Vacinação é esperança para volta das visitas em presídios de SC

Além disso, reclamações referentes à alimentação e saúde dos detentos seguem sendo cobradas pelas famílias, ainda sem data para reencontrar os parentes

O avanço da vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina vem animando a população com um possível retorno à “normalidade”. No entanto, um grupo se destaca quando o assunto é esperança na volta dos dias sem coronavírus: detentos e seus familiares.

Detentos aguardam o retorno das visitas dos familiares – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Divulgação/NDDetentos aguardam o retorno das visitas dos familiares – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Divulgação/ND

Desde 2020, os detentos não podem receber visitas nos presídios onde estão alocados, como medida de segurança sanitária no combate à doença respiratória.

Com mais de um ano de pandemia, com a chegada das vacinas e a inclusão do grupo de presidiários na faixa prioritária, já é possível pensar num retorno, segundo o Deap/SC (Departamento de Administração Prisional).

“As visitas ainda não foram retomadas porque seguimos em pandemia. Os internos já tomaram a primeira dose e nos próximos dias receberão a segunda, viabilizando a retomada gradual das visitas, uma vez que os protocolos sanitários serão mantidos”.

Do portão para dentro

Atualmente, apenas advogados, defensores públicos e juízes podem fazer visitas presenciais nas penitenciárias. Há também o atendimento de advogados e defensores por meio virtual. Os detentos também mantêm contato com os familiares por meio de visita virtual, mas há queixas dos familiares com relação ao serviço.

“Só chamada de vídeo não dá. É muita gente ligando para lá, tem dias que a gente não consegue conversar”. “Levamos um mês para falar com eles, não é mais de 15 em 15 dias, é um mês. Isso quando a gente consegue agendar, se não consegue, leva dois meses”, desabafa uma mãe de detento que preferiu não se identificar.

Ainda há especulações de como fica a cabeça dos presos em meio à situação. O Deap informou que, de forma geral, eles entenderam a necessidade em função da circunstância. Segundo a Associação Gente da Gente, que atende mais de 200 famílias com algum ente preso, há relatos de casos de depressão severa nos corredores dos presídios.

“Pelas cartas digitais, se mostram ansiosos. Muitos estão depressivos, tomando remédio controlado para poder suportar a pressão de estar lá dentro. Alguns estão estudando, mantendo a mente ocupada. Estamos cobrando vaga de trabalho, para que eles possam ter uma atividade lá”, informa Claudia Lopes.

Condições

A Associação Gente da Gente ainda relatou algumas situações que os presos estariam vivendo nos presídios, as quais foram levadas para a juíza corregedora responsável pelo local.

“Mandamos um e-mail para a juíza corregedora, porque tivemos informações de um preso que teria sido contaminado pela comida do local e acabou sendo levado para o hospital. Cobramos, até porque a família dele não foi informada. A juíza tem sido muito parceira com a gente, e explicamos que pode ter contaminado outros lá entro”, revela.

“Está muito frio, cobramos mais coberta também, além do uniforme que é difícil de secar lá, porque é muito úmido”, acrescenta. Eles ainda tiveram informações de que o chuveiro não funcionava na temperatura quente, relatando a situação às autoridades responsáveis.

“Estamos acompanhando a previsão do retorno de visitas. Acredito que setembro ou outubro possa ser uma estimativa, já que outros estados já tem, como São Paulo”.

Por fim, a Associação acredita que já há segurança para que as visitas retornem, por conta da vacinação. Em conversas com a SES (Secretaria de Estado da Saúde) e com a Prefeitura de Florianópolis, o grupo foi um dos primeiros a pedir a inclusão dos presidiários e dos agentes prisionais na campanha de imunização.

Palavras de mãe

O relato de uma mãe anônima exemplifica a situação de quem está do lado de fora, aguardando notícias do filho.

“Essa pandemia aí tá tirando toda a minha estrutura. Não posso visitar meu filho na cadeia, não posso ver ele, não posso dar um abraço, não posso mandar produto de higiene, não posso mandar um cobertor… a gente não sabe como eles estão lá dentro”.

No momento, a ajuda financeira é a forma como as famílias podem mandar alguma forma de atenção aos presidiários

“Só pode depositar o pecúlio (quantia de dinheiro) […] eu tenho dificuldade para ver ele, e não sabemos com eles estão, o que está acontecendo, se estão bem ou mal”.

Por fim, ela resume como é a situação, de um modo geral. “Vivo a gente sabe que tá, mas porque a gente liga pra lá ‘volta e meia’ para saber como eles estão”.

Atualmente, as visitas são virtuais e, segundo familiares, uma vez por mês – Foto: Arquivo/NDTVAtualmente, as visitas são virtuais e, segundo familiares, uma vez por mês – Foto: Arquivo/NDTV

Relembre o caso

Em 17 de março de 2020, o governo de Santa Catarina confirmou que não haveria mais visitas da parte de familiares aos detentos que estão nos presídios do Estado. Desde então, grupos contrários a decisão já se manifestaram publicamente pela volta do direito às visitas.

Em outubro de 2020, a Secretaria da Justiça e Cidadania liberou um documento onde informava as orientações para a retomada das visitas aos presídios. O primeiro ponto se embasava no mapa de risco da Covid-19 no Estado. Desde lá, era necessário que a região estivesse classificada na cor amarela, que representa risco ‘alto’, para que seus habitantes pudessem visitar os espaços penais.

No fim do ano, Santa Catarina enfrentou uma nova alta nos casos de Covid-19. Em 2 dezembro de 2020, eram 15 regiões em nível gravíssimo e uma e nível grave. Neste momento, manifestações foram organizadas por familiares que, ainda assim, desejavam encontrar os familiares privados de liberdade presencialmente.

Com a chegada da vacinação e o grupo de presidiários integrando o grupo de risco e, consequentemente, listados como prioridades na campanha de imunização, cresce a esperança das famílias para o retorno das visitas.

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