A velha geração das ondas comemora os 35 anos do primeiro campeonato

Rock, Surf & Brotos, na Joaquina, em 1976, foi o precursor do surfe na Ilha

Alexandro Albornoz/ND

Os dinossauros do surfe ganham a companhia de novos surfistas na Joaquina

Joaquina, 1976. Quando poucas pessoas falavam no surfe em Florianópolis, dois jovens foram os responsáveis por difundir o esporte em Santa Catarina, com a realização do Rock, Surf & Brotos, o primeiro campeonato da modalidade no Estado. Joaquina, 2011. Neste sábado, a velha guarda do surfe da Capital se reúne na Joaca para comemorar os 35 anos do evento. No encontro, regado a muita cerveja, com início previsto para as 11h, haverá entrega de prêmios para os campeões de 2010 do ranking do circuito da ASJ (Associação de Surfe da Joaquina), além de homenagens para os que contribuíram para o crescimento do esporte.

Nas férias de julho de 1976, os jornalistas Ricardinho Machado e Cacau Menezes promoveram um evento que reuniu durante três dias shows de rock, surfe e mulheres bonitas. Nomeado de Rock, Surf & Brotos, a competição levou 5.000 pessoas à praia da Joaquina. O vencedor Caxito Douat, de Joinville.

 “Sempre fizemos festas e pensamos em fazer o evento, juntando o que já fazíamos com o surfe. Meus amigos eram surfistas e fizemos porque era o momento. Era tudo novo para nós. Teve um pessoal do Rio que nos ajudou”, conta Ricardinho.

Naquela época, as praias que os jovens frequentavam eram as de Coqueiros. Com o surgimento do surfe, Ricardinho e seus amigos começaram a descobrir as praias do Leste, perfeitas para a prática do esporte.

Por incrível que pareça, o idealizador do Rock, Surf & Brotos subiu em uma prancha apenas uma vez. “Tentei surfar uma vez. Eu e mais cinco amigos, com uma prancha só, fomos para a praia da Solidão, no Pântano do Sul. Quando chegou a minha vez, achei que era difícil e desisti”, diverte-se o jornalista.

Para Ricardinho, que é colunista do Notícias do Dia, o Rock, Surf & Brotos foi importante por seu pioneirismo, por ter aberto as portas para o surgimento de outros campeonatos aqui no Estado. Em 1986, a Joaquina foi escolhida para sediar o mais importante deles: a etapa do circuito mundial de surfe, o Hang Loose Pro Contest, um marco para a história do esporte no Brasil. “Foi o máximo. Cravou um marco na Joaca e boas lembranças para aquela geração”, avalia.

Amizade permanece

O assessor de imprensa Ivan Althoff enfrenta as ondas da Joaquina desde 1971. Além da prática do esporte, o surfe é o elo que mantém a amizade do pessoal da velha guarda, que ainda continua frequentando a praia para relembrar histórias daquele tempo. “É praticamente uma família. Estamos quase todos os dias aqui. Somos conhecidos como os dinossauros do surfe. Participei das festas, dos eventos. Éramos poucos, hoje são inúmeros os que não são da Ilha”, comenta.  

Na praia da Joaquina, os surfistas locais têm lugar privilegiado para pegar as ondas. É o tal do localismo, prática comum em todos os lugares.

Ivanzinho, como é conhecido no meio, diz que a medida é tomada com respeito. “A pedra careca é o centro dos locais. Temos as regras para os turistas. Indicamos onde que eles podem surfar, mais para o meio da praia, para não dar confusão. Temos o localismo com educação”, garante Ivanzinho, que surfa todos os dias antes de ir para o trabalho.

Alexandro Albornoz/ND

Zeno Britto é o dono do único cartaz do Rock, Surf & Brotos

Uma relíquia em casa

O funcionário público Zeno Britto guarda um tesouro em casa. O surfista ficou com o único cartaz do evento que existe. Emoldurado em um quadro, raramente Britto o empresta para alguém ou tira do seu local, onde é mantido em segredo. “É uma relíquia. Os quadros de Monet você acha um monte por aí. Esse daqui vale mais. Ele marca os 35 anos do primeiro evento do surfe em Santa Catarina. Guardo com carinho”, revela.

Surfista há 40 anos, Britto nunca parou de pegar onda. Em 1976, a praia ainda não tinha o estacionamento e, atrás das dunas, havia uma depressão onde foi armada a lona de circo em que aconteceram os shows de rock.
O funcionário público se considera um privilegiado por ter vivido aquela época. “Durante o dia, íamos surfar, e à noite aconteciam os shows de rock. Ficávamos todos acampados nas dunas. O pessoal chegava na sexta-feira e ia embora só no domingo. Tenho saudades daquele tempo. Ainda bem que eu vivi”, conclui.

Retrato da cidade

 “Florianópolis era só Fusquinha, DKW e Rural. Para ir à universidade, do Centro à Trindade, levava meia hora. Tinha a ponte Hercílio Luz e dava para escutar o sino da Catedral de qualquer lugar.
As casas noturnas só abriam na sexta-feira e as festas aconteciam nas boates dos clubes 12 e Lira. A Lagoa só tinha dois restaurantes, um do Edson Andrino, que na época era vereador. As pessoas iam para comer marisco que ele mesmo pescava. A saída dos colégios era uma atração. A cidade era mais ou menos assim”. (Ricardinho Machado)

 

NA JOAQUINA
Calendário ASJ

1ª etapa          abril
2ª etapa          agosto
3ª etapa          novembro

Oito categorias: Profissional (mais de 17 anos), Open (14 a 18 anos), Júnior (14 a 16 anos), Mirim (11 a 14 anos), Infantil (sete a dez anos), Interna (aberto para os associados), Máster (acima de 35 anos) e Feminino (sem limite de idade)

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