Como Florianópolis se tornou ‘celeiro olímpico’ e caminha para ser a Capital do Skate

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Longa história no esporte e a recente influência de um jovem fenômeno contribuíram para cidade virar referência no esporte; agora, desafio é potencializar o ‘boom’ das Olimpíadas

É difícil falar de skate no Brasil sem mencionar Florianópolis. Se o assunto for a modalidade Park então, aí é impossível. E o ano histórico de 2021 para o esporte é prova disso: a Capital catarinense é a casa de três dos seis atletas que representaram o país em sua estreia na competição mais importante do planeta.

A medalha de prata trazida por Pedro Barros é o símbolo máximo da revolução que começou a partir da influência do próprio skatista e da oportunidade criada pelos Jogos de Tóquio para tornar o skate ainda mais forte na “Califórnia Brasileira”.

Pedro Barros, com a Ilha estampada no shape, conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio – Foto: Gaspar Nóbrega/COBPedro Barros, com a Ilha estampada no shape, conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio – Foto: Gaspar Nóbrega/COB

“Floripa foi uma escola”: Pedro Barros destaca a influência da cidade no esporte

O sucesso de Florianópolis no Park está diretamente ligado à história de Pedro Barros. O atleta manezinho, que representou a cidade nos Jogos ao lado de Yndiara Asp e Isadora Pacheco, chegou a Tóquio já consagrado como a maior lenda da modalidade e é uma peça fundamental do desenvolvimento do esporte na Capital.

Considerado um fenômeno desde pequeno, ele não precisou de muito tempo para ser dominante nas competições mundo afora. Hoje seis vezes campeão do mundo e medalhista olímpico, não se desprende da ligação e gratidão à Ilha.

“Floripa foi uma escola. É a minha casa, é onde eu cuido, tenho muito amor, as pessoas daqui são minha família. E com certeza a união que existe, não só de Floripa, mas principalmente da comunidade aqui do Rio Tavares, é de importância gigantesca, porque a galera sempre correu atrás e se devotava em sua vida pra realmente plantar o melhor pra geração que estava por vir”.

A ligação da Capital catarinense com o skate é antiga. Nos anos 1970, o primeiro campeonato nacional de skate em uma pista foi realizado em Florianópolis. Alguns dizem que o estilo de vida “californiano” traz a atmosfera ideal para o esporte.

A criação na Ilha da Magia ajudou e possibilitou que Pedro Barros despontasse seu talento, como o próprio skatista ressalta.

“Na época tinha a minha geração, do Vi Caquinho, hoje em dia tem os filhos dos nossos, amigos da minha geração tendo filhos também… e a gente vê o carinho e o cuidado que essas pessoas, que são mais velhas, que estão aqui pra passar uma direção, cuidam disso”.

“Aqui você é livre! Se expresse, supere seus medos e se permita amar! Voar e experienciar a magia da vida, do skateboarding e de você mesmo”, escreveu Pedro Barros no “skate de prata” – Foto: Miguel Catarina/Instagram/Reprodução“Aqui você é livre! Se expresse, supere seus medos e se permita amar! Voar e experienciar a magia da vida, do skateboarding e de você mesmo”, escreveu Pedro Barros no “skate de prata” – Foto: Miguel Catarina/Instagram/Reprodução

“Cativam o bem, cuidam e direcionam as coisas pro caminho do bem e pro skate, né? Que eu acho que é uma das paradas principais, porque não são muitas pessoas que há 10, 15 e 20 anos atrás acreditava que o skate era mais do que só brincadeira, sabe?”, diz Pedro Barros.

A aposta e investimento no skate de Florianópolis

Desde que Pedro Barros ainda era um pré-adolescente, uma série de projetos começaram a nascer na Capital, mais especificamente no Rio Tavares, no Sul da Ilha.

Ações sociais que partiam do skate amador e de base, além da construção de novas pistas, ajudaram a formar uma geração de skatistas manezinhos.

“A gente mostra que com estrutura, quando a gente bota lugares para as pessoas treinar, ajuda. E com pessoas direcionando, tudo é possível. E a gente mostrou aqui três skatistas de uma mesma ilha, que é minúscula, na verdade no mesmo bairro, né? Não é nem na mesma Ilha, os skatistas tão no mesmo bairro e estavam lá nas Olimpíadas juntos… e eu acredito que isso é consequência da atmosfera e do ambiente onde essas pessoas foram criadas, isso inclui eu, a Yndiara e a Isa. Eu acho que é bem louca essa história”.

Um exemplo é a pousada Hi-Adventure, conforme conta outro nome importantíssimo da história do skate em Florianópolis, Miguel Catarina. Inclusive, ele foi o quarto representante do Rio Tavares nas Olimpíadas, como coach de Pedro Barros.

“O Pedro já estava ganhando o mundo com 12 anos de idade, mas só ele que estava ali, né? E a gente começou um projeto na Hi-Adventure lá na pousada, que é um circuito das categorias de base até o amador, onde a gente conseguiu formar uma geração. A gente abriu uma escolinha de skate lá”, explica.

“E isso alavancou toda uma geração da categoria iniciantes, infantil, mirim, amador, e a galera passou por lá e hoje em dia são profissionais que tão aí. Então isso repercutiu em várias comunidades, várias localidades, se espalhou”, completou.

No dia 11 de dezembro, Florianópolis mais uma vez esteve no centro do mundo do skate park no retorno do Red Bull Skate Generation, campeonato realizado no RTMF Bowl, o quintal de Pedro Barros, no Rio Tavares. A última edição havia sido realizada em 2015.

Participantes do Red Bull Skate Generation- Foto: Marcelo Maragni/Red BullParticipantes do Red Bull Skate Generation- Foto: Marcelo Maragni/Red Bull

Foram 40 dos principais skatistas do mundo, separados em times que contavam com encontros de gerações de atletas. O time liderado por Pedro Barros foi o campeão.

“Quando o skate te escolhe, você se deu bem”

Miguel Catarina competiu entre os maiores nomes do skate no Red Bull Skate Generation, o último grande evento do ano. No campeonato, foi possível perceber o carinho da comunidade, que ovacionou Catarina a cada volta.

“Hoje em dia não é só o skatista profissional que vive de skate, a gente tem o pessoal que trabalha com fotografia, edição de vídeo… pô, eu acabei de vir da Olimpíada, tava como auxiliar técnico da seleção. Então é isso, o skate quando ele te escolhe, você se deu bem”, afirma.

Ele destaca, ainda, que os jogos de Tóquio foram uma ferramenta “imensurável” para inclusão, diversão, amizade e vivência.

“O skate é um esporte muito inclusivo. E com essa inclusão ele se torna um negócio diferente de tudo. Porque quando o skate escolhe a pessoa, e a pessoa começa a praticar, ele entra dentro de uma família, em um novo mundo, em uma nova história. Isso já vem de muito tempo, e hoje em dia o que aconteceu com os jogos é que muita gente pôde ver como é legal o skate. Como é um esporte que qualquer um pode praticar, todo mundo tem uma pracinha, todo mundo tem um uma calçada na frente de casa, e aí começa”.

Miguel Catarina é uma das lendas do skate de Florianópolis – Foto: Rafael Censi/Instagram/ReproduçãoMiguel Catarina é uma das lendas do skate de Florianópolis – Foto: Rafael Censi/Instagram/Reprodução

“Não tá tão longe”

Aos 21 anos, Emily Antunes é mais uma forte representante do Sul da Ilha em muitas das principais competições do Park ao redor do planeta.

Ela chegou a viver a expectativa da classificação para os Jogos de Tóquio, mas ainda não foi dessa vez.

No entanto, as Olimpíadas só serviram para motivar ainda mais a skatista manezinha, que sente que “está no lugar certo” para se preparar para o próximo ciclo.

“A galera daqui de Floripa que foi para as Olimpíadas de uma forma ou de outra mostrou que a gente pode, que é possível. E isso é irado demais, representaram a gente lá e com certeza dá um certo ânimo pra poder ir pra Paris em 2024, porque dá pra ver que não está tão longe, sabe? Antes era algo mais distante”.

Skatista de Florianópolis, Emily Antunes, em campeonato realizado em Criciúma – Foto: Pablo Vaz/Instagram/ReproduçãoSkatista de Florianópolis, Emily Antunes, em campeonato realizado em Criciúma – Foto: Pablo Vaz/Instagram/Reprodução

Emily também encerrou o ano em casa, ao participar do Red Bull Skate Generation. O evento realizado no Rio Tavares fechou um ano extremamente agitado para os atletas, que já indica a “correria” que vai ser daqui pra frente.

“Os campeonatos voltaram com tudo. Teve evento em uma cidade depois na outra, no Brasil voltando tudo, cada final de semana tendo um evento. E é bem legal, mas por outro lado é bem louco, né? A galera tava meio parada e aí já teve que voltar no ritmo. Janeiro aí já vamos ter outro”.

Desbravando o caminho do skate feminino e servindo de inspiração

“Isso é muito louco”, resume Emily Antunes. Ela, assim como as representantes olímpicas de Floripa Yndiara Asp e Isadora Pacheco, fazem parte de uma geração que abriu um caminho enorme para conquistar o devido espaço do skate feminino.

O próprio Red Bull Skate Generation é um exemplo, visto que o evento de 2021 foi o primeiro em que as meninas competiram. A penúltima edição, em 2016, contou até com protestos das skatistas.

O impacto desse pioneirismo é imensurável. Por mais que ainda seja uma skatista jovem, quando Emily Antunes começou no esporte, teve que procurar a fundo até encontrar exemplos e inspirações.

“Eu lembro que quando eu comecei a andar de skate eu era a única menina. E eu tentava ter alguma referência. Aí eu fui lá nos vídeos achei uma brasileira que também andava, que foi a Karen Jonz, e aí além dela também eu vi alguns vídeos gringos e algumas referências de fora do Brasil, e ali fui me inspirando. E começou a vir mais meninas da minha época andar junto, e isso eu acredito que com certeza abriu portas pra essa nova geração”.

Com os novos caminhos que cada vez mais estão sendo abertos, a representatividade já começa a ser sentida pela skatista.

“É irado ver as meninas também com carinho com a gente, respeitando… querendo ou não tá abrindo espaço, e agora nessa nova geração que está vindo com certeza elas vão abrir mais ainda, pra mais meninas, mais novas ainda. Então eu acho que isso com certeza faz diferença”.

“O skate no hype”: efeito Olimpíadas foi flagrante já no primeiro dia

“Após as olimpíadas, exatamente já no dia seguinte, eu fui pra pista e já tinha muita criança aparecendo, perguntando onde que comprava o skate, os pais levando…”, conta a atleta.

E por mais que esse impacto seja extremamente positivo, ela ressalta a atenção e o cuidado que os novos adeptos devem tomar.

“Até chega a ser meio bizarro assim, a criançada começou a se atravessar na pista, os pais não entendendo muito bem que até era um pouco perigoso chegar ali e tal. Tem que iniciar às vezes até com o professor, ou aos poucos… a criançada já estava invadindo a pista querendo descer do alto e rolou até alguns acidentes ali”.

Crianças brincam em pista de skate na Costeira – Foto: Divulgação/Prefeitura de FlorianópolisCrianças brincam em pista de skate na Costeira – Foto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis

E não só nas pistas. Emily Antunes destaca como isso também influenciou na presença e consideração do público.

“O skate ficou tão em alta que eu vi a diferença agora com o público de volta, acompanhando na arquibancada, a galera fazendo fã-clube, batendo foto, autógrafo… o skate no hype. A galera às vezes até chega tremendo pra falar com o skatista, é um um carinho legal, um reconhecimento irado, né? É diferente”.

A atleta do Avaí representando Floripa

Uma particularidade curiosa de Emily é o contrato que ela tem com o Avaí Futebol Clube. Nos campeonatos mundo afora, o clube de Florianópolis é estampado literalmente dos pés à cabeça da skatista.

Emily Antunes leva o escudo do Avaí por onde passa – Foto: Pablo Vaz/Instagram/ReproduçãoEmily Antunes leva o escudo do Avaí por onde passa – Foto: Pablo Vaz/Instagram/Reprodução

“Acho irado porque tá na minha essência essa parada mais manezinha e eles me curtiram bastante por eu ser da Costeira, né? Que tem uma ligação da galera ser mais manezinha, mais simples, e aí a parceria foi só crescendo”.

Caso chegue em Paris nas Olimpíadas de 2024, ela não vai poder ostentar diretamente o escudo do Avaí, mas já garante que, de alguma forma, o time e a cidade do coração serão, sim, representados.

“Acho que sempre dá pra representar de alguma forma, seja com a unha pintada usando as cores, também tem a ligação do Avaí com a Ilha, tem o Leão, que dá até pra fazer um desenho na lixa… dá pra representar de várias formas”.

Escolinha forma skatistas em Florianópolis há 10 anos

A Ascop (Associação de Skate da Costeira) faz parte do sucesso de Florianópolis no skate. Há 10 anos, a associação promove aulas gratuitas para alunos de todas as idades na Ilha.

O projeto fundado por  Ronaldo Jamaica, Sérgio Mancha, Michael Zaca, Maycon Panela e Alexsandro Gu, hoje conta com dois instrutores: Daniel Bob e Fábio Nani.

Tudo começou, ainda no início da década passada, por conta da percepção dos skatistas de que havia uma demanda de crianças que precisavam ser instruídas.

“Quando fizeram a pista, a molecada começava a vir, e aí não tinha noção, se machucava ou até mesmo atrapalhava quem estava andando de skate, porque às vezes tem gente trabalhando, filmando, produzindo foto, vídeo, nem sempre é brincadeira. Então a gente começou a entender que precisava ensinar o básico pra eles, os princípios básicos da pista, chegar e cumprimentar todo mundo, esperar sua vez pra dropar, não atrapalhar quando alguém estiver fazendo fotos ou vídeos… coisas básicas de convivência no local”, explica Daniel Bob.

As aulas ocorrem todos os sábados, a partir das 16h. O número de alunos varia entre 10 até 30 skatistas por aula. O instrutor comenta que, após as Olimpíadas, o projeto teve seus dias mais cheios.

Escolinha de skate da associação Ascop, na Costeira – Foto: Ascop/Instagram/ReproduçãoEscolinha de skate da associação Ascop, na Costeira – Foto: Ascop/Instagram/Reprodução

“Até porque os pais começaram a incentivar. Nem todos os pais tinham uma visão boa do skate. E isso, agora sendo um esporte olímpico, deu essa desmarginalizada no esporte. Muitos pais entenderam que o skate é legal, não é coisa de marginal”.

Os instrutores começam do básico. E o primeiro passo é a convivência com o próximo. A partir disso, ensinam a subir no skate e iniciam nas primeiras manobras, tanto da vertente do park quanto do street.

Daniel Bob ressalta que não há limite de idade para as aulas. A média de faixa etária, atualmente, vai dos cinco aos 17 anos.

“Hoje, com 10 anos de projeto, tem muitos que viraram skatistas mesmo. Infelizmente, outros muitos a gente não consegue salvar, o projeto não é tão grande e a gente não consegue, além da aula, dar uma cesta básica, por exemplo. Mas graças a Deus conseguimos ajudar muita gente nesses anos”.

Os skatistas de Florianópolis como inspiração

Daniel Bob destaca que parte fundamental do processo é a inspiração e convivência que os alunos conseguem ter tão de perto ao andar de skate em Florianópolis. Com o avanço do esporte na cidade, isso só tende a crescer.

“Essa inspiração sempre tem, né? Até pelo Pedro [Barros] mesmo, por ele ser muito raiz, ele vinha aqui ajudar. A pista existe hoje, até certo ponto, graças a ele e ao pai dele, porque ajudaram até a parte nova. Então sempre teve esse poder. Mas com certeza, depois das Olimpíadas, tem muita criança que viu eles chegarem no carro de Bombeiros, viram na TV e cumprimentam na pista… tem isso de estar próximo do atleta, ver que é real mesmo. O cara tá ali, então ele pode chegar lá também”.

E o futuro? Poder público é peça para Floripa se consolidar como potência do skate

“Isso foi algo natural, de mérito exclusivo e do talento dos atletas e do empenho de cada pai”. Essa é uma fala do secretário de Esportes da Prefeitura de Florianópolis, Ed Pereira, ao falar sobre o fato de a cidade contar com três representantes nos jogos Olímpicos.

Ao analisar o cenário, o secretário não enxerga uma participação ativa do poder público em gestões anteriores, que tenha contribuído para a maior parte dos resultados que os skatistas manezinhos conquistaram até chegar em Tóquio.

“Isso vem desde o Pedro Barros e o André Barros [pai do skatista], que daí acabou existindo competições e fomentando a modalidade de skate no geral em Florianópolis, propriamente no bairro do Rio Tavares. O crescimento foi tão rápido quanto o crescimento do Guga, no tênis, naquele momento”, observa Ed Pereira.

Como aproveitar esse ‘boom’

Na visão do secretário, o mérito da prefeitura é aproveitar o impulso para não perder a chance de potencializar o esporte.

“O que nós, como Secretaria de Esporte, entendemos com esse ‘boom’ no skate, é que fez a gente antecipar investimentos, como o centro de skate que está previsto para o ano que vem. É investir na modalidade, na competição e na base. Nosso mérito está no planejamento que a gente tem pela frente”.

Prefeitura pretende fomentar cada vez mais a prática do skate – Foto: Divulgação/Prefeitura de FlorianópolisPrefeitura pretende fomentar cada vez mais a prática do skate – Foto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis

E esse planejamento já começou a ser executado, com projetos de pistas e ações sociais, como exemplifica Ed Pereira.

“A gente já tem hoje projetos sociais de skate em bairros, como no Monte Cristo, dentro do bairro Educador, atendemos o Morro do Quilombo, na Trindade. Foi um crescimento tão rápido que a gente não pode perder a oportunidade de fomentar mais pistas, novas pistas, e ir levando essa oportunidade para cada bairro e para cada cantinho da cidade”.

O secretário informa que são 10 pistas de skate com projetos já cadastrados. A situação mais avançada é da pista da Trindade, que está em fase de licitação e as obras devem ser finalizadas na metade de 2022.

“Esperança gigantesca”

O skatista e instrutor Daniel Bob comemora o fato de a prefeitura passar a investir com mais força no esporte e dar a oportunidade de novas crianças terem lugares para começar a andar.

“A esperança é gigantesca. Porque em muitos lugares não existe ainda o espaço, então só de ter uma pista ali já, já é uma vitória”.

A ressalva, porém, é que tais pistas tenham o acompanhamento e o cuidado certos. “A gente aqui na Costeira aprendeu a construir skate, a gente se envolveu na pista. A pista é perfeita hoje em dia, no padrão”.

“Se não tiver a supervisão de algum órgão, com todas as pessoas que estudam pra isso, eu fico um pouco de pé atrás. E se ela sair nos padrões, aí sim, é uma grande vitória. Uma pista que vai viver por anos ali, vai formar atletas”. complementa Daniel Bob.

Como serão as novas pistas de Florianópolis

Segundo o secretário Ed Pereira, a prefeitura aposta em vários modelos diferentes de pistas espalhadas pela cidade. “A gente entende que fazendo novas 10 pistas de skate espalhadas, todas elas moduladas e diferentes, vai fazer esse público começar a utilizar essas pistas”.

“Exemplo: a pista do Rio Vermelho vai ser diferente da Tapera, que vai ser diferente da Lagoa, que vai ser diferente dos Ingleses. Por quê? Porque os meninos vão iniciar a modalidade na sua pista do bairro e depois ele vai começar querer usar outras diferentes”.

A pista em estágio mais avançado é a da Trindade. “É uma obra que deve demorar uns seis meses. Está em fase de licitação, infelizmente o setor de licitação da prefeitura até final de dezembro ele fica exclusivo para o Covid, a máquina para toda para licitar. Não por falta de dinheiro, e sim por falta de mãos de equipe técnica do setor de licitação. Depois a máquina volta a andar, licitando as obras, as pistas. Acredito que todas elas serão licitadas até início de fevereiro”.

Prefeitura de Florianópolis quer aproveitar o impulso das Olimpíadas para potencializar ainda mais o skate - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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Prefeitura de Florianópolis quer aproveitar o impulso das Olimpíadas para potencializar ainda mais o skate - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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"É investir na modalidade, na competição e na base. Nosso mérito está no planejamento que a gente tem pela frente”, disse o secretário de Esportes, Ed Pereira - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
De acordo com o secretário, são 10 pistas de skate em Florianópolis om projetos já cadastrados - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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De acordo com o secretário, são 10 pistas de skate em Florianópolis om projetos já cadastrados - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
A situação mais avançada é da pista da Trindade, que está em fase de licitação e as obras devem ser finalizadas na metade de 2022 - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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A situação mais avançada é da pista da Trindade, que está em fase de licitação e as obras devem ser finalizadas na metade de 2022 - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
“A esperança é gigantesca. Porque em muitos lugares não existe ainda o espaço, então só de ter uma pista ali já, já é uma vitória”, afirma o presidente da Ascop, Daniel Bob - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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“A esperança é gigantesca. Porque em muitos lugares não existe ainda o espaço, então só de ter uma pista ali já, já é uma vitória”, afirma o presidente da Ascop, Daniel Bob - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
Ed Pereira: “A gente entende que fazendo novas 10 pistas de skate espalhadas, todas elas moduladas e diferentes, vai fazer esse público começar a utilizar essas pistas” - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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Ed Pereira: “A gente entende que fazendo novas 10 pistas de skate espalhadas, todas elas moduladas e diferentes, vai fazer esse público começar a utilizar essas pistas” - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
Ed Pereira: “Exemplo: a pista do Rio Vermelho vai ser diferente da Tapera, que vai ser diferente da Lagoa, que vai ser diferente dos Ingleses. Por quê? Porque os meninos vão iniciar a modalidade na sua pista do bairro e depois ele vai começar querer usar outras diferentes” - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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Ed Pereira: “Exemplo: a pista do Rio Vermelho vai ser diferente da Tapera, que vai ser diferente da Lagoa, que vai ser diferente dos Ingleses. Por quê? Porque os meninos vão iniciar a modalidade na sua pista do bairro e depois ele vai começar querer usar outras diferentes” - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
O secretário também revela o forte interesse em fomentar o esporte ao fazer parcerias para grandes campeonatos e eventos em Florianópolis - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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O secretário também revela o forte interesse em fomentar o esporte ao fazer parcerias para grandes campeonatos e eventos em Florianópolis - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
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"Depois [de dezembro] a máquina volta a andar, licitando as obras, as pistas. Acredito que todas elas serão licitadas até início de fevereiro”, diz Ed Pereira sobre as novas pistas - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
A demanda de novas pistas na cidade já é observada:
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A demanda de novas pistas na cidade já é observada: "Após as olimpíadas, exatamente já no dia seguinte, eu fui pra pista e já tinha muita criança aparecendo, perguntando onde que comprava o skate, os pais levando", disse Emily Antunes - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação
“As Olimpíadas estão mostrando que o País do Futebol é também o País do Skate, e Florianópolis está se transformando na Capital com mais pistas de skate
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“As Olimpíadas estão mostrando que o País do Futebol é também o País do Skate, e Florianópolis está se transformando na Capital com mais pistas de skate", disse Valter Gallina, secretário de Infraestrutura de Florianópolis - Prefeitura de Florianópolis/Divulgação

Oportunidade para desenvolver a modalidade street

Daniel Bob garante que, apesar da tradição manezinha estar mais presente nas vertentes de piscina (bowl/park), a cidade tem todas as condições para também ser uma referência no street.

“Com certeza. O skate veio das ruas, de toda aquela história que a gente conhece, todo aquele movimento contracultura que explodiu. E o street contribuiu muito para o skate ser o que é hoje. Então acredito, sim, na melhoria de pistas como a da Trindade. O projeto que eu acompanhei, que está bem desenvolvido, é feito pelos skatistas. Se a execução for boa, é uma evolução muito grande”.

Outro fator importante destacado pelo skatista é a melhora da impressão pública com os adeptos do esporte nas tuas.

“E uma outra coisa que está sendo interessante também, agora por causa das Olimpíadas, é a visão do skate nas ruas. A gente ainda sofre muita repressão, por exemplo, o melhor lugar no street hoje em Floripa, por incrível que pareça, é o Largo da Alfândega, um patrimônio público, onde não se pode andar de skate. Não faz sentido nos dias de hoje”.

O secretário Ed Pereira afirma que a cidade tem muito interesse em desenvolver esta modalidade. “Tanto é que as novas praças de Florianópolis estão sendo estudadas inclusivamente com os equipamentos mais seguros e que suportam o uso do skate. Se pegar uma praça dentro do Parque da Luz e botar uns bancos não preparados pra galera poder usar, eles vão quebrar. Hoje a gente consegue criar uma forma mista e ver uma praça urbanizada onde possa também ter a galera de skate andando e se divertindo em pontos turísticos”.

Investir e promover segurança para as crianças é o caminho

O secretário de Esportes de Florianópolis complementa que o projeto para o skate vai além da construção de novas pistas.

“Nós já temos projeto aprovado pelo comitê gestor, a gente licita em janeiro, vamos fazer um convênio com a federação catarinense de skate, onde a gente vai ter o projeto mais ou menos como é o da piscina da Passarela Nego Quirido, as crianças vão até a pista da Costeira, até a pista da Trindade a partir de fevereiro. Segunda, quarta e sexta projeto social e terça e quinta de rendimento. Todos os atletas que estiverem no projeto de rendimentos terão direito a inscrições de competição, van, transporte para poder competir Brasil afora, buscando novos atletas como o Pedro Barros e tudo mais”.

Além disso, esclarece que, quando o esporte recebe o incentivo do poder público, ocorre um benefício importante na questão da segurança das crianças que aderem ao skate.

“Quando a gente investe no esporte, na modalidade, vamos dizer, é filantropia, investimento pequeno faz investimento alto. O pai já fica mais tranquilo porque o filho quando chega em casa já quer descansar para no próximo dia já estar lá na competição, lá no treinamento. Por isso que a gestão nossa já investiu três vezes mais do que antiga gestão. Se antes se investia R$ 5 milhões no esporte, essa está passando de R$ 15 milhões”.

“Florianópolis tem um gostinho diferente e aceitamos parcerias”

Ed Pereira também revela o forte interesse em fomentar o esporte ao fazer parcerias para grandes campeonatos e eventos em Florianópolis.

Pista da Costeira é uma das mais famosas entre os skatistas de alto nível de Floripa – Foto: Divulgação/Prefeitura de FlorianópolisPista da Costeira é uma das mais famosas entre os skatistas de alto nível de Floripa – Foto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis

“Eu acho que cabe a nós investir em grandes eventos, trazendo pra cá, lembrando que a gente percebe que por mais que a gente seja um celeiro por natureza do destino, por causa do Pedro Barros, que é a quase considerada como  a capital mundial do skate hoje, do grande celeiro, nenhuma empresa como Red Bull vai poder achar que ela sozinha pode fazer o evento sem a gente construir junto um grande evento”.

“A gente precisa mostrar para todas essas grandes marcas que Florianópolis tem um gostinho diferente e aceitamos parcerias, mas queremos construir juntos um grande destino esportivo”, conclui o secretário.