VÍDEO: ‘Mostramos que o skate é esporte de menina’, diz representante de SC nas Olimpíadas

Yndiara Asp relembra participação nos Jogos de Tóquio e como inclusão do skate no evento esportivo transformou a visão sobre a modalidade

A skatista catarinense Yndiara Asp foi uma das finalistas na modalidade skat park dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 e explicou como a experiência auxiliou no crescimento da modalidade no País e também para a maior inclusão das mulheres.

Yndiara Asp, de Florianópolis, foi finalista no skate park, em Tóquio 2020 – Foto: Miriam Jeske/COB/divulgação/NDYndiara Asp, de Florianópolis, foi finalista no skate park, em Tóquio 2020 – Foto: Miriam Jeske/COB/divulgação/ND

Natural de Florianópolis, a Manezinha da Ilha hoje é considerada uma das principais referências desse esporte radical no Brasil ao lado de Letícia Bufoni e Rayssa Leal.

No entanto, tudo começou quando tinha apenas 7 anos ao receber do pai o seu primeiro skate quando ainda morava em Florianópolis que é conhecida como “Califórnia brasileira” no mundo do esporte radial.

Yndiara Asp pratica em pista de skate na sua casa – Foto: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool/NDYndiara Asp pratica em pista de skate na sua casa – Foto: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool/ND

“Isso se deve ao life style porque as pessoas tem pistas de skate em casa, tem o surfe e a música também está envolvida em tudo isso. Na verdade, eu comecei surfando com influência do meu pai que surfa por hobby e sempre gostei de esporte em geral”, conta Yndiara Asp.

Apesar do início no surfe, o presente que a catarinense recebeu aos sete anos seria o início de um caminho de sucesso trilhado no esporte.

“Foi aos 15 que eu comecei a andar para valer e conhecer o mundo do skate. Foi nesse momento que eu aprendi a dropar em uma pista que um menino tinha na casa dele. Como disse, existe uma influência de ter uma pista em casa e hoje eu também tenho na minha”, relembra a skatista.

Mudança de cenário

Cerca de 17 anos atrás, quando estava aprendendo suas primeiras manobras, Yndiara relembra que as pistas de skate eram tomadas por meninos até encontrar outras garotas praticando no Hi Adventure, no bairro Rio Tavares.

“Quando eu comecei pra valer, eram mais ou menos seis pessoas e eu a única menina. Mas quando fui para o Hi Adventure já tinha aulinha de skate e cerca de 10 meninas estavam lá, andando muito bem e dropando nas pistas altas. Eu fiquei impressionada”, conta a Manezinha da Ilha.

Ao longo dos anos, algumas crianças foram desistindo do skate, mas outras foram chegando no grupo, como a Isadora Pacheco.

“Ficávamos o dia todo na pista e sempre foi de predominância masculina por tudo o que aconteceu historicamente, como por ser considerado apenas esporte de meninos, as mulheres proibidas e não se sentir muito a vontade em várias vezes por essa questão histórica. Hoje, conheci muitas meninas pelo Brasil e pelo mundo, mas sempre andando com os meninos. Porém, hoje você vai na pista e, as vezes, tem mais meninas do que meninos”, conta Yndiara.

Catarinense relembra início no skate

Yndiara Asp conta sobre início da trajetória no skate – Vídeo: Marcos Jordão/ND

Importância dos Jogos Olímpicos

Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram marcados pela estreia do skate na competição. Além disso, a grande presença de brasileiros, como a própria Yndiara Asp, foi fator para uma aproximação dos brasileiros que se encantaram pela modalidade.

“A questão olímpica serviu para mostrar o skate para o mundo e a forma que foi apresentada tocou o coração das pessoas de ver que não é uma parada marginalizada, mas com muita união, diversão e também pela energia positiva que passou para quem estava ali”, relembra.

Yndiara Asp durante prova de Skate nos jogos olímpicosYndiara Asp foi finalista na modalidade Park dos Jogos Olímpicos de Tóquio – Foto: COB/divulgação/ND

Além da catarinense, Rayssa Leal, de apenas 14 anos, foi uma das principais atrações durante o skate e responsável por conquistar medalha olímpica.

“Nós fomos para as Olimpíadas mostrar que o skate é esporte de menina. Isso ocorreu muito pela Rayssa que conquistou todo mundo com a sua simplicidade de uma criança. Assim como a questão de identificação e ver que esse espaço é para nós e por isso está crescendo”, avalia Yndiara Asp.

Além da visibilidade, a Manezinha da Ilha aponta que espaços públicos para a prática também são fundamentais para aumentar o engajamento ao esporte. Em Florianópolis, uma pista de skate está prevista para ser construída no parque do Abraão.

“Construção de espaços adequados e bons para a prática. Parece que essa pista [do parque do Abraão] é bem boa e estou animada para andar nela. Quando pronta, vai ajudar a crescer e evoluir ainda mais”, conta Yndiara Asp.

Já no cenário econômico, a catarinense acredita que o skate feminino ainda tem muito espaço que não seja aproveitado no masculino e ainda ressalta a importância do equilíbrio.

“Eu que que muitas marca e empresas podem se relacionar com o skate feminino que, as vezes, não cabe no masculino, por exemplo, marcas de maquiagem e produtos de beleza. Quem já está, o importante é seguir apoiando o feminino e o masculino no time”, complementa.

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