repórter da NDTV Criciúma, Juno César, o pai dele, Edson Scott, ex-jogador, acredita que ele possa estar morto.

“Ele não tá mais sumido. Por isso que a gente desacreditou que ele tá desaparecido. Ele tá é morto. Mas onde? Aquele negócio se não tiver corpo não é assassinato”, lamentou Edson.

O irmão de Diego, Antônio Scott destacou a época que a família está isolada e acabada.

“A família está acabada, isolada, a cada dia estamos morrendo. Chegamos em casa aqui vemos nossos pais nesse estado. Eu como professor trabalho faz 20 anos no Estado, nunca me afastei, tive que me afastar agora. Meu outro irmão professor de Educação Física também está acabado”, contou.

Assista à reportagem do Cidade Alerta:

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