Pista do Rio Tavares reúne skatistas com mais de 35 anos

Local é reduto da velha guarda

O Rio Tavares é a Meca para os skatistas de Florianópolis. Com pelo menos quatro boas pistas particulares, o bairro atrai praticantes do esporte de todos os cantos do Brasil e revelou grandes talentos, como o pentacampeão mundial Pedrinho Barros. Nos últimos dois anos, além de sediar competições e abrigar uma escolinha de skate, a pista da pousada Hi Adventure se transformou na casa dos precursores da modalidade na Capital. Todas as terças-feiras, cerca de 30 skatistas com mais de 35 anos se reúnem para andar no bowl, bater papo e tomar umas cervejas, sempre ao som de hardcore e punk, encontro que foi batizado de Old School (velha guarda).

Marco Santiago/ND

Ideia de fazer sessão de skate somente com os veteranos foi de proprietário da pousada Hi Adventure

A ideia de fazer uma sessão de skate somente com os veteranos foi do proprietário da pousada, Rafael Azeredo Bandarra, de 42 anos, que construiu a pista em 1997. O papel de anfitrião não o impede de se aventurar no bowl. Sempre registrando com fotos, Bandarra manifesta no rosto a satisfação de estar entre os amigos.

“Temos o prazer de receber uma galera de fora, como Bob (Burnquist) e alguns gringos, tipo o Duane Peters. Reunimos o pessoal mais antigo para uma sessão de skate, sempre tem um churrasco”, contou.

O empresário Carlos Eduardo Dias, 44, chamado de Alemão pelos amigos, ganhou o seu primeiro skate quando tinha sete anos. O fundador da Drop Dead, a marca mais famosa de artigos esportivos para a modalidade, sente-se em casa na companhia de skatistas da sua geração.

O Old School também alivia o stress do trabalho. “Chegou um momento que percebi que tinha uma galera mais velha querendo andar sem ter espaço. A molecada domina. Tivemos a ideia para resgatar quem ficava inibido, um espaço para contar história, dar risada. É esse movimento todo”, comentou.

Pista construiu um legado

Bandarra começou a andar de skate aos 24 anos, quando construiu a pista. A ideia, em princípio, não era para uso comercial, apenas para lazer. As coisas tomaram um rumo diferente e hoje o local conta com bar, loja e nove quartos para acomodar os turistas que lotam pousada o ano inteiro.

Além do sucesso de poder viver do que se gosta, o empresário pode se orgulhar em dizer que um pentacampeão mundial deu as primeiras voltas na sua pista. Pedrinho Barros é afilhado de Bandarra.

“A nossa pista tem um papel muito forte no cenário do skate. Quando a fizemos, em 1997, o bowl estava esquecido no Brasil e retomamos essa característica por aqui. Por trás da história dessa pista existem vários frutos que colhemos, não só para a comunidade do Rio Tavares. Alguns atletas que são expoentes hoje saíram daqui. É um legado legal. Independente do que o Pedro é hoje, o espírito que sempre rolou de amizade e diversão, foi o maior ensinamento que deixamos para ele. Skate tem que ser para diversão, os amigos têm que andar bem também”, declarou.

Investimento na região

Paulista radicado em Curitiba, onde criou a marca de roupas e artigos para skate, Carlos Eduardo Dias escolheu o Rio Tavares para morar com a família nos últimos anos.

Além de viver em Florianópolis, o empresário decidiu trazer os negócios para a Ilha – parte administrativa, financeira, agência de marketing e fábrica de shapes. A Drop Dead patrocina atletas e competições e também promove eventos.

Satisfeito com o crescimento do skate nos últimos anos, Dias pediu apoio do poder público no sentido de difundir ainda mais a prática da modalidade.

“Eu tenho casa aqui faz muitos anos, então a transição foi fácil e nos motivou para colaborar com a cena em Santa Catarina. Nosso slogan é ‘Andando junto sempre’. É importante que os governantes abram o olho. Temos um campeão mundial na cidade, a sociedade já vê o skatista com mais respeito. Temos de promover o esporte como ferramenta de inclusão social”, informou.

Outras épocas

O advogado Fernando de Miranda Gomes tinha quatro anos quando foi disputada a primeira competição de skate em Florianópolis, o Campeonato Brasileiro de 1978, no Clube Doze de Agosto, em Jurerê.

Fascinado pelo então novo esporte que virara mania entre os jovens, começou a andar em 1985, em casa mesmo, pelas calçadas e rampas improvisadas e, quando pegou o jeito, passou a frequentar a pista do Clube Doze.

O que Gomes não imaginava é que o esporte, que era tido como uma brincadeira de criança, fosse se tornar um jovem como Pedrinho Barros mundialmente conhecido, realizada muito diferente de 30 anos atrás, quando havia preconceito com os fãs do skate.

“Recebi dura de policial. As pistas ficavam nos locais marginais da cidade, no aterro da Baía Sul. No estacionamento da Aflov tem enterrado um projeto do Burle Marx. Sempre andei de skate, faz parte da minha qualidade de vida, consigo ser eu mesmo e passar coisas positivas para os mais novos”, afirmou.

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