‘Um gigantesco quebra-cabeça’, afirma delegado sobre maior assalto de SC

Após sete meses, marcas ainda são sentidas por reféns e moradores de Criciúma; Soldado Esmeraldino segue lutando pela vida

Diversas equipes da Polícia Civil trabalham na investigação do maior assalto registrado em Santa Catarina. Após sete meses do roubo ao Banco do Brasil, em Criciúma, 16 pessoas já foram indiciadas por participação no crime e 15 já estão presas. Estima-se que tenham sido roubados, aproximadamente, R$ 130 milhões.

“Nós temos várias equipes de locais diferentes exclusivamente trabalhando essa investigação que é um gigantesco quebra cabeça. São peças, dados e informações de vários lados diferentes e que estão sendo montados pela Polícia Civil de Santa Catarina”, explica o delegado da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), Anselmo Cruz.

Agência do Banco do Brasil foi palco do maior assalto a banco de Santa Catarina – Foto: Anderson Coelho / Arquivo / NDAgência do Banco do Brasil foi palco do maior assalto a banco de Santa Catarina – Foto: Anderson Coelho / Arquivo / ND

Participaram do crime cerca de 30 pessoas e foram utilizados 10 carros de luxo. Logo após a ação foram identificados um galpão em Içara utilizado para a pintura dos veículos e uma casa em Três Cachoeiras (RS) que serviu de apoio à fuga dos bandidos.

“Na sua maioria vieram do estado de São Paulo, alguns já estavam há bastante tempo aqui em Santa Catarina morando há vários anos, mas a dinâmica do trabalho inicial feito por todas as forças de segurança resultou na prisão de indivíduos enquanto ainda tentavam fugir”, lembra o delegado.

Delegado destaca que investigações seguem com diversas equipes – Foto: Reprodução/NDTVDelegado destaca que investigações seguem com diversas equipes – Foto: Reprodução/NDTV

Durante as investigações foi identificado que o planejamento da ação foi realizado com bastante tempo de antecedência.

“ No final de 2019, já havia a presença de indivíduos que participaram dessa ação criminosa. Então isso demonstra a longa preparação, o longo planejamento e todos os detalhes que esses criminosos buscaram trabalhar”, explica Cruz.

Marcas sentidas até hoje pela população

Durante a noite do dia 30 de novembro de 2020, o grupo dominou a área central da cidade de Criciúma. Além de levar terror à população, com disparos constantes para o alto, os bandidos fizeram um grupo de trabalhadores da Diretoria de Trânsito e Transporte de Criciúma, que estava realizando a pintura de faixas próximo ao banco.

Sérgio Firme foi feito refém pelos bandidos enquanto trabalhava – Foto: Reprodução/NDTVSérgio Firme foi feito refém pelos bandidos enquanto trabalhava – Foto: Reprodução/NDTV

“Estávamos trabalhando normal como todo dia a gente trabalha e logo em seguida começou tiros, muito tiros. Então na hora achamos que era uma moto passando e quando a gente viu já estavam com arma na mão e pegando a gente e mandando tirar a camisa”, relembra Sérgio Firme, que foi um dos reféns.

Próximo dali, em um prédio, a moradora Aline Medeiros Viana e o marido se preparavam para dormir quando ouviram os barulhos dos tiros. A família se escondeu no quarto durante toda a ação dos criminosos.

“O primeiro barulho achamos que fosse foguete, até fomos na janela do quarto de trás olhar. Eles estavam naquela região, achamos que fossem rapazes soltando foguete, quando vimos pessoal todo de preto e as armas bem grandes, aí aconteceram de eles atiraram para cima, uma metralhadora um barulho horrível”, conta.

As marcas do ocorrido ficaram gravadas na memória de quem presenciou e até hoje assombram os reféns e moradores que viveram aquela noite de terror.

“Vai levar anos para a gente esquecer. Volta e meia vem na cabeça o assalto e aí tu sente aquela sensação toda que tu passou de novo”, fala Sérgio. “ Meu filho até hoje tem bastante medo quando escuta barulho de foguete ou quando tem algum barulho estranho na rua”, completa Alina.

Luta pela vida de Esmeraldino

Outra marca profunda deixada naquela noite, mudou a vida de amigos, policiais e da família do soldado Jeferson Esmeraldino. Baleado no abdômen em uma troca de tiros com os criminosos, o soldado segue lutando pela vida.

Padrasto do Soldado Esmeraldino se apoia na fé e acredita na recuperação dele – Foto: Reprodução/NDTVPadrasto do Soldado Esmeraldino se apoia na fé e acredita na recuperação dele – Foto: Reprodução/NDTV

“Ele tem um problema agora que estamos tentando recuperar que é o neurológico, porque ele deu uma parada cardíaca, ficou 10 minutos sem respirar e lesionou o cérebro. Mas temos apoio do Estado, temos uma equipe trabalhando aqui dentro com enfermeiros, com fonoaudiólogo”, destaca o padrasto de Esmeraldino, Remiston Rodrigues.

Esmeraldino e o colega, encontraram os bandidos quando retornavam ao quartel do 9º Batalhão de Polícia Militar de Criciúma (9ªBPM), na Via Rápida. O local foi o primeiro alvo da ação dos bandidos naquela noite.

“Conseguimos receber a notícia só de manhã de que ele tinha sido alvejado por uma tiro”, conta.

“Logo de manhã cedo a gente pegou o carro fomos para Criciúma. Quando chegamos ele já até tinha feito a cirurgia, e dali para frente foi aquela agonia, aquela angústia de esperar resultado de cirurgia “, afirma.

A fé é o combustível da família na luta diária em busca da recuperação de Esmeraldino. “Com fé em Deus, muito amor para ele, carinho que é o que ele precisa agora e assim, lutando para ele e ele lutando também. Eu conheço ele, ele tem muita força de vontade é um guri forte”, conta o padrasto que viu Esmeraldino crescer.

Agora a família busca auxílio para a construção de uma edícula na casa que levará mais conforto à Esmeraldino. Valores podem ser doados diretamente para a conta da mãe da soldado.

Conta para doação:

Sandra Aparecida Nunes

Caixa Econômica Federal

Conta-poupança: 935972616

Agência: 0425

Digito Verificador:3

Tipo:1

Chave Pix: 96661178949

Aprimoramento na identificação

Primeiro alvo da ação dos bandidos, a Polícia Militar vem desenvolvendo ações para que este tipo de ação criminosa não volte a ocorrer na cidade.

“Algumas estratégias que não vou divulgar já estavam sendo preparadas e estão sendo ampliadas para poder nos atos preparatórios identificar algumas situações que poderiam levar ao êxito”, conta o comandante da 6ª Região de Polícia Militar, o coronel Evandro Fraga.

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