Vídeo mostra nova versão em ação de policiais que resultou em morte de agricultor

Em depoimento para o inquérito, policiais teriam dito que agricultor saiu do carro de arma em punho, mas vídeo mostra que isso não aconteceu

Um vídeo pode modificar os rumos da investigação da morte de João Gilmar de Souza, na última segunda-feira (15), em São José do Cerrito. Isto porque um motorista filmou toda a ação policial que culminou na morte do agricultor de 44 anos, na Serra catarinense. O caso ocorreu em trecho da BR-282 que corta o bairro Santo Antônio, região a cerca de 35 quilômetros de Lages.

O ND+ teve acesso às filmagens, e publica apenas um trecho segundos antes dos disparos. O vídeo de quase seis minutos mostra o motorista em seu carro, cercado por dois homens, que são os policiais que o abordaram após perseguição. Eles atingiram um pneu traseiro do fusca, o que o obrigou a parar. Ao fim, é possível também ouvir som de quatro disparos realizados pelos policiais.

De acordo com o que mostra o vídeo, a versão dos policiais de que o agricultor saiu do carro armado não procede. O tempo todo, até o fim da filmagem, João Gilmar de Souza permaneceu dentro do fusca.

Perseguição

João Gilmar passou a ser procurado pela Polícia Civil após denúncias darem conta que ele estaria ameaçando moradores no Centro da cidade durante a manhã daquela segunda-feira. Quatro pessoas afirmaram terem sido ameaçadas pelo agricultor.

Utilizando um revólver calibre 38, mesmo não possuindo porte de arma, João desferia ameaças contra os moradores, de acordo com o delegado Raphael Barbosa, da DIC (Divisão de Investigação Criminal de Lages). Para uma das vítimas ele teria apontado a arma.

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“As ameaças não tinham motivos, eram aleatórias” afirma o delegado. As vítimas afirmaram que ele não “estava em situação anormal”. A investigação ainda apura se os disparos tiveram motivação os seu foram realizados durante algum quadro psicológico alterado.

Com informações do veículo utilizado pelo agricultor, um agente da Polícia Civil começou a realizar buscas pelo suspeito. Ao localizar o veículo, o policial teria solicitado a parada ao suspeito, que não acatou e continuou em movimento.

Houve uma perseguição pela BR-282 e o suspeito só teria parado o carro quando o pneu traseiro do Fusca foi atingido por um disparo do policial civil que vinha logo atrás.

Como foi a abordagem

Durante 15 minutos o agente da Polícia Civil tentou convencer o suspeito a se entregar. Um policial militar que estava de folga viu a ação nas margens da rodovia e prestou auxílio ao agente civil, uma vez que o agente estava sozinho, afirma Barbosa.

É possível ouvir no vídeo os policiais pedindo para que João Gilmar deixasse o veículo. Pouco antes de efetuar os disparos, um policial quebrou um dos vidros do fusca e conversou com o motorista.

No inquérito, os policiais envolvidos relataram que o suspeito saiu do Fusca com a arma de fogo em punho na direção deles e que, por isso, efetuaram os disparos que resultou na morte. Ao todo, é possível ouvir quatro disparos que vitimaram o agricultor. Uma perícia ainda deve precisar o número de disparos. A Polícia recolheu as armas dos três envolvidos.

De acordo com os agentes, os disparos foram realizados em legítima defesa. A hipótese será investigada pelos policiais. A investigação tem prazo para ser concluída em 30 dias.

De acordo com Barbosa, não há contradição entre a fala dos policias e as imagens do vídeo, uma vez que a gravação “é uma parcela da situação”.

Sepultamento

João Gilmar de Souza – Foto: Reprodução Facebook/NDJoão Gilmar de Souza – Foto: Reprodução Facebook/ND

“Foi uma grande perda para a nossa comunidade, ele era um rapaz honesto e trabalhador. Ajudava muito nossa igreja e rezava quase todo dia no sacrário. Nem tenho palavras para descrever todas suas qualidades” escreveu uma moradora do município nas redes sociais. 

O corpo de João Gilmar foi velado na Igreja de Socorro em São José do Cerrito, no dia seguinte a sua morte. Ele foi sepultado no cemitério da cidade. A reportagem entrou em contato com familiares do agricultor, mas eles não quiseram se manifestar.

06 Comentários

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  • Pereira
    Pereira
    Cheiro de pizza.
  • Fabiano Martins
    Fabiano Martins
    "De acordo com o que mostra o vídeo, a versão dos policiais de que o agricultor saiu do carro armado não procede. O tempo todo, até o fim da filmagem, João Gilmar de Souza permaneceu dentro do fusca." Esse vídeo mostra p0rr4 nenhuma... Não sei onde esse "jornalista", que vergonha chamar assim, conseguiu tirar essas conclusões em 17 segundos de vídeo...
  • Vinicius
    Vinicius
    O vídeo não mostra nada.
    • Monkey
      Monkey
      Pois é Vinícius, concordo contigo. Mas, a lacrosfera já condenou a polícia.

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