Vítima da chacina em escola de SC sonhava ser professora

Mirla Renner, 20 anos, ajudava as professoras da creche atacada na manhã desta terça-feira (4); estudante de engenharia química, queria fazer intercâmbio no Canadá

Um ato com requintes de crueldade abalou a pacata Saudades, no Oeste de Santa Catarina, na manhã desta terça-feira (4). A cidade com menos de dez mil habitantes foi palco de uma chacina que ceifou sonhos, dilacerou famílias humildes, educadoras dedicadas e vidas inocentes.

Mirla Renner, vítima da chacina de Saudades, no Oeste do EstadoMirla Renner, vítima da chacina em Saudades, no Oeste, queria ser professora – Foto: Reprodução/ND

Fabiano Kipper Mai, 18 anos, descrito pela própria família como antissocial e problemático, invadiu a escola infantil Pró-Infância Aquarela e, com uma espada ninja, matou cinco pessoas de forma covarde.

Na tragédia, foram brutalmente assassinadas a professora Keli Adriane Aneceviski, de 30 anos, e a auxiliar de sala Mirla Renner, 20 anos. Fabiano também matou três crianças: Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, Anna Bela Fernandes de Barros, 1 ano e 8 meses, e Murilo Missing, 1 ano e 9 meses. Uma quarta criança também foi atingida, mas sobreviveu.

O sonho de ser professora

Dainizi Zugno, 26 anos, é prima de Mirla Renner, uma das cinco vítimas da chacina em Saudades. Segundo ela, Mirla era uma jovem muito dedicada aos estudos e carinhosa com os pais, em especial com a mãe, Neusa Renner Costa. O pai de Mirla é Marcos Antônio Costa. Ambos foram a Chapecó reconhecer o corpo da filha ainda na terça-feira (4).

Em função da pandemia, os encontros familiares diminuíram. Dainizi conta que viu a prima no último final de semana, na praça da cidade. Pela correria da vida adulta, as primas estavam mais distantes nos últimos anos, porém, conviveram muito na adolescência.

Mirla Renner sonhava ser professoraEstudante de engenharia química Mirla Renner tinha 20 anos e queria fazer intercâmbio no Canadá – Foto: Reprodução/Facebook/ND

“Ela gostava de estudar, queria ser professora e sempre estava em casa, mais junto da mãe, porque o pai era caminhoneiro”, explica a prima. Segundo ela, Mirla estava há dois anos na Aquarela, onde atuava como agente educativa. Ela ajudava as professoras a cuidar das crianças.

“Estudava engenharia química, na Udesc, de Pinhalzinho. Trabalhava na creche de dia e à noite ia para aula, todos os dias”, relata a prima de Mirla.

A jovem assassinada nasceu em Saudades e sempre morou na cidade natal. Nas férias do fim de ano, esteve em Palhoça, na Grande Florianópolis, com amigos de Saudades para ir à praia.

“Dedicada, carinhosa com a família. Estamos abalados, meu avô chegou do hospital, ficou bem mal”, conta Dainizi, emocionada.

Toda a família se reuniu na casa dos avós de Mirla após a tragédia, aguardando o retorno do corpo da jovem, que sonhava ser professora.

Parentes de Florianópolis e do Mato Grosso estavam a caminho da cidade do interior do Estado para participar do velório coletivo das vítimas. Tia de Mirla, Marta Costa também estava muito abalada com a perda precoce da sobrinha.

“A gente não tem nem palavra! É uma dor que não tem tamanho, insuportável. Era uma filha maravilhosa, obediente, carinhosa. Os pais faziam de tudo por essa filha. A vida deles era ela”, disse Marta.

Cheche palco da tragédia que vitimou cinco pessoasCreche teve aulas suspensas e as atividades da Secretaria de Educação canceladas até 7 de maio – Foto: Willian Ricardo/ND

No dia 29 de janeiro, Mirla completou 20 anos. Sonhadora, queria fazer intercâmbio no Canadá depois de terminar a faculdade. O sonho foi interrompido.

“No domingo [2 de maio] a gente estava conversando sobre isso. Ela tinha um futuro brilhante muito inteligente, estudiosa. Meu irmão está acabado!”, relata Marta.

Enterro e velório

A expectativa é de que os familiares das vítimas possam se despedir dos seus entes ainda na madrugada de terça para quarta-feira (5), quando os corpos retornam a Saudades para o velório.

O enterro está previsto para a manhã de quarta, em cerimônia organizada pela Prefeitura de Saudades, com todas as vítimas. O local escolhido para a despedida foi o Módulo, um ginásio esportivo localizado na entrada de Saudades.

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