De olho em Tóquio 2020, skatista manezinha rompe paradigmas e vira referência

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Yndiara, 22 anos, está na iminência de carimbar sua vaga para os Jogos Olímpicos, no Japão; jovem esbanja maturidade e se tornou símbolo na busca por direitos iguais (também) na modalidade

Reportagem e edição: Diogo de Souza

Dos 365 dias de 2019, foram 231 viajando entre o Brasil e o mundo. Ainda que exista certa resistência com uma rotina tão frenética, quem nunca sonhou, um dia, viver fazendo o que ama em países como Estados Unidos, China, França, Argentina?

Yndiara Asp, skatista manezinha e provável representante brasileira nas Olimpíadas – Foto: Teddy Morellec/Red Bull/divulgação

Mais que uma espécie de “emprego dos sonhos”, a florianopolitana Yndiara Asp está prestes a incluir, nesse roteiro, o Japão uma vez que vive a iminência da qualificação para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio, de 24 de julho a 9 de agosto.

Aos 22 anos, a manezinha admite ter realizado vários sonhos em sua vida, mas ainda tateia as palavras para descrever a sensação de, ao ter rompido paradigmas, ser uma referência na modalidade e modelo inspirador para jovens e aspirantes skatistas.

“Acho que o principal fator, na minha vida, foi não me colocar na posição de mulher que anda de skate, apenas sempre me considerei uma skatista, sou uma mulher que anda de skate”, explica.

Igualdade de gênero (e de cheques)

Em janeiro de 2018, Yndiara protagonizou um episódio que viralizou após escancarar a diferença de tratamento entre os gêneros na modalidade que, em Tóquio, será estreante.

Na ocasião Yndiara foi a grande campeã do Oi Park Jam, realizado em Itajaí, no Norte (SC). Ao posar ao lado do vencedor entre os homens, o conterrâneo, amigo e grande inspiração, Pedro Barros, evidenciou uma diferença de R$12 mil em premiação.

Enquanto Barros ostentava um cheque de R$17 mil, Yndiara segurava o seu no valor de R$5 mil.

“Foi uma polêmica muito grande, recebi muitas mensagens, muita gente falou nisso e eu participei dessa igualdade de premiações. O primeiro torneio que fui disputar, depois disso, nos Estados Unidos, eles igualaram os valores e tem sido assim desde então”, contou, orgulhosa.

Apesar do episódio, Yndiara revela que não teve muitos problemas envolvendo o preconceito. Fã-confessa de Pedro Barros, admite que foi muito bem acolhida “pela comunidade do skate em Florianópolis”.

Presença no Japão

O universo do skate nunca mais foi o mesmo desde a confirmação como um esporte olímpico. Serão 80 atletas, 40 homens e 40 mulheres, divididos nas modalidades street e park, em busca das tão sonhadas medalhas.

A classificação acontece mediante o ranking mundial da World Skate, no encerramento da segunda janela de pontuação, previsto para o mês de maio.

Se o encerramento fosse hoje, Yndiara estaria classificada como representante brasileira nos jogos. Apesar dessa incerteza, a extrovertida manezinha esbanjou maturidade pela maneira de encarar, não só o maior evento esportivo do planeta, como a vida.

“Eu sou uma pessoa que gosta de viver o presente, a Olimpíada, vou deixar para pensar depois. Até lá vou vivendo minha vida, andando de skate. Eu gosto de fazer cada dia valer a pena”, assegurou, cheia de personalidade, Yndiara.

Dia Internacional da Mulher

Com o skate sob o braço, ou sob os pés, Yndiara indicou a ferramenta que vai levar em busca da igualdade de gêneros. Sem dar muito detalhes – ou até mesmo se preocupar – com o futuro, a jovem revelou que seja como for, que envolva seu equipamento inseparável.

“Eu realizei vários sonhos, conheci lugares fazendo o que eu amo. Fazer o que ama e inspirar pessoas, eu encontrei o que me faz feliz na vida e eu me dedico. É uma gratidão poder inspirar as pessoas, quebrar barreiras”, finalizou.