Sem notícias da filha há dois anos, pai joinvilense mantém esperança de reencontrá-la

Ágatha Nunes foi levada pela mãe há quase dois anos, e nunca mais foi vista; a guarda da menina era compartilhada e pai conseguiu guarda definitiva 15 dias depois do desaparecimento

“É triste demais. Toda vez que eu lembro é uma tristeza, é uma ferida que não cicatriza”. A ferida de Douglas Felipe Rodrigues não cicatriza há quase dois anos, desde o dia em que o telefone tocou e, do outro lado da linha, a direção da escola avisou que a filha, Ágatha Nunes, de apenas seis anos, não estava mais frequentando as aulas.

Ágatha completa 9 anos em julho deste ano e pai não a vê há dois anos – Foto: Arquivo PessoalÁgatha completa 9 anos em julho deste ano e pai não a vê há dois anos – Foto: Arquivo Pessoal

Douglas dividia a guarda de Ágatha com a mãe da menina, Idiamara Nunes, e, a cada semana, a garota vivia em uma das casas, uma no bairro Bom Retiro e outra no Vila Nova. Ele lembra que deixou a filha na escola em uma quarta-feira onde a mãe a buscaria como ocorria todas as semanas.

Na sexta-feira da mesma semana, recebeu o contato da escola, informando que a menina não havia mais ido às aulas. “O último contato que tive com a minha filha foi quanto a levei na escola naquele dia. Ela tinha ficado comigo uma semana, a residência-base era a minha casa. Então, eu a levei pra escola, normalmente, foi tudo normal”, relembra. Era maio de 2018.

No boletim de ocorrência feito na Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), o pai conta que tentou encontrar a mãe de Ágatha e sua ex-companheira, mas foi surpreendido ao perceber que ela já havia, inclusive, alugado o apartamento dela e desaparecido sem deixar rastros.

Ágatha se dividia entre as casas do pai e da mãe e desapareceu depois que a mãe a buscou na escola – Foto: Arquivo PessoalÁgatha se dividia entre as casas do pai e da mãe e desapareceu depois que a mãe a buscou na escola – Foto: Arquivo Pessoal

Ele ainda lembra do momento em que chegou ao apartamento de Idiamara e foi recebido por outra pessoa. “Outra pessoa atendeu e disse que havia alugado o apartamento. Ela [a mãe] não deu nenhum sinal e a minha filha também não relatou nada. Uns dois meses antes, nós tínhamos passado por uma audiência e eu tinha pedido a guarda total da minha filha”, conta.

A sentença, no entanto, saiu tarde demais. Cerca de 15 dias após o desaparecimento de Ágatha, Douglas ganhou a guarda da filha.

Caso é tratado como subtração de incapaz

O pai de Ágatha afirma que a mãe, Idiamara, planejou levar a filha. “Ela fugiu com a minha filha, alugou o apartamento, vendeu o carro. Ela planejou tudo. A polícia investigou, mas ninguém sabe onde ela está. O irmão, que tinha mais contato e mora em Joinville, diz que não sabe de nada”, diz.

As lembranças que ficaram são de uma menina comunicativa, amorosa e agitada. “A cada meia hora, ela dizia que me amava. Ela gostava de brincar, de ouvir histórias, de passear e se visse alguém já puxava um assunto, falaria do cabelo, da roupa, ela era muito comunicativa. E não gostava de ficar em casa. Falava que ficava entediada”, lembra o pai.

Caso é tratado como subtração de incapaz – Foto: Arquivo PessoalCaso é tratado como subtração de incapaz – Foto: Arquivo Pessoal

A investigação foi iniciada na Dpcami e o caso foi tratado como subtração de incapaz e não sequestro. O caso foi enviado para o Ministério Público e está sob responsabilidade do promotor Felipe Prazeres Salum Müller. A investigação continua, mas consta como sigilosa e, por isso, a promotoria não pode divulgar informações a respeito.

Apesar de quase dois anos sem qualquer notícia da filha, Douglas mantém a esperança de fazer valer a sentença e de poder ler, mais uma vez, histórias para a filha que completa nove anos no dia 9 de julho deste ano.

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