Traficantes que despachavam drogas para Europa pelos portos de SC são presos nesta quinta

Megaoperação da Polícia Federal foi deflagrada na manhã desta quinta (10) em cinco estados brasileiros; quadrilha tinha terminal logístico com informações e esquemas dentro de portos catarinenses

Após meses de investigações, a PF (Polícia Federal), em parceria com a Receita Federal, deflagrou, na manhã desta quinta-feira, em Santa Catarina, a megaoperação ‘Shipping Box’ contra um grupo criminoso que despachava drogas por navios saídos de portos do Estado. A operação está sendo realizada em cinco estados.

A operação recebeu este nome numa alusão, em inglês, ao método de atuação da organização criminosa que usava o sistema de despacho marítimo de drogas escondidas em contêineres.

Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e 29 pessoas já foram presas. Outras cinco continuam foragidas. Na região de Joinville foram 12 prisões, enquanto 18 foram feitas em Itajaí. Em um dos mandatos, o suspeito foi encontrado na casa do vizinho, escondido atrás de uma caixa d’água. Em outro, um homem, ao ver os policiais, quebrou um celular.

O grupo criminoso investigado por tráfico internacional de drogas criou um terminal logístico para ter acesso as informações dos portos e, assim, mandar entorpecentes para a Europa.

Durante o cumprimento de um dos mandados, um homem quebrou um celular com a chegada da polícia – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoDurante o cumprimento de um dos mandados, um homem quebrou um celular com a chegada da polícia – Foto: Polícia Federal/Divulgação

As investigações sobre o caso começaram em janeiro desse ano quando 600kg de cocaína que estavam escondida dentro de uma carga de madeira no Porto de Itapoá foram apreendidos. O destino da droga era a Bélgica.

Segundo a PF, parte da droga vinha da Bolívia e, ao chegar no Brasil, era colocada em containers a bordo de navios que iam para a Europa. Já outra parte era distribuída para organizações criminosas com o intuito de abastecer o tráfico de drogas no país.

Enquanto a droga não era distribuída, ela permanecia escondida em chácaras ou sítios, aguardando o dia para o carregamento.

Carros de luxo dos suspeitos foram apreendidos na operação – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoCarros de luxo dos suspeitos foram apreendidos na operação – Foto: Polícia Federal/Divulgação

Por que Santa Catarina?

Um dos motivos para que Santa Catarina se tornasse roteiro para o tráfico de drogas é a facilidade do transporte marítimo. Por conta disso, eles criaram esquemas dentro dos portos para fazer o transporte, inclusive com a ajuda de funcionários.

Segundo a PF, os traficantes tinham comparsas dentro dos portos. Por exemplo, os criminosos entravam dentro dos portos com caminhões que continham as drogas escondidas em fundos falsos. O funcionário envolvido no esquema fazia manobras para que a carga não passasse pelo scanner e chegassem aos containers que já haviam sido fiscalizados.

Outra estratégia adotada foi a criação de um terminal logístico para ter informações privilegiadas, como a rota dos navios e o números dos lacres desses containers. Como eram empresas ‘legais’, não havia desconfiança quanto ao real interesse do transporte de mercadorias.

Criminosos chegaram a criar uma empresa para que pudesse fazer o transporte da droga – Foto: Polícia Federal/Divulgação Criminosos chegaram a criar uma empresa para que pudesse fazer o transporte da droga – Foto: Polícia Federal/Divulgação 

Durante a operação foram apreendidos carros de luxo, dinheiro -incluindo cédulas estrangeiras -, armas, anotações e lacres de containers de mercadorias. A PF também já pediu o sequestro de 68 veículos, 23 imóveis e duas embarcações, além do bloqueio de 30 contas bancárias dos investigados.

Além do resultado desta quinta-feira, em um ano e meio de investigações já foram apreendidas seis toneladas de cocaína e oito pessoas foram presas. Há a suspeita de que a quadrilha também esteja envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro através da aquisição de ouro e criptomoedas.

Eles serão autuados por tráfico de drogas e formação de organização criminosa. As penas ultrapassam 30 anos de prisão.

*Com informações da repórter Kelly Borges, da NDTV

Um celular também foi encontrado dentro de um saco de arroz – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoUm celular também foi encontrado dentro de um saco de arroz – Foto: Polícia Federal/Divulgação

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Itajaí e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Polícia