Traficantes que levavam drogas sintéticas para o RS serão recambiados para Florianópolis

Nos últimos três anos, as Polícias Federal e Estadual têm fechado vários laboratórios caseiros e apreendidos prensas hidráulicas e outros equipamentos para confeccionar o ecstasy.

Na próxima semana, agentes da Delegacia de Combate às Drogas de Florianópolis devem viajar a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para buscar duas pessoas apontadas como traficantes de drogas sintéticas. Os dois eram responsáveis por levar ecstasy fabricado em Florianópolis para festas eletrônicas gaúchas. Ambos fazem parte de uma quadrilha que fabricava em série os comprimidos em laboratório caseiro no Sul da Ilha.

Produção diária de 30 mil comprimidos - Divulgação/ND
Produção diária de 30 mil comprimidos – Divulgação/ND

As primeiras pílulas do amor, como eram chamados os comprimidos, chegaram em Florianópolis em 2003. Catarinenses viajavam para a Europa levando pequenos carregamentos de cocaína pura, presos ao corpo, e retornavam com a famosa pílula do amor consumida em festas raves, com muita água. O entorpecente ganhou este nome por apresentar propriedades altamente estimulantes com fama de afrodisíaco.

Três anos depois, a Polícia Federal desencadeou a Operação Playboy e desarticulou uma rede de “mulas”.  Jovens bem-sucedidos da classe média alta que falavam fluentemente inglês eram requisitados para levar cocaína à Europa e retornar com droga sintética. Com a repressão policial, os mulas começaram a trazer apenas o princípio ativo do entorpecente (MDMA) por ser mais fácil de ludibriar a vistoria nos aeroportos. A fabricação da droga passou a ser feita na Ilha da Magia.  

“Cada comprimido contém apenas 10% de MDMA, o restante é celulose. Os traficantes preparam a massa, levam-na  ao forno para assá-la  e depois passam  na prensa para fabricar os comprimidos”, ressaltou o delegado da Polícia Federal, Gustavo Emílio Trevisan Moch. Atualmente, a droga sintética vem sendo produzida em larga escala em laboratórios improvisados em apartamentos e casas residênciais. 

>> Veja como era a produção em Florianópolis

Nos últimos três anos, as Polícias Federal e Estadual têm fechado vários laboratórios e apreendidos prensas hidráulicas e outros equipamentos para confeccionar o ecstasy.  A apreensão mais recente ocorreu semana passada, quando a  Decod (Delegacia de Combate às Drogas) da Polícia Civil, capturou uma quadrilha que produzia o entorpecente em série no bairro Carianos. A droga era consumida na Grande Florianópolis e na cidade gaúcha de Porto Alegre.

De acordo com o delegado da Decod, Attílio Guaspari Filho, o diferencial da quadrilha era a fabricação de prensas hidráulica e de submetralhadora em Palhoça pelo torneiro mecânico André Luis Espíndola. Os equipamentos eram vendidos a criminosos envolvidos com o tráfico de drogas sintéticas.  O líder da gangue, que também foi preso no Sul da Ilha, com outros três comparsas, é Paulo Fernando.

A produção, segundo a polícia, era uma média de 30 mil comprimidos por dia. Apesar da repressão policial, a demanda da pílula do amor ainda é extremamente alta devido a evolução das festas eletrônicas no litoral de Santa Catarina.

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