Reforço para a área de segurança pública em Joinville

Governo do Estado promete criar divisão especializada em investigação de homicídios

Carlos Junior/ND

Central de monitoramento através de câmeras ajuda no controle da criminalidade

Um reforço importante para a área de segurança em Joinville foi garantido nesta segunda-feira (30) com a inauguração de uma central de controle de videomonitoramento, além de uma estrutura administrativa para policiais, na sede da 3ª Companhia de PM (Polícia Militar), instalada em frente ao Perini Business Park, no Distrito Industrial. A solenidade contou com a presença de lideranças políticas e empresariais, como o governador Raimundo Colombo (PSD) e o secretário de Segurança Pública, Cesar Grubba.

Já ativadas durante o evento, as 142 câmeras – 100 novas e digitais e outras 42 analógicas existentes – devem auxiliar no combate da criminalidade na cidade mais populosa do Estado, que possui qualificação técnica para receber até 311 equipamentos de vigilância. O investimento do Estado foi de R$ 1,6 milhão, além de R$ 1,2 milhão da iniciativa privada. “Com as câmeras de videomonitoramento, ganhamos muito em eficiência e resultado. Um ganho de qualidade muito significativo”, enfatizou o governador.  

O reforço vem num momento em que Joinville enfrenta uma realidade preocupante na segurança. “Os índices de homicídios estão fora do controle”, admitiu o secretário. Segundo ele, a cidade saiu do percentual considerado normalidade da OMS (Organização Mundial da Saúde). A taxa está em 19 pontos por grupo de 100 mil habitantes. De janeiro até agora, a cidade já registrou 110 homicídios, considero um número alarmante. A estratégia para combater essa estatística será estruturar a DIC (Divisão de Investigação Criminal) para torná-la em uma delegacia de homicídios, garantiu Grubba.

“Vamos fazer uma reengenharia das delegacias de polícia em Joinville, da DIC, adotando a divisão de homicídios como uma força-tarefa permanente e contínua – com a contratação de aposentados do CTISP [Corpo Temporário de Inativos da Segurança Pública] para substituir os policiais do serviço administrativo, que vão focar na investigação de homicídios em Joinville”, afirmou o secretário.

Ainda conforme ele, a modalidade de contratação de policiais inativos já está há bastante tempo em uso no Estado. “Vamos fazer um levantamento, inclusive de policiais civis, para colocarmos na DIC e transformá-la numa verdadeira delegacia de homicídios. Vamos deslocar os policiais de processo administrativo na regional em delegacias para essa divisão de homicídios, e colocando em seus lugares o policial civil aposentado.” Grubba não deu prazos.

O secretário se reuniu com o promotor de Justiça Ricardo Paladino, nesta segunda à tarde, antes da solenidade, para discutir os índices de homicídios. “Não se pode admitir que apenas 25% (1/4 dos homicídios) são investigados e, quando são investigados, muitos não permitem denúncia e a maioria acaba sendo arquivado. Isso gera um círculo vicioso de impunidade”, emendou.  

Em Santa Catarina, há 1.200 policiais militares trabalhando pelo CTISP, sendo 600 na Polícia Militar e os demais em instituições, como Ministério Público, Tribunal de Justiça.

Imagens monitoradas pela companhia

As imagens das 142 câmeras – 100 novas e digitais e outras 42 analógicas existentes – serão monitoradas pela 3ª Companhia da Polícia Militar e pela Central de Regulação de Emergência anexa ao 8º Batalhão de Polícia Militar. Cerca de 50 policiais devem atuar na unidade. De acordo com a secretaria, outras duas centrais estão em processo de execução sendo uma no 17ª BPM e outra no bairro Aventureiro.

Das 100 novas câmeras de vigilância, 60 já estão instaladas e operam em vários pontos da cidade. A previsão é concluir a ativação até dezembro. A secretaria deve licitar mais 100 no próximo ano. O programa Bem-Te-Vi Segurança por Videomonitoramento funciona em 67 cidades catarinenses e outras 30 estão em processo de execução. Com tudo concluído, Santa Catarina terá 3 mil pontos de videomonitoramento em 150 cidades.

O evento também contou com a presença do prefeito Udo Döhler (PMDB), do comandante-geral da Polícia Militar, Paulo Henrique Hemm e do presidente do condomínio empresarial, Marcelo Hack.

Governador fala na Acij

Depois da solenidade, Colombo fez palestra na Acij (Associação Empresarial), a convite de empresários. Pleitos antigos de Joinville nas áreas da saúde, segurança e mobilidade voltaram a ser feitos ao governador, na noite desta segunda-feira. A entidade reforçou reivindicações como a construção de um novo hospital, mais policiamento, instalação de uma delegacia especializada em investigação de assassinatos.

Ao mesmo tempo, empresários solicitaram mais agilidade na realização dos projetos e das promessas de instalação de mais câmeras de segurança, duplicação da Santos Dumont, da Dona Francisca e da Hans Dieter Schimidt e Edgard Nelson Meister. Segundo o presidente da Acij, João Martinelli, o Estado tem atendido às demandas de Joinville, mas não na velocidade ideal para a urgência que pedem algumas áreas.  “O governador conhece as nossas reivindicações. A gente não pode se queixar dele. Podemos questionar a velocidade. A duplicação da avenida Santos Dumont, instalação de câmeras de vigilância programadas para esse ano estão andando.”

A construção de um novo hospital em Joinville continua na pauta, segundo Martinelli. O líder disse que, no momento, a ajuda do Estado foi a de reformar o Hospital Regional. Sobre o pedido do prefeito Udo Döhler (PMDB) para que o governo estadual assuma a folha de pagamento do Hospital Municipal São José, o empresário disse que “gera precedente”. “Na verdade o pedido vem porque a Prefeitura não consegue assumir esses custos e fica sem fazer investimentos.”

Martinelli também defende a criação de uma delegacia especializada em investigação de homicídios. “É preciso identificar e combater o tráfico. O grande volume de crimes está ligado ao trafico de drogas.”

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