Joinvilenses encontram no surfe uma oportunidade de negócio

Dupla joinvilense comemora ganhos e satisfação com a arte de fazer pranchas e a prática do esporte que amam

Fazer o que gosta e lucrar com isso. A união destas duas variáveis fez de dois joinvilenses nomes conhecidos do shaper regional. A arte de fazer pranchas de surfe e de outros esportes náuticos é o que Rodrigo Sansão e Mauricio Maiochi apresentam em comum, além do gosto por este tradicional esporte.

Rogério Souza Jr./ND

Rodrigo Sansão sempre fabricou os próprios brinquedos

Morador de Barra Velha durante a semana Mauricio Maiochi iniciou na profissão de shaper desde cedo. O dom foi descoberto na curiosidade e necessidade de consertar as próprias pranchas. “Desde os 12 anos, eu já consertava minhas próprias pranchas. Comecei por necessidade. Na época, não tinha muitas pessoas que fizessem isso. Aí despertou a vontade de um dia fabricar pranchas. Trabalhei em fábricas de prancha até os 20 anos”.

A partir daí, o assunto virou coisa séria na vida no joinvilense de 39 anos. Maurício, porém, prefere manter seu negócio em Barra Velha, mesmo vendo em Joinville um mercado mais promissor. “Em Joinville talvez seria até melhor de mercado. Mas, aqui (em Barra Velha), eu consigo conciliar as duas coisas, surfar e trabalhar com o surfe. Gosto de interagir com as pessoas. Quando eu vou fazer uma prancha para alguém, eu gosto de ficar acompanhando o surfe da pessoa, para saber o que fazer para ela”.

Um pouco mais tarde, aos 20 anos, Rodrigo Sansão, 34 anos, iniciou na profissão influenciado por amigos, mas também por querer ter garantia de qualidade nas próprias pranchas. “Comecei aos 20 anos. Fazia boomerang. Veio a ideia de fazer quando comecei a comprar pranchas. Testei algumas pranchas e passei a pesquisar e comprar materiais de cursos de shaper. Desde criança eu surfo. Minha família é de Itajaí. Minha avó dava aquelas pranchas de isopor. Ali comecei a surfar, desde cedo”. A procura de uma prancha mágica é o que move o artesão e shaper. “Comecei a procurar a tão falada prancha mágica, aquela que você sobe em cima e vai onde quer. Sempre fui de fazer meus próprios brinquedos, está no sangue”, revela.

Industrialização não é problema

Mesmo que o trabalho artesanal acabe muita vezes preterido por produtos industrializados, Sansão e Maiochi não temem a concorrência. “Hoje em dia, as coisas estão muito industrializadas. Eu já gosto das coisas do jeito antigo, mais personalizadas. Tanto que não tenho alta produção. Meu negócio é focado direto na pessoa”, enaltece Mauricio Maiochi. “É ruim para o mercado, mas faz parte. No Brasil temos muita qualidade nas pranchas”, concorda Rodrigo Sansão.

Com foco no que quer o cliente e trabalhando de acordo com o perfil de cada surfista, fabricantes de pranchas orgulham-se do que fazem. “As variações são por tamanho, peso, tudo de acordo com a habilidade da pessoa. Quanto mais habilidade, a prancha é menor, mais ‘rápida’, com a borda mais fina. Dá orgulho (ver as pranchas com alguém). Eu mais faço prancha pelo amor mesmo ao esporte do que pelo dinheiro. Em primeiro lugar, é ver a pessoa feliz com o que eu faço, depois o dinheiro”, garante Maiochi.

Longe de ciúmes das próprias pranchas, o que importa para eles é verem o trabalho ser reconhecido. “O cliente vem com uma ideia e desenvolvemos de acordo com o que ele procura. Eu acompanho. Isso é fundamental. Assim tu tens o feedback de como está o desempenho da prancha. Dá orgulho. É uma felicidade. Esses tempos, participei como juiz de um campeonato e vi uma prancha minha andando mais que as outras”, conta Sansão.

Lucrar com a diversão

Mais do que trabalho, a profissão escolhida por ambos permite uma conciliação entre trabalho, ganhos e o prazer da prática esportiva, algo imensurável. “É o que eu faço hoje (fazer o que gosta e trabalhar no que gosta). Tenho um tempo diário para o surfe e faço meu próprio horário para trabalhar. Concilio a minha vida a meu esporte”, exalta Mauricio Maiochi.

“Quando tu fazes o que gostas, sempre tem alguém que gosta do teu serviço e sempre tem oportunidade. Isso é para a vida toda. Estou a disposição quase 24 horas. A gente trabalha no que gosta e faz acontecer. Quando consigo conciliar isso o negócio engrena. Quando consigo estar com uma prancha que pensei nela. Para mim é fundamental surfar e estar produzindo” resume Rodrigo Sansão, que em 2014 pretende ministrar cursos para ensinar pessoas a produzir e consertar pranchas.

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