Presidente da CBSk, Bob Burnquist testa pista reformada da Costeira

Ícone do esporte está focado no trabalho como dirigente e acredita que Florianópolis pode sediar etapa do Mundial em 2020

Ídolo de uma geração, reconhecido pela técnica sobre as rodinhas, e agora no comando da entidade que rege o skate no país, Bob Burnquist passou por Florianópolis esta semana para dar um rolé no Skate Park da Costeira, palco da primeira etapa do circuito nacional da modalidade olímpica no último final de semana. Sem pode assistir a vitória do skatista paulista Murilo Peres na etapa porque estava em Davos, na Suíça, em viagem de trabalho, Burnquist veio conferir de perto como ficou a reforma da pista da Capital.

Essa foi a terceira pista de skate reformada pela BV, marca de varejo do Banco Votorantim, parceiro da CBSk (Confederação Brasileira de Skate), entidade presidida por Burnquist com apoio de skatistas como o paulista Sandro Dias e o catarinense Pedro Barros, entre outros. O projeto de Floripa foi desenvolvido por uma das lendas do skate brasileiro, o paulista radicado no Rio Tavares, Léo Kakinho.

Bob Burnquist é reconhecido pelas manobras técnicas como o Feable to Fake - Foto: Marco Santiago/ND
Bob Burnquist é reconhecido pelas manobras técnicas como o Feable to Fake – Foto: Marco Santiago/ND

“Ano passado realizamos o evento nesta mesma pista ano passado e percebemos que ela poderia ser aprimorada, no tamanho das paredes e na construção de obstáculos. Agora temos um melhor nível técnico, além de beneficiar a comunidade local”, contou Léo, que considera a pista um legado para o skate brasileiro e ainda pode assistir ao filho, Vi Kakinho, quase beliscar o título com a segunda colocação da etapa.

Depois de testar a pista e em poucas tentativas exibir toda sua técnica forjada na base trocada para acertar manobras como Fake Smith e Feable to Fake, Burnquist fez questão de elogiar o idealizador da reforma. “Ele era o meu ídolo de infância. É um cara extremamente nota 10, até liguei para ele e dei os parabéns”, contou.

Além da reforma da pista de Florianópolis, Rio de Janeiro (RJ) e Sapiranga (RS), o projeto da parceria entre a marca e a CBSk liderada por Bob Burnquist também contempla a instalação dos chamados “Burnkits”, os kits modulares móveis que formam circuitos para a prática de skate em 10 escolas públicas no país.  “A ideia é capacitar skatistas para ministrar atividades, oportunizando trabalho para muitos e mostrar que o skate é muito autodidático, porém, é legal ter um direcionamento. Aprender a andar e a cair é muito importante”, disse Bob Burnquist

Conhecido pela criatividade e inovação dos seus projetos, Burnquist também deixou sua marca artística na pista com auxílio do artista plástico Marcelo Barnero.  “Hoje foi dia de aprender a fazer arte com meu irmão Marcelo Barnero na pista de skate da Costeira! Meu primeiro personagem numa pista de skate”, celebrou.   

Bob Burnquist em ação na pista reformada pela parceria da BV com a CBSk - Foto: Marco Santiago/ND
Bob Burnquist no centro da pista reformada pela parceria da BV com a CBSk – Foto: Marco Santiago/ND

Antes de testar a nova pista do Skate Park da Costeira, Bob Burnquist conversou com a reportagem do NDonline e falou sobre o novo momento do esporte brasileiro, com a inclusão do skate como modalidade olímpica e o trabalho a frente da CBSk.

NDonline – Com que proposta você assumiu a CBSk?

Bob Burnquist – Não foi um sonho de criança ser presidente da CBSk, mas aconteceu uma oportunidade, pois vivíamos o impasse envolvendo as confederações que receberiam o dinheiro público da Lei Piva para manutenção da modalidade por ter se transformado em esporte olímpico. A gente sentia, na época, que o skate entrou nas Olimpíadas, mas daquela forma (sob tutela da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação), o skate brasileiro não estava. O Pedro Barros e toda a galera se posicionou corretamente, que teria que ser pela CBSk, e eu vi uma oportunidade de ser útil.

NDonline – Como você trabalhou a ideia de se tornar um dirigente?

Bob Burnquist -. Pensei muito. Meu vice (Eduardo Musa) apresentou essa oportunidade, falei com o Sandro Dias, com uma galera legal e montamos uma equipe eficiente, profissional, talentosa e estamos conseguindo fazer uma movimentação direita, como o circuito brasileiro, com parcerias boas e está sendo gratificante o trabalho. Por ser skatista ainda, não recebo nada, nem Sandro (Dias), nem ninguém. Até pós Olimpíada estarei nessa posição. Não tenho a visão de querer continuar ou não, pois estou vivendo o dia a dia, mas estou gostando de ver que a galera abraçou. Quando abracei, todo mundo ligou, “pô Bob vai botar essa mochila nas costas” e isso é muito bom, pois gerou uma união. Eu não fiz nada sozinho. A galera cresce junto. 

NDonline – Circuito brasileiro já teve a primeira etapa aqui e seguirá com outros eventos?

Bob Burnquist – Temos etapa em São Paulo, e Rio de Janeiro de novo. Como já temos um legado, não é preciso montar tudo de novo e consegue a gente voltar no ano que vem. Voltamos aqui em Florianópolis e fizemos a reforma com a BV. Essa é a nossa terceira pista. Agora tem a pista do São Paulo na frente do metrô em Itaquera que esperamos concluir para colocar uma etapa lá, tem etapa de mundiais, tem o cinco estrelas classificatório para as Olimpíadas e será um ano bem movimentado. A gente que fazer o máximo e que seja melhor que o ano passado, que já foi bem legal.

NDonlineQual o objetivo da reforma da pista da Costeira, que é nova?

Bob Burnquist – É uma pista que não foi dimensionada para o circuito da modalidade olímpica. Então, quando a gente trabalhou o primeiro ano do circuito, surgiu a ideia de dar uma melhorada e aí veio a parceria. Por mais que tínhamos a parceria, o recurso não era ilimitado, e eles pensaram bem. Foi uma reforma para melhorar o valor técnico do evento, dando um upgrade para as manobras e ser melhor que o ano passado.

NDonline  – Por se tornar esporte olímpico, o skate deixa de ser um esporte marginalizado e ganha um apelo popular?

Bob Burnquist – O apelo que ganhamos é argumento para construir pistas. A identidade do skate sempre será a mesma e nunca irá mudar. O nosso estilo não é esse (olímpico). A gente pode ter tudo isso sem perder a identidade. Não podemos ficar muito preocupado com isso. Você continua fazendo o que quiser. Se você estiver no viés olímpico, aí você se ajusta porque tem um monte de coisa que acontece em volta. Mas se você for skatista, no seu dia a dia, só irá aproveitar as pistas que forem deixadas por causa dessa posição. Acho que o skate funciona muito bem dessa maneira. Inclusive, aqui, ano que vem, porque não montar uma pista maior, melhor, para trazer o mundial? Vamos dar o próximo passo. Isso é legal e essa movimentação é maneira. Eu tenho os dois mundos, os títulos, minhas conquistas, sou presidente da CBSk, mas sou raiz. Minha pegada é muito no mesmo viés do Pedro Barros, então, obviamente, tenho 42 anos, passei por muita coisa, amadureci e consigo entender que a gente consegue estar enraizado pra baixo e, ao mesmo tempo, consegue crescer. Então, acho que é importante não perder essa identidade e continuar fazendo pelo skate, trabalhando o movimento olímpico, sem perder o movimento estilo de vida. Existe um vácuo que a gente teve que trabalhar esse ano com o movimento olímpico, mas gostaria também de prestar atenção nos outros eventos, de identidade, de estilo de vida.

NDonline E o futuro do skatista Bob Burnquist? Você já combinou skate com bungee jump, com helicóptero, entre outros projetos. Qual a próxima “maluquice” do skatista?     

Bob Burnquist – Maluquices têm várias, mas são caras. Então tem que ficar sonhando, correndo atrás. Fechei agora um projeto para fazer um documentário da história da minha vida. Então, agora estarei focado em arquivo. Peguei o Daniel Baccaro, diretor do (longa-metragem) Vida Sobre Rodas, mas vai ter coisas atuais, então vou querer encaixar (algum projeto). Criar a gente não para.

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