Projeto de prevenção à violência sexual infantil usa redes sociais em Joinville

Projeto Proteja uma Criança iniciou em 2019 e, devido à pandemia do coronavírus, se adaptou utilizando as redes sociais para chegar aos pais e responsáveis

Criado no final do ano passado, o projeto Proteja uma Criança teve que se reinventar em tempos de isolamento social. Desenvolvido pela Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) de Joinville, Norte do Estado, o projeto viu nas redes sociais uma ferramenta importante para dar continuidade às ações de prevenção à violência sexual infantil.

Projeto tem o objetivo de prevenir a violência sexual infantil e usa as redes sociais para manter atividades durante a pandemia – Foto: Pixabay/NDProjeto tem o objetivo de prevenir a violência sexual infantil e usa as redes sociais para manter atividades durante a pandemia – Foto: Pixabay/ND

Sem a possibilidade de realização de oficinas presenciais, método adotado inicialmente, as redes sociais passaram a ter esse peso na divulgação e desenvolvimento de atividades para combater e prevenir a violência.

“O mais bacana é que ele vem com uma proposta de fazer uma reflexão com os adultos responsáveis, ensiná-los a lidar com essa criança para que ela possa compreender os seus limites e possa dizer não quando alguma situação for desconfortável para ela. Isso está diretamente ligado a violência sexual”, ressalta a delegada Georgia Bastos.

Ela explica que, devido à quarentena, a delegacia precisou se reinventar na proposta inicial do projeto, que era de oficinas presenciais. Em 2019, foram realizadas cinco oficinas e uma estava marcada para acontecer neste mês de abril.

“Precisamos nos reinventar e, ao mesmo tempo, alcançar um público maior. A proposta foi de fazer o material e disponibilizar para todo o público, no sentido de fazer em casa com suas crianças, de ensinar, prevenir e também criar um círculo de proteção. Sabemos que neste momento de isolamento social esse tipo de crime é potencializado, então é uma oportunidade de trabalhar com eles através das redes sociais”, ressalta.

Vídeos mostram atividades para realizar em casa

No Instagram do projeto, vídeos são publicados orientando os pais a desenvolver atividades que tem como objetivo informar e desenvolver a criança em diversos temas que são relacionados à prevenção à violência sexual.

Para a psicóloga policial Cristina Maria Weber, o objetivo é agir antes que as violências aconteçam. “Existem diferentes formas de prevenir e a principal delas é a informação. Então, uma criança bem informada vai ter ferramentas para se proteger”, diz.

Ela ressalta ainda a importância da intimidade e do diálogo entre pais e filhos. “Se eu falo com o meu filho a respeito de qualquer assunto, fica mais fácil conversar sobre um assunto mais difícil”, salienta.

Ela explica que os vídeos são publicados nas redes sociais orientando os pais a desenvolver atividades com as crianças, todas elas voltadas à prevenção. Uma das atividades se chama “O corpo”, maneira lúdica de ensinar as crianças sobre a denominação de diferentes partes de seus corpos.

A psicóloga destaca ainda uma das primeiras atividades propostas e que tem como objetivo a valorização da criança.

“O baú do tesouro é uma atividade onde a criança é engajada a olhar dentro de um baú para saber o que é mais valioso. Ela se depara com a própria imagem refletida no espelho e, com isso, trabalhamos o quanto ela é importante para que ela encontre valor nela mesma. A atividade vai trabalhar o valor que cada criança tem. É sutil e vai abrir caminhos para tratar de outras questões”, reforça.

O projeto tem perfis e páginas específicas nas redes sociais com o nome Proteja uma Criança e as propostas são publicadas diariamente.

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